PM do RJ tem o 56º enterro de policial assassinado em 2016

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Vítimas foram mortas em serviços ou apenas porque eram policiais.
Rotina de funerais na corporação emociona oficiais.

 Do G1 Rio

Foi enterrado nesta quarta-feira (6) no cemitério de Sulacap, na Zona Oeste do Rio, o corpo do sargento Alexandre Moreira de Araújo, de 44 anos, morto após ser baleado na Favela do Rola. Ele foi o 56º policial militar assassinado este ano no Rio de Janeiro ou por estar em serviço ou, simplesmente, por ser policial.

O sargento Alexandre cumpria nesta segunda-feira (5) o primeiro dia de trabalho no 27º Batalhão, em Santa Cruz, na Zona Oeste. Ele participava de uma operação para prender criminosos na favela do Rola. Usava colete, mas levou um tiro na axila. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.

“Deixou um garoto de 2 anos e 6 meses com a esposa e o nosso coração partido”, disse o ex-padrasto de Alexandre, Jorge Antônio.

As mortes de policiais se repetem na luta contra o crime e tornam o dia a dia mais chocante, principalmente para um grupo que vive de perto a dor da perda de um parceiro e participa de uma cerimônia triste, cada vez mais comum.

O cortejo com o corpo de Alexandre passou entre policiais enfileirados. Depois, ecoaram os tiros da guarda fúnebre do Batalhão de Choque. Este mesmo grupo participou de mais de dez cerimônias como essa nos últimos meses.

“É um sentimento de dor, como se fosse um irmão que está partindo daqui por conta dessa violência que está ocorrendo no Rio de Janeiro. A dor da polícia que está perdendo mais um combatente nessa guerra contra a violência”, desabafou um policial.

Entre lágrimas, a mãe de Alexandre assistiu o corpo do filho descer ao túmulo ao som da corneta tocada por um policial. Domingo passado, o mesmo corneteiro participou do mesmo ritual.

“Tem que ter também um controle porque não tem como tocar no extremo da emoção, entao a gente tem que se controlar”, disse o sargento Eliel dos Santos, afirmando que se emociona ao tocar o instrumento no momento fúnebre de um colega de farda.

O capelão e o pastor da PM perderam as contas de quantas vezes fizeram orações na despedida de um policial morto durante o combate ao crime. Para o capelão, major Marcelo Araújo, muitas vezes é difícil controlar o choro.

“É inevitável [chorar]. Nós somos sensíveis à perda, ao sofrimento, à família que chora, à instituição que fica enlutada pela morte de um companheiro. As lágrimas simbolizam o sentimento que está no coração”, desabafou.