OSCAR BESSI: Quem se juntará ao Gabinete de Crise?

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TGFPor Oscar Bessi

Mais uma série de crimes brutais. O povo gaúcho, assustado, vê ranhuras de sangue e medo ofuscarem definitivamente o pôr-do-sol do Guaíba. Há uma guerra em andamento. E ela está aqui, nas nossas ruas, na frente de nossas escolas, nas portas das nossas casas. Inocentes são executados de um jeito banal e cotidiano. Do nada, explodem tiros e gritos de dor a um palmo de nossas mãos. A qualquer hora. Em qualquer lugar. A insanidade absurda deixa tantas crianças órfãs entre nossas lágrimas quanto nas imagens que vêm da Síria. Os traumas são iguais. O injustificável e o inaceitável têm os mesmos verbos, sujeitos e adjetivos. Não há diferença na estupidez. Há desrespeito e vidas desprezadas. E um torpe negócio da violência que enriquece um grupo de almas putrefatas a lucrar, todos os dias, com as nossas mortes – as que nos levam e as que nos deixam, para sempre, sem nossas melhores partes de uma até então felicidade.

Com a saída do Secretário de Segurança, o governo gaúcho monta o gabinete de crise. Pois bem. Vamos ficar atentos para ver quem participa. Quem se apresenta. Quem arregaça as mangas e grita “tô junto!”. Quem está interessado no nosso problema e na nossa dor. Porque sustentamos muita gente, com o nosso suor de cada dia. Bancamos até quem não nos deixa chegar perto, feito deuses no Olimpo. Somos nós, cidadãos comuns e grandes vítimas disso tudo, que todos os dias deixamos pesados impostos nessa estrutura pública gigantesca e, em muitos aspectos, inútil que nos cerca. Todos os Poderes são igualmente responsáveis por nós e pelo que nos acontece, pelo que não recebemos em troca. Se pensarmos, de todo esse elenco que bancamos, talvez a maioria de policiais e professores, pelo menos, justifiquem nossos gastos. Mesmos desamparados em estrutura e condições de trabalho há muitos anos. E mesmo sendo os que menos recebem na divisão das fatias desse bolo que é o nosso pobre bolso.

Vamos acompanhar o Gabinete de Crise, suas ações e seus integrantes. Vamos ver se o Judiciário estará junto, vibrante e engajado, assim como a Assembleia Legislativa precisa estar, sem disputas político-partidárias, mas unida pelo seu povo. Vamos ver se os “especialistas” descobrem, finalmente, que qualquer programa que fale de segurança precisa, além da valorizar as forças policiais, de uma frente ampla e forte de Educação, com a humanização na base da mudança de rumo. Muitos dedos que apertam esses gatilhos assassinos. De traficantes a receptadores, de corruptos a egoístas e omissos. Segurança Pública é responsabilidade de todos. Mas de uns tantos, e não só das polícias, é mais. Pois a conta que pagamos já está bem cara.

CORREIO DO POVO