Em homenagem póstuma, soldado morto no RJ é promovido em Roraima

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Hélio Andrade foi promovido ao posto de cabo durante formatura da PM.
O militar morreu após ser baleado na Maré; ele atuava nas Olimpíadas.

Jackson FélixDo G1 RR

O soldado Hélio Andrade, de 35 anos, morto após ser baleado na favela da Maré, no Rio de Janeiro, foi promovido ao posto de cabo na tarde desta quinta-feira (25) em Boa Vista. Na ocasião, a mãe de Andrade recebeu da governadora Suely Campos (PP) as insígnias da nova patente.

Em entrevista ao G1, o irmão de Hélio Andrade, Marcos Viera Andrade, disse que o reconhecimento demorou. O militar morto no Rio estava há 13 anos corporação. “Para nós agora não adianta mais, ele já se foi. O importante seria que ele estivesse aqui no meio, independente da promoção”, disse.

De acordo com o comandante da PM, coronel Dagoberto Gonçalves, esta é a segunda promoção ‘pós-mortem’ em 40 anos de história da corporação, a primeira ocorreu em 2008.

Soldado Complexo da Maré Rio JG (Foto: Reprodução: TV Globo)Hélio Andrade foi baleado ao entrar por engano na
favela da Maé, no Rio (Foto: Reprodução: TV Globo)

Andrade atuava como agente da Força Nacional. Ele estava no Rio de Janeiro desde 2015 e sonhava em trabalhar na Olimpíada.

A governadora disse que a promoção representa uma forma de homenagear o ex-soldado.

“Representa o reconhecido de um rapaz novo, que ceifou sua vida no trabalho e nada mais justo homenagear e reconhecer que ele foi nosso herói, um herói nacional”, declarou.

Segundo o governo, os pais Hélio Andrade devem receber uma aposentadoria no valor referente ao salário do cargo de cabo.

A promoção de Andrade ocorreu no Palácio Senador Hélio Campos, durante a formatura de promoção de praças e oficiais da Polícia Militar em alusão ao Dia do Soldado, celebrado nesta quinta. No total, foram promovidos 250 militares, destas, duas foram por ato de bravura.

Ataque a agentes no RJ
Andrade foi baleado na cabeça no dia 10 deste mês, após ele e outros dois agentes da Força Nacional entrarem por engano na favela no Rio de Janeiro.

Após socorrido em estado grave no Hospital Salgado Filho, Hélio foi operado por uma equipe de três neurocirurgiões durante 4 horas e meia e teve morte cerebral declarada na noite do dia 11. O óbito oficial foi confirmado às 10h25 do 12.

De acordo com o coronel Dagoberto Gonçalves, o soldado morava no Rio de Janeiro desde 2015 e estava atuando na Força Nacional durante as Olimpíadas. Ele ingressou na PM de Roraima em 2003 e integra a Força Nacional desde 2014.

Além de Hélio, outro agente da Força Nacional ficou ferido no ataque. O capitão Alen Marcos Rodrigues Ferreira, que atua em Cruzeiro do Sul, no Acre, teve ferimentos leves. O soldado Rafael Pereira, do Piauí, que também estava no veículo, escapou ileso.

O corpo de Hélio Andrade foi enterrado no cemitério Campo da Saudade, zona Oeste de Boa Vista. O enterro foi marcado por forte comoção e tristeza.