Rejeição de Sartori é maior entre jovens, revela pesquisadora chamada para seminário do governo

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17725353Socióloga Elis Radmann disse ainda que, com crise de insegurança, debate sobre prioridades da população regrediu um século

Os gaúchos com menos de 40 anos veem mais negativamente o governo de José Ivo Sartori do que o restante da população. Essa foi uma das constatações que a socióloga e cientista política Elis Radmann apresentou a membros do governo do Estado em um seminário – que contou a participação do próprio governador – encerrado nesse sábado. Segundo a pesquisadora e proprietária da empresa Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO), os mais novos entendem que o governo de Sartori está engessado e querem resultados rápidos. Já os maiores de 40 anos, segundo a análise, são mais compreensivos com a gestão do atual governador.

“As pessoas com mais de 40 anos enxergam essa crise e dão um salvo-conduto ao governo, levando em consideração todo o déficit econômico do Estado. A população com menos de 40 anos é mais crítica. Porque é mais temerosa e ela quer soluções mais rápidas. Até porque do ponto de vista prático, tem muita gente das gerações Y e Z. E foi muito mais educada para ser servida do que para servir. Ela quer resultados mais práticos e considera o governo engessado”, explicou.

Segundo a socióloga, a apresentação e análise levadas à equipe de governo foram construídas com base em várias pesquisas realizadas pela empresa, o Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO), no último trimestre. Na “análise sociológica”, a pesquisadora disse que o destaque maior ficou para as crises que atingem os brasileiros (política, econômica, social e de insegurança). Para os gaúchos, a crise de insegurança é, na compreensão da pesquisadora, a que mais mobiliza os gaúchos atualmente.

“Hoje as pessoas se sentem tão inseguras na sua rua quanto no centro da cidade. Isso cria um temor social muito grande que precisa ser tratado não só na segurança pública, mas também no aumento do sentimento de comunidade. O que acontece nesse momento? O debate voltou a uma lógica de estado de direito, sobre o direito de ir e vir, de liberdade, de propriedade. Isso muda o paradigma de debate da sociedade. Ou seja, voltamos um século em anseios”, disse ela, comparando os desejos relacionados ao estado de direito, ao estado democrático de direito e ao estado social.

As perguntas que geraram essas constatações fazem parte, garantiu Elis, da rotina de pesquisas da empresa e foram incluídas em demandas de clientes privados e públicos. A pesquisadora e a assessoria do governo garantem que a palestra foi concedida gratuitamente e que a análise da IPO não foi encomendada pelo governo do Estado. Durante a campanha eleitoral de Sartori, o IPO foi contratado pelos marqueteiros de Sartori para identificar as demandas da população e, assim, ajustar o discurso do então candidato ao Piratini.

Fonte:Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba