Após protesto, Força Nacional no Rio ganha camas e reajustes nas diárias e escalas

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2016-923404176-201607141350220653_20160714Após agentes da Força Nacional ameaçarem deixar a segurança da Olimpíada por conta das más condições dos alojamentos e do baixo valor das diárias, o comando da corporação e o Ministério da Justiça promoveram mudanças para impedir a debandada. A partir desta quinta-feira, a escala dos 3.500 PMs, policiais civis e bombeiros de vários estados do Brasil foi modificada para atender as reivindicações: passou de 12h de trabalho por 24h de folga para 12h por 48h.

O ministério também vai reajustar a diário dos agentes de R$ 220 para R$ 550. Na tarde desta quinta-feira, beliches foram entregues no alojamento, no condomínio Vila Carioca, do “Minha casa, minha vida”, no bairro do Anil, na Zona Oeste do Rio. Antes, os agentes dormiam em colchões comprados por eles mesmos ou até no chão. Após as reclamações, o fornecimento de água no local também foi normalizado, após uma visita de técnicos da Cedae. O Ministério da Justiça prometeu também a remessa de mais fardas, já que cada agente só recebeu uma.

Agentes compram colchões
Agentes compram colchões Foto: Márcio Alves / Agência O Globo

Na tarde desta quinta-feira, após o EXTRA as ordens da milícia da Gardênia Azul aos agentes, policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) estiveram no local. Após ouvirem policiais e bombeiros alojados no condomínio, agentes da especializada afirmaram que vão retornar periodicamente ao condmínio para outras operações.

Segundo agentes ouvidos pelo EXTRA sob a condição de anonimato, operadoras de internet fixa são impedidas de atuar na área pelos paramilitares. Por isso, cada policial tem que a própria internet móvel, pagando do próprio bolso. Os agentes também afirmaram que não podem circular armados na favela.

Policiais e bombeiros foram alojados em região dominada pela milícia
Policiais e bombeiros foram alojados em região dominada pela milícia Foto: Márcio Alves / Agência O Globo

O Vila Carioca, ainda não inaugurado, começou a ser ocupado pela Força Nacional em maio. Os agentes que concordaram em conversar com o EXTRA, sob a condição de anonimato, estão no Rio há cerca de 15 dias. Contam ter recebido as orientações sobre as restrições impostas pela milícia de seus coordenadores — policiais militares, policiais civis e bombeiros têm coordenações separadas — dentro do próprio conjunto habitacional, assim que os grupos chegavam ao Vila Carioca. As determinações eram passadas sempre a grupos de poucos agentes por vez.

O Ministério da Justiça informou, por meio de nota, que vai apurar as informações e encaminhá-las à Polícia Federal, à Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

Agentes da Draco foram checar denúncia do EXTRA

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