Rádio Guaíba: Após protestos reprimidos pela BM, deputados pedem a Sartori que exonere secretário da Segurança

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Deputados de oposição dizem que ação da BM em protestos da semana passada foi desproporcional. Foto: Leandro Molina
Deputados de oposição dizem que ação da BM em protestos da semana passada foi desproporcional. Foto: Leandro Molina

Parlamentares entendem que manifestantes contra o governo Temer foram vítimas da truculência da polícia na Capital

Deputados estaduais da oposição que consideraram desproporcional e abusivo o uso da força da Brigada Militar para conter os protestos na semana passada em Porto Alegre pedem a saída do secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini. Na manhã desta segunda-feira, dez parlamentares foram até o Palácio Piratini para exigir uma audiência com o governador José Ivo Sartori (PMDB), que acabou recebendo o grupo, juntamente com lideranças de movimentos sociais.

Segundo o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT), a análise da oposição é que, até o momento, o governo Sartori vinha tendo uma postura correta frente ao direito à livre manifestação. Porém, após o impeachment sofrido pela presidente afastada Dilma Rousseff (PT), e o suposto objetivo alcançado da nomeação de Michel Temer como presidente interino, a postura da polícia militar gaúcha mudou.

“Ambos os movimentos eram protegidos (antes do impeachment). Agora não existe mais dois lados: só existe quem contesta o governo ilegítimo de Michel Temer. Os outros sumiram. Ou envergonhados ou porque atingiram seus objetivos. E inexplicavelmente a Brigada Militar, em dois dias consecutivos, vai com todo o efetivo, com cavalaria, com espadas que não se via desde o tempo da ditadura militar, quando se reprimia com toda a violência. Ao final da manifestação, quando as pessoas já estavam indo embora, a Brigada age com toda truculência prendendo e levando para a delegacia e se apresentando como vítimas, invertendo absurdamente a situação. Primeiro lugar: pedimos a demissão do secretário da Segurança e, segundo lugar, que o governador, honrando toda sua história, porque ele também foi vítima da ditadura militar, que ele determine a apuração completa dos atos de violência e a responsabilização de todos aqueles que praticaram esses atos de violência”, garantiu Mainardi.

Com relação aos pedidos da oposição, o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi (PMDB), apontou que o governo vai analisar criteriosamente se houve abuso da força contra os manifestantes por parte da Brigada. Porém, referente à saída ou não de Jacini, o Piratini disse que não vê motivos.

“Se houve (abuso), nós vamos apurar quais foram os motivos e as reais necessidades de fazer uso dessa força para coibir esses manifestantes. Mas nós queremos fazer isso com responsabilidade e fazer com que isso seja feito pelos caminhos administrativos e jurídicos que o Poder Executivo possui. O que não será feito é um pré-julgamento sem fazer um aprofundamento em especial porque é um caso quase que isolado. Todas as outras vezes, mesmo com um grupo grande de manifestantes, nós não tivemos problemas. Esperamos que não se repita nenhum episódio como esse”, apontou Biolchi.

Após o encontro, no final da manhã, os deputados afirmaram que o próprio governador garantiu, na reunião, que a determinação de desobstruir as ruas partiu dele mesmo. Questionado sobre o assunto, Biolchi, pelo governo, disse que na verdade Sartori se referiu ao protesto na semana retrasada, onde manifestantes pró-Dilma acabaram obstruindo a avenida Mauá, principal acesso à Capital.

As deputadas Manuela D’Ávila (PCdoB) e Stela Farias (PT) e os deputados Pedro Ruas (PSOL), Luiz Fernando Mainardi (PT), Edegar Pretto (PT), Altair Tortelli (PT), Adão Villaverde (PT), Tarcísio Zimmermann (PT), Nelsinho Metalúrgico (PT), Zé Nunes (PT) e Dionilso Marcon (deputado federal pelo PT), juntamente com lideranças de movimentos sociais, foram recebidos pelo governo.

No início da tarde, o Palácio Piratini emitiu nota oficial sobre a questão. Confira o comunicado, na íntegra:

NOTA OFICIAL

DIREITO À MANIFESTAÇÃO E À MANUTENÇÃO DA ORDEM PÚBLICA

Todos os grupos sociais têm direito a fazer manifestações públicas, pois essa é uma garantia constitucional e democrática.

Porém, tal direito deve conviver com a ordem pública, o que exige que os direitos dos demais cidadãos também sejam respeitados.

Eventuais excessos, de parte a parte, devem e serão apurados individualmente por meio das medidas cabíveis.

O Governo do Estado alerta para a tentativa política de gerar tumulto por meio de práticas já conhecidas pela sociedade gaúcha e brasileira. E reitera seu compromisso com o diálogo e a harmonia.

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Fonte: Vitória Famer / Rádio Guaíba