Governador de Alagoas diz que policial civil não exerce profissão de risco

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renan-filho-pmdb-governador-de-alagoas-1449511835806_300x420Aliny Gama
colaboração para o UOL, em Maceió

Policial civil não exerce uma profissão que tenha risco de morte. Essa é a opinião do governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), Nesta segunda-feira (25), ele comentou sobre o assassinato do policial civil José Clerio Vieira, morto a tiros por assaltantes dentro de um ônibus em Maceió na última quinta-feira (21). A declaração do governador gerou indignação entre os policiais. O Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas criticou o governador e o chamou de “desinformado”.

“O cidadão não morreu porque era policial, não. Ele morreu porque entrou em uma situação de confronto com o bandido. Poderia ser com qualquer cidadão, infelizmente foi um policial. Policial civil não é profissão de risco, morrem pessoas de qualquer profissão, como da construção civil, funcionários públicos, e isso é fruto da violência”, afirmou Renan Filho.

Vieira trabalhava na Central de Flagrantes I, localizada no bairro do Farol, e tinha acabado de sair do trabalho. Subiu em um ônibus da linha Gama Lins-Ponta Verde, da empresa Real Alagoas, por volta das 20h, a caminho de casa quando foi assassinado com três tiros na cabeça.

Apesar da afirmação do governador de que o policial reagiu ao assalto, câmera do circuito de imagens do ônibus registrou o assalto e o momento que Vieira foi atingido. O policial estava sentado em uma cadeira de costas para a porta. Um rapaz de camisa branca sobe no coletivo, vai para a parte traseira do veículo e anuncia o assalto. O policial permanece sentado na cadeira sem observar o que se passa e o ônibus segue viagem.

Na parada seguinte, o ônibus para e outro assaltante, de camisa preta, sobe com a arma escondida em um dos braços. Ele permanece na escada da porta do veículo dando cobertura ao outro assaltante. O comparsa começa a sair do ônibus.

Antes de a dupla descer, o assaltante de camisa branca sinaliza para o comparsa observar Viera – é neste momento que o de camisa preta atira por três vezes na cabeça do policial. Os criminosos desceram correndo do ônibus.

Em seguida, passageiros amedrontados saem correndo do veículo. O motorista do ônibus seguiu para o  pronto-socorro do Tabuleiro do Martins, mas o policial já estava morto.

Em seguida, o ônibus foi levado para Central de Flagrantes I, onde passou por perícia. A empresa entregou as imagens do circuito de filmagem à polícia para ajudar na identificação dos criminosos. Nenhum suspeito do crime foi preso.

Repercussão

O Sindpol rebateu a declaração feita por Renan Filho afirmando que ele fez uma “declaração infeliz e ainda teima em dizer que a profissão de policial civil não é de risco”. O sindicato criticou a política de segurança adotada pelo Estado.

“A declaração mostrou que o governador está totalmente desinformado e sem conhecimento de como ocorreu o crime. Na noite do dia 21 de julho, os assaltantes reconheceram o policial civil José Clerio Vieira no ônibus. Não houve confronto do policial com o bandido, conforme revelou a investigação da polícia”, informou o sindicato, em nota.

O texto segue informando que “policiais exercem sua profissão 24 horas por dia, estando em serviço ou não, porque quando estão de folga não deixam de ser policiais. Além disso, durante suas funções e fora dela, podem ser reconhecidos e serem alvos de bandidos. Quantos policiais civis precisarão morrer no combate à violência para que o governador mude o seu entendimento? O sindicato cobra o pagamento da periculosidade devido ao risco de vida ser inerente à atividade policial.”

Cidade violenta

Segundo a ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, Maceió é a quinta cidade mais violenta do Brasil, de acordo com dados divulgados este ano. Porém, em 2014, a capital de Alagoas ocupava o primeiro lugar na lista.

O Mapa da Violência de 2014 aponta Alagoas como o Estado mais violento do Pais. Segundo os dados, Alagoas tem a taxa de 64,6 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Sindpol emite nota de repúdio à declaração do governador Renan Filho

Em cerimônia no Palácio, governador afirmou que policial civil não é profissão de risco
Tribuna Hoje com Assessoria

Na tarde desta segunda-feira (25), o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) emitiu nota de repúdio à declaração do governador Renan Filho durante cerimônia de reformulação do programa Nota Fiscal Cidadã, realizada no Palácio dos Palmares. O mandatário do estado afirmou em entrevista coletiva que a profissão de policial civil não seria considerada de risco.

O sindicato disse que a fala de Renan Filho foi infeliz e que demonstra que o estado não tem política de segurança pública. “Por isso, não cumpriu o compromisso com os alagoanos de que ele próprio iria tomar conta da pasta da segurança pública”, diz o Sindpol em trecho da nota.

A afirmação foi dada após o governador ser questionado sobre a morte do policial civil José Clerio Vieira dentro de um ônibus no conjunto Village Campestre durante assalto. O sindicato reiterou que não houve reação e que o policial foi reconhecido pelos suspeitos.

“Quantos policiais civis precisarão morrer no combate à violência para que o governador mude o seu entendimento?”, perguntou o Sindpol ao cobrar pagamento de periculosidade ao risco de vida para exercer a função.

Herbert Melanias, vice-presidente da Aspol-AL (Associação dos Servidores da Polícia Civil de Alagoas), divulgou carta aberta ressaltando o alto risco da profissão. “Somos policiais 24 horas por dia. Essa definição não é minha, mas sim da doutrina e da jurisprudência”, disse.

O vice-presidente da Aspol-AL também pontuou que a fala de Renan entristeceu os integrantes da Segurança Pública estadual e a família do policial José Clério.

O sindicato encerra a nota exigindo respeito do governador à categoria.

Confira a nota na íntegra

O Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) manifesta repúdio à declaração do governador Renan Filho de que a atividade policial civil não é considerada uma profissão de risco.

O govenador faz uma declaração infeliz e ainda teima em dizer que a profissão de policial civil não é de risco. Isso confirma que o governador não tem política de segurança pública para combater a violência. Por isso, não cumpriu o compromisso com os alagoanos de que ele próprio iria tomar conta da pasta da segurança pública.

Para o Sindpol, a declaração mostrou que o governador está totalmente desinformado e sem conhecimento de como ocorreu o crime. Na noite do dia 21 de julho, os assaltantes reconheceram o policial civil José Clerio Vieira no ônibus. Não houve confronto do policial com o bandido, conforme revelou a investigação da polícia, de que ele foi morto por ser policial civil.

O Sindpol lamenta o posicionamento do governador em não reconhecer o risco de vida da profissão de policial civil, que está 24 horas a serviço. Quantos policiais civis precisarão morrer no combate à violência para que o governador mude o seu entendimento? O Sindicato cobra o pagamento da periculosidade devido ao risco de vida ser inerente à atividade policial.

Mais uma vez, o Sindpol exige respeito do governador com os trabalhadores policiais civis, que respeite à categoria que tanto espera pela valorização por parte desse governo.

A diretoria”.