Novo secretário de segurança deve ser definido em um mês, diz vice-governador do Rio Grande do Sul

174

20868058José Paulo Dornelles Cairoli afirmou que o governo ainda “está trabalhando” nas ações que serão tomadas com a vinda da Força Nacional

O vice-governador José Paulo Dornelles Cairoli afirmou, na manhã desta sexta-feira, que o novo secretário de Segurança do Estado deve ser definido em um mês. Durante 30 dias, a pasta será comandada por um comitê formado na noite de quinta-feira, depois que Wantuir Jacini pediu exoneração do cargo.

As ações que serão tomadas pelo comitê, no entanto, não foram definidas pelo vice-governador. Cairoli, que tem uma função de comando no grupo, apenas afirmou que o governo está trabalhando com as propostas para a área.

— Não podemos, em um prazo de 10 horas, apresentar tudo o que vai ser feito. O projeto não pode ser solto — disse o vice-governador.

Jacini deixou o cargo após o assassinato de uma mulher no bairro Higienópolis, quando ela iria buscar o filho no Colégio Dom Bosco.

Na manhã desta sexta-feira, o governador José Ivo Sartori viajou a Brasília para pedir apoio da Força Nacional de Segurança para exercer a guarda externa de presídios no Rio Grande do Sul. O reforço liberará os cerca de 400 policiais que atualmente trabalham no sistema prisional para o serviço de patrulhamento das ruas.

Sobre o aumento da violência, Cairoli apenas relatou que “não interessam números, interessam as almas” perdidas para a violência.

ZERO HORA

Por mais segurança, sindicatos pedem inteligência, fechamento de fronteiras, políticas sociais e investimentos

Tanto sindicato de policiais civis quanto de militares dizem que Força Nacional não solucionará problemas

Os dois sindicatos que representam as maiores categorias de policiais do Estado cobram alterações nas políticas de governo e nas políticas de segurança pública no Rio Grande do Sul. Para o presidente da Abamf, associação que representa os servidores de nível médio da Brigada Militar, a alteração do cenário de crise na segurança passa por novas estratégias de policiamento. Leonel Lucas aponta que é preciso que o próximo secretário da pasta, que ingressará no lugar de Wantuir Jacini, tenha força para enfrentar a cúpula de governo. Ele ainda sugere pedido de reforço do governo federal no policiamento de fronteiras, através da PF e PRF, e não o chamamento da Força Nacional de Segurança.

“A Abamf pensa que ter que ter estratégia, tecnologia, informação e inteligência. A primeira coisa é que nós tenhamos um secretário que conheça a área e que consiga enfrentar o governo do Estado. Não adianta ser mais uma ‘rainha da Inglaterra’. Precisamos de um especialista que tenha vínculo com o governo. Precisamos hoje que o governador, que está em Brasília, não trazer a Força Nacional, mas fazer os órgãos da União como PF e PRF tragam mais efetivo ao Estado para trancar as fronteiras. A Força Nacional não é a solução”, diz Lucas.

Já Isaac Ortiz, representante das mais numerosas categorias da Polícia Civil, diz que a troca de comando na Segurança Pública não é o suficiente, sendo preciso acabar com o contingenciando de gastos. Além disso, o presidente da Ugeirm Sindicato destaca que a segurança pública não se faz só com polícia, sendo preciso investir em políticas sociais.

“Não adianta trocar o secretário se não trocar essa política perversa do governo do PMDB que está ceifando a vida de gaúchos. As viaturas da Polícia Civil e da Brigada sumiram das ruas. Primeiro, (é preciso) não contingenciar as verbas da Segurança Pública. O governador tem que entender também que a Segurança Pública não se faz só com polícia. Ele tem que atuar nessas áreas de conflito, levar o estado para essas áreas. Levar educação, saúde… Ele não tem nenhuma política social dentro dessas comunidades”, argumenta Ortiz.

O representante de escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil do Estado ainda fez uma forte crítica ao fato do vice-governador do Estado ter assumido o Gabinete de Crise da Segurança Pública.

“Tem uma força-tarefa praticamente cuidando das fazendas do (vice-governador do Estado José Paulo) Cairoli, com a Farsul e os amigos dele lá. Desmontar delegacia de homídio para fazer força-tarefa para cuidar de gado gordo. Tudo bem, é abigeato, mas nós temos que cuidar das vidas agora. Esse que está assumindo a crise priorizou os gados gordos dele”, criticou.

O sindicalista também critica a alternativa do governador de buscar a Força Nacional como medida emergencial para auxiliar na segurança dos presídios.

Fonte:Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba