Drones podem ser usados em futuras operações policiais

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Drones podem ser usados em futuras operações policiais | Foto: Vinícius Roratto / CP Memória
Drones podem ser usados em futuras operações policiais | Foto: Vinícius Roratto / CP Memória

Emprego de aparelhos está em fase de regulamentação

O avanço da tecnologia beneficia tanto a segurança pública como a criminalidade. O uso crescente de drones é um dos exemplos. O emprego dos veículos aéreos não tripulados pode ser útil em operações policiais, investigações, monitoramentos, perícias e acidentes de trânsito em locais de difícil acesso, além da comprovação de crimes ambientais, entre outros. O diretor da Divisão de Apoio Aéreo da Polícia Civil, delegado Francisco Carlos Oliveira, lembra que o seu emprego ainda está em fase de regulamentação. Ele avalia que os atuais modelos, de uso mais doméstico, não são adequados à atividade policial.

Entre os pontos desfavoráveis, Oliveira cita a baixa autonomia de voo devido ao curto tempo de duração da bateria. O delegado observa que o equipamento, devido ao peso, pode matar alguém ou danificar um veículo ou um prédio em caso de queda. Prevendo no futuro o drone no cotidiano da segurança pública, ele defende que sua utilização ocorra apenas em áreas e situações específicas, sem colocar em risco a população.

De acordo com Oliveira, o mais importante é a aquisição de um imageador térmico aéreo para o helicóptero da Polícia Civil. O Batalhão de Aviação da Brigada Militar tem o equipamento desde a Copa do Mundo de 2014. O aparelho é dotado de câmera de alta resolução e com visão noturna, captando imagens mesmo a grande altura. O equipamento permite a identificação imediata a longa distância, com alcance superior a 50 quilômetros, em operações diurnas e noturnas.

“É uma tendência na segurança”

Responsável interino pelo Batalhão de Aviação da BM, o major Carlos Franck Simanke considera bom o uso de drones na atividade policial. “É uma tendência”. Além disso, Simanke cita o recente episódio dos mais de 30 mil pneus em um depósito clandestino em Ernestina. “As imagens aéreas foram feitas com um drone”, afirma. O oficial também avalia que o emprego do aparelho deve ser usado em situações específicas, obedecendo à legislação que deve impor condições e restrições, sem oferecer perigo às pessoas. Por sua vez, a criminalidade já manifesta interesse nos drones. Um caso recente foi o de um apenado da Pasc que tentou comprar um desses aparelhos através das redes sociais.

Monitoramento de traficantes

Uma experiência inédita com drone foi realizada pela Polícia Civil em julho de 2013 no bairro Restinga, zona Sul de Porto Alegre. O aparelho, cedido para teste por uma empresa, atuou na operação Território da Paz deflagrada na Capital e em Eldorado do Sul. Na ação, feita em conjunto com a BM, foram presos 11 integrantes de uma quadrilha de tráfico de drogas, homicídios e roubos a residências. O drone fez o levantamento da área onde foram cumpridos os mandados. O delegado Alencar Carraro, que coordenou a ação, lembra que dez dias antes da operação o equipamento filmou a movimentação dos traficantes em um reduto no bairro. O sobrevoo ocorreu a centenas de metros de altura.

Correio do Povo