Rádio Guaíba: Comandante da BM admite mais casos de envolvimento ilegal entre policiais e empresas de segurança no RS

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Img_n60233Em entrevista coletiva, o tenente-coronel Alfeu Freitas garantiu que comandante da BM em Pelotas preso por porte ilegal de arma vai ser afastado do cargo e transferido de região

Em entrevista coletiva concedida para tratar do caso da prisão de três policiais militares suspeitos de envolvimento com esquemas criminosos de segurança particular em Pelotas, o tenente-coronel Alfeu Freitas, comandante-geral da BM, admitiu que mais casos semelhantes estão sendo investigados no Rio Grande do Sul. Uma operação conjunta entre o Ministério Público, a Polícia Civil e a Brigada Militar prendeu, ainda pela manhã, um tenente da reserva e um sargento da ativa. À tarde, o comandante da BM em Pelotas, tenente-coronel André Luis Pithan, também foi detido, em flagrante, por porte ilegal de arma. Um dos PMs investigados relatou que o oficial tinha, em casa, uma arma em nome dele, já entregue à Polícia.

A operação Braço Forte busca apurar o envolvimento de policiais com a Nasf Portaria e Segurança que, conforme os promotores, cometia tortura contra suspeitos de crimes. Além disso, a empresa é suspeita de coagir moradores a contratarem o serviço, sob pena de não receberem policiamento ostensivo da Brigada Militar. O tenente da reserva preso pela manhã é o proprietário da empresa investigada.

Contra o tenente e o sargento pesaram mandados de prisão, cumpridos no início do dia. Ambos serão encaminhados para o presídio militar da BM em Porto Alegre. Já o o tenente-coronel pode pagar fiança e foi liberado. Isso porque a prisão dele se deu em flagrante, decorrente da denúncia de um dos detidos na operação.

Freitas garante, no entanto, que Pithan vai ser submetido a Inquérito Policial Militar e também afastado do cargo que ocupa: “ele vai ser afastado e transferido da região Sul do Estado. Toda a história que envolve essa arma apreendida com ele precisa ser avaliada.” O coronel Freitas ressaltou, no entanto, que ele pode ser realocado em outras funções dentro de outros comandos da corporação. Sobre as atividades que o ex-comandante deve assumir a partir de agora, Freitas afirmou que ainda não há definição.

O comandante-geral reconhece que outros casos semelhantes estão sob investigação: “nós temos que evitar essas milicias. Nós temos várias denúncias de envolvimento, temos várias investigações que procuramos fazer. O caso de Pelotas foi um desses”. Conforme ele, o brigadiano da reserva não está impedido de ser sócio ou proprietário de empresa privada de segurança, “mas não pode se misturar com a atividade de polícia, da Brigada Militar.”

Questionado sobre o abalo que a operação causou na comunidade, Freitas foi enfático: “eu vejo que a BM prende muita gente, lá também há grupos criminosos articulados, e a BM tem feito enfrentamentos. A fragilidade não é da instituição, é de um ou outro membro. Isso é um alerta para todo o Estado, para que os policiais cuidem da sua obrigação”, disse. Além disso, o comandante deixou um alerta: ”quem contrata serviço de segurança privada tem que saber que também deve chamar a BM. Acho que todo o trabalho da Brigada desempenhado em Pelotas vai servir para não abalar a relação com a comunidade.”

O que apurou o MP

Conforme o Ministério Público, a empresa cometia crimes como tortura, milícia armada, lesões corporais, danos patrimoniais e incêndio sob o pretexto de impor respeito às residências e estabelecimentos comerciais que tinham a placa da empresa afixada. De acordo com as investigações, criminosos eram sequestrados, agredidos e torturados, assim como pessoas sem vinculação com os crimes. Além disso, pessoas e empresas eram supostamente forçadas a contratar a empresa. Para isso, residências e estabelecimentos eram arrombados pela milícia.

Fonte:Ananda Müller/Rádio Guaíba

Comandante da BM é detido com arma de investigado pelo MP em Pelotas

Operação deflagrada nessa manhã teve como alvo empresa de zeladoria que agia como milícia armada, torturando suspeitos de crimes

A Polícia Civil deteve, na tarde de hoje, o comandante da Brigada Militar em Pelotas, tenente-coronel André Luis Pithan, dentro do quartel da corporação. Levado à Delegacia de Pronto-Atendimento do município, ele pagou fiança e foi liberado. A detenção decorre da operação Braço Forte, deflagrada hoje pelo Ministério Público para investigar um esquema de milícia envolvendo uma empresa de portaria e segurança que, conforme os promotores, cometia tortura contra suspeitos de crimes. Um dos investigados detido de forma provisória relatou que Pithan tinha em casa uma das armas dele.

O MP deixa claro que não foram os promotores do caso que fizeram a detenção. Consultado, o comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo da região Sul (CRPO), tenente-coronel Nelson Minuzzi, negou que Pithan tenha sido preso e disse que a corporação “apresentou o oficial”, a pedido da corregedor-geral da Brigada Militar, tenente coronel Jefferson Jaques, que participou da operação, em Pelotas. Já a assessoria de imprensa da BM confirmou que Pithan vai ser trocado de cidade e de função. Hoje, ele entregou a arma à Polícia Civil.

Pela manhã, a operação Braço Forte prendeu 15 pessoas, recolheu 21 veículos e apreendeu armas de fogo, facas, porretes, algemas, celulares e computadores, entre outros equipamentos supostamente pertencentes à Nasf Portaria e Segurança, de propriedade do tenente da reserva da BM Nelson Antônio Silva Fernandes, um dos presos temporariamente.

Conforme o Ministério Público, a empresa cometia crimes como tortura, milícia armada, lesões corporais, danos patrimoniais e incêndio sob o pretexto de impor respeito às residências e estabelecimentos comerciais que tinham a placa da empresa afixada. De acordo com as investigações, criminosos eram sequestrados, agredidos e torturados, assim como pessoas sem vinculação com os crimes. Além disso, pessoas e empresas eram supostamente forçadas a contratar a empresa. Para isso, residências e estabelecimentos eram arrombados pela milícia.

O corregedor-geral da BM informou que a corporação vai investigar a participação de policiais da ativa, seja agindo no apoio às atividades da empresa ou se omitindo da função. Além do tenente da reserva Nelson Antônio Silva Fernandes, foram presos hoje dois integrantes do Exército Brasileiro. De acordo com o MP, as investigações duraram três meses.

Fonte:Rádio Guaíba