SUL21: ‘Índices de criminalidade vão aumentar’, diz Abamf sobre cedência de brigadianos para Olimpíadas

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BM2Da Redação

O governo do Estado deve confirmar entre hoje e amanhã quantos policiais militares irá ceder para reforçar a Força Nacional de Segurança durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que ocorrem entre 5 de agosto e 21 de agosto deste ano. Em contrapartida, o Rio Grande do Sul deverá receber armamentos, viaturas, coletes e munição.

Para Leonel Lucas, presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), entidade que representa os servidores de nível médio da Brigada Militar (BM), a cessão dos brigadianos certamente vai repercutir na segurança do Estado.”Os índices de criminalidade vão aumentar com certeza nessa época”, prevê. “Cem brigadianos é mais ou menos Porto Alegre, num turno de serviço, sem policiamento nenhum”, explica.

No entanto, Lucas diz que os sindicatos da BM não devem protestar contra a medida. “Para o lado do brigadiano isso é bom. Vai receber uma diária extra e não vai receber o salário parcelado”, disse. “Pelo lado da população, é extremamente grave. Quem tem que se revoltar é a população”, complementou.

Na terça-feira (12), a seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) emitiu nota criticando a cedência. “Não há policiamento ostensivo e estamos vivendo um verdadeiro caos prisional. A cedência desses agentes poderá custar ainda mais aos cidadãos inocentes que já sofrem com furtos diários e tiroteios em frente de escolas”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Breier, na nota.

Ele ainda disse que, diante do conhecido déficit de policiais no RS, o governador foi precipitado em assinar convênio para reforçar a composição da Força Nacional no RJ. “Cinco viaturas, um micro-ônibus, coletes à prova de balas, armas, munição e outros equipamentos são a contrapartida da União. Isso zomba com o cidadão gaúcho já amedrontado”, ressaltou.

Em entrevistas a rádios da Capital nos últimos dias, o governador José Ivo Sartori (PMDB) confirmou que o Estado deverá ceder policiais e que não existe a possibilidade de isso não ocorrer. Inicialmente, ele afirmou que seriam cedidos apenas brigadianos que atuam em funções administrativas, o que foi desmentido posteriormente.

Porém, nem todos os Estados irão ceder policiais para contribuir nos Jogos. Em janeiro, o governador do Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), anunciou que se recusaria a ceder policiais porque precisaria mais deles para combater o crime em seu Estado.

No edital de convocação, publicado no site da Brigada Militar, está prevista a convocação de 82 policiais do Estado para participar do policiamento nas Olimpíadas. O edital também prevê que os candidatos devem ter cinco anos de experiência profissional em atividade profissional e não podem estar afastados a mais de um ano das atividades.

Nesta quarta, a assessoria do Palácio Piratini afirmou que o Estado ainda está em negociações com o governo federal sobre quantos profissionais serão cedidos e de que áreas sairão.

SUL21