Presídio de Carazinho regista a fuga de 21 detentos

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FOTOO4Dois agentes penitenciários vigiavam 311 presos no momento da fuga

Uma fuga em massa foi registrada no início desta manhã no Presídio Estadual de Carazinho, no norte do Rio Grande do Sul. Ao todo, 21 detentos que estavam na galeira A da penitenciária conseguiram fugir através de um buraco feito em uma das celas. O diretor do Presídio de Carazinho, Eberton de Oliveira, afirmou que os presos utilizaram ferros para abrir buracos na parede entre as celas 5  e 11 cela. Em uma das unidades, foi feito um buraco que deu acesso ao pátio da penitenciária.

Em entrevista ao programa Bom Dia, o diretor da penitenciária afirmou que agentes de segurança chegaram a disparar para tentar conter a fuga, mas os bandidos conseguiram furar uma cerca e escaparam. Oliveira destacou ainda que haviam poucos servidores penitenciários na hora da fuga.

“Hoje haviam dois agentes penitenciários para vigiar 311 presos. Só no regime fechado, são 230 presos. Todos os que fugiram eram do regime fechado. Além disso, a estrutura física também colaborou. Isso será averiguado. Filmagens, fotos, documentos, serão analisados”, afirmou.

Agentes da Polícia Civil e da Brigada Militar fazem buscas na região. Pelo menos cinco detentos já foram recapturados pelos policiais.

Veja o local onde fica o presídio:

Problemas na Susepe:

Na última semana, um expediente interno que circularia apenas entre funcionários da Superintendência dos Serviços Penitenciários foi divulgado pela Associação dos Servidores Públicos (Amapergs). No documento assinado pelo diretor do departamento de segurança da Susepe, Mario Pelz, advertiu à cúpula da Superintendência e do governo do Estado os problemas nas penitenciárias gaúchas. Além da falta de agentes penitenciários, problemas de infraestrutura e falta de materiais foram sinalizados. Em entrevista coletiva, Pelz chegou a colocar o cargo a disposição, após a divulgação de que a realização de horas-extras por a agentes penitenciários estava suspensa devido à falta de verbas. Na ocasião, a Superintendente da Susepe Marli Ane Stock articulou com o estado e garantiu dinheiro para o pagamento das horas complementares. Atualmente, a Amapergs estima um déficit de quase 3 mil agentes nas penitenciárias gaúchas. A população carcerária no Rio Grande do Sul é a maior de todos os tempos, com cerca de 34 mil detentos.

O diretor da Amapergs Alexandre Bobadra afirmou que a fuga é um reflexo do sistema carcerário gaúcho. Ele lamentou a fuga de detentos e disse que o governo já foi avisado sobre as falhas de segurança na Penitenciária de Carazinho.

“Hoje foi só a fuga de detentos, mas em algum momento pode acontecer algo pior, e aí será uma tragédia anunciada. A orientação do Departamento Penitenciário Nacional é de um agente penitenciário para cada cinco detentos. Lá tínhamos um agente para cada 115 detentos do regime fechado”, pontuou Bobadra, que defende a contratação de servidores públicos para o setor.

Fonte:Eduardo Paganella / Rádio Guaíba