PMPE: Polícia Militar pode entrar em greve nesta quarta­feira

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pb1A Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) vai realizar uma assembleia na próxima quarta-­feira (27). A categoria está reivindicando um reajuste salarial de 25% e há possibilidade de deliberação de greve.

Os PMs e bombeiros reclamam que estão há dois anos sem reajuste salarial, sem hora extra, adicional noturno, insalubridade. A associação de Praças de Pernambuco acrescenta que muitos PMs trabalham 15 serviços normais e mais 10 extras totalizando assim 25 dias trabalhado no mês, numa carga horária desumana, sem o devido retorno. Em junho de 2014, os policiais militares de Pernambuco ficaram três dias em greve. O período de paralisação foi o suficiente para o registro de arrastões, assaltos e furtos. O Exército chegou a fazer as patrulhas no lugar dos policiais em greve.

Diante da ameaça de greve da PM, Estado teria solicitado apoio da Força Nacionalpb2

O aumento dos índices de criminalidade e os percalços financeiros na máquina estadual levaram a segurança pública de Pernambuco à uma situação de alerta. Somente no primeiro trimestre, o número de homicídios cresceu 7,4% em relação ao mesmo período de 2015. O aumento mais expressivo foi no mês de março, quando houve uma alta de 18%, com 60 homicídios a mais. Já o número de assaltos subiu 31,5% neste mesmo período. O clima de insegurança se alastra do Litoral ao Sertão com sequências de assaltos em agências bancárias do Interior até arrastões no bairro do Recife Antigo, na Zona Central, e no parque Dona Lindu, na Zona Sul.

Os últimos episódios foram as mudanças de cargos executivos nas secretarias de Defesa Social e de Justiça e Direitos Humanos, seguidas pela ameaça de greve dos policiais militares. A categoria aguarda resposta do Estado sobre a pauta de reivindicações, apresentada no último dia 13. Marcou assembleia para decidir o rumo do movimento para amanhã. Mas o governo não deverá ceder à pressão dos militares e já se antecipou: caso a paralisação seja deflagrada, contará com apoio da Força Nacional. A vinda da Força Nacional para Pernambuco foi informada na última segunda-­feira (25) durante reunião na Secretaria de Defesa Social sobre a possível deflagração da greve dos policiais e bombeiros militares. Segundo uma fonte oficial, o governador Paulo Câmara já teria solicitado apoio ao Ministério da Justiça. Uma medida preventiva para evitar o caos que se instalou durante três dias no Estado,em 2014, quando a corporação ficou aquartelada. Houve saques e assaltos. A situação só acalmou após a chegada dos agentes nacionais. Além desse apoio preventivo, o Estado busca a negociação. Na reunião da segunda-­feira, os comandantes da PM receberam a missão de “convencer” a tropa a não aderir à greve. O argumento usado pelo comando será a falta de recursos do Estado para bancar os 18% de reposição, além dos 7% de reajuste pleiteado pela categoria. Uma nova rodada de negociação entre gestão e sindicato foi marcada para amanhã. A assembleia da categoria será realizada após essa reunião em frente à Alepe. “A categoria quer greve. A temperatura aumentou após a gestão informar que, tirando o reajuste, os demais itens de nossa pauta foram atendidos. Isso não ocorreu. Tínhamos 18 itens na pauta de 2014, quando fizemos greve. Reduzimos para quatro e o Estado atendeu apenas um, a promoção de praças”, disse o presidente da Associação dos Policiais e Bombeiros do Estado, José Roberto Vieira. Ficaram em aberto a reestruturação do Hospital da PM, a implantação do Código disciplinar e o reajuste. Responsável pela negociação salarial dos servidores, a Secretaria de Administração confirmou a nova rodada de negociação, mas já adiantou que o Estado não tem recursos para conceder reajustes.

Mobilizações

O comandante geral da Polícia Militar, o coronel Carlos D’Albuquerque Maranhão, confirmou que os demais comandantes estão conversando com as tropas. “O momento é inoportuno para se tratar de reajuste. Qualquer coisa que seja encaminhada de forma diferente eu chamo de distorção”, afirmou D’Albuquerque, que está à frente de 20 mil homens. Na última segunda­-feira (25) na Alepe, deputados governistas e oposicionistas demonstraram receio de que a categoria opte pelo movimento paredista. Segundo o deputado estadual Joel da Harpa, um dos líderes da greve de 2014, “grande parte da tropa só fala em greve”.

Pânico em 2014

A greve dos PMs durou três dias em 2014. Foram registrados saques, depredações e assaltos. O número de homicídios triplicou e o comércio fechou as portas em várias localidades. As ruas ficaram vazias e as aulas foram suspensas em universidades e escolas. Situação mais aterrorizante ocorreu em Abreu e Lima, na RMR, onde dezenas de lojas foram arrombadas e os produtos saqueados.

Carol Brito e Wilson Maranhão, da Folha de Pernambuco