PIONEIRO: Declaração de oficial da BM sobre insegurança em Caxias repercute nas redes sociais

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19233060Tenente-coronel Ronaldo Buss afirma que é o WhatsApp e o Facebook que causam medo desproporcional na população

Pioneiro

A declaração do comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de que não existe sensação de insegurança em Caxias do Sul repercutiu nas redes sociais. O tenente-coronel Ronaldo Buss expôs a opinião durante uma audiência pública na Câmara de Vereadores, na segunda-feira. Na fala, o comandante atribuiu a responsabilidade pela sensação de insegurança à mídia. Porém, o oficial afirma que não se referiu aos meios de comunicação como rádio, jornal ou TV. Para ele, a falsa sensação de insegurança é propagada pelas redes sociais.

—Eu disse que os meios de comunicação como WhatsApp e Facebook, por não terem um necessário filtro, geram uma sensação de medo desproporcional —ressaltou Buss.

Na página do Pioneiro no Facebook, 123 pessoas discordaram da opinião do oficial.

— Sensação de medo já deixou de existir há muito tempo, o que existe é o medo real. As pessoas estão mudando as rotinas diárias, estão saindo em grupo, mudando itinerários e com pressa para chegar em casa — relatou Marcelo Schmitz, por exemplo.

Em outro comentário, uma internauta resumiu a insegurança sentida em Caxias.

— Para toda a população de bem, que precisa sair de casa para trabalhar ou até para ir na esquina comprar pão, o medo já tomou conta faz tempo — afirmou Camila Fernanda Fernandes.

Em entrevista por Skype para um canal britânico no final do ano passado e publicada pelo jornal Zero Hora, a psicóloga norte-americana Pamela Rutledge, do Media Psychology Research Center (Centro de Pesquisa de Mídia e Psicologia), afirmou que as redes sociais podem servir como alerta sobre os crimes de determinada cidade.

— Eu acho interessante quando dizem que a mídia traz apenas notícias ruins. Pois bem, são as notícias ruins que capturam a atenção do público, pois desafiam nossa sensação de sobrevivência e segurança. Notícias boas seriam um luxo. Em outras palavras, se há perigo, precisamos saber, para garantir a própria sobrevivência — reforçou Rutledge.

Prisões
Buss também afirmou que a informação divulgada na audiência de que 30 pessoas são presas todos os dias não pertence à Brigada Militar. O dado teria sido divulgado pela Polícia Civil.

“Não existe sensação de medo”, diz comandante da Brigada Militar em Caxias

Órgãos da segurança pública e comunidade estiveram reunidos em audiência na Câmara de Vereadores

Os frequentes relatos de vítimas da violência urbana motivou uma audiência pública no plenário da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul na tarde desta segunda-feira. A falta de efetivo e o sistema carcerário foram as principais reivindicações de 20 membros de entidades que participaram do encontro.

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Segurança (CDHCS), vereador Rodrigo Beltrão (PT), a audiência debateu alternativas para fortalecer a segurança pública na cidade.

— Foi a forma que encontramos de dar voz a uma comunidade que pede mais segurança na frente das escolas, que quer mais policiais circulando no bairro e que quer ver o sistema prisional funcionando — explica Beltrão.

Presente no evento, o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Ronaldo Buss, acredita que o diálogo entre os órgãos de segurança pública e a população auxilia significativamente na redução da criminalidade.

— Não temos como estar 24 horas em todos as regiões da cidade. Por isso, é importante ter a comunidade ao nosso lado, nos mostrando onde está o problema e nos ajudando a identificar os criminosos. A Brigada quer e precisa estar próxima da população — argumenta Buss.

O comandante também ressaltou que os números da criminalidade em Caxias estão diminuindo. De acordo com ele, de março para abril foram registrados 16 casos a menos de roubos a pedestre. Para maio, a perspectiva é de que diminua mais, já que em 15 dias apenas 72 casos foram contabilizados.

— Lá fora, não existe sensação de medo. Temos policias trabalhando motivados, mesmo com salários parcelados e continuamos agindo em bairros onde a criminalidade é mais acentuada — conta.

Também estiveram presentes na audiência, o coronel Antônio Osmar da Silva, comandante do CRPO/Serra, o secretário da Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social, José Francisco Barden da Rosa, além da juíza Milene Dal Bó, da Vara de Execuções Criminais e o delegado Marcelo Grolli.

Central de Alternativas Penais em andamento

O apoio formal da prefeitura à futura Central de Alternativas Penais será solicitado pela Comissão de Direitos Humanos do Legislativo caxiense. De acordo com a juíza Milene Dal Bó, faltam R$ 150 mil para viabilizar o empreendimento. Ela garantiu, porém, que estão confirmados R$ 3 milhões do governo federal.

As centrais são financiadas pelo Ministério da Justiça, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e serão geridas pelo Poder Executivo local. Elas ficarão sediadas nos fóruns onde serão feitas as audiências de custódia. Uma das principais finalidades da Central é garantir uma análise mais criteriosa do aprisionamento provisório, por meio da apresentação dos presos em flagrante a um juiz no prazo máximo de 24 horas.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Segurança acolheu a sugestão do vereador Daniel Guerra (PRB), quanto a recorrer ao Executivo Municipal. Rodrigo Beltrão informou que, na próxima reunião de trabalho do grupo, será feito o encaminhamento, a fim de agilizar a liberação da verba faltante.