RJ: Sem comida, expediente dos bombeiros é cortado pela metade

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Militares relatam que falta café da manhã, almoço e lanche.
Bombeiros contam dificuldades pelas quais passam.

Do G1 Rio

Sem verba para comprar comida, alguns bombeiros do Rio de Janeiro estão tendo seus expedientes reduzidos pela metade. Os militares relatam que falta café da manhã, almoço e lanche em alguns quartéis, como contou o RJTV.

“Todos os quartéis estão com suas contas bancárias zeradas. Para completar, ontem tivemos a notícia de que o expediente nos quartéis está sendo suspenso no segundo turno por conta da alimentação. Algumas unidades estão sem condições de fornecer o básico: café da manhã, um suco, um lanche da tarde”, destacou Mesac Eflain, presidente da Associação de Bombeiros Militares do RJ.

O boletim interno da corporação informa que os cursos foram reduzidos a meio expediente. Alguns como “Instrução técnico-profissional” e “Treinamento físico militar” foram suspensos. O expediente administrativo, que era de 8h às 17h, foi reduzido para 8h às 12h para economizar comida.

“O cabo e o soldado desconta o valor de R$ 162, que é chamado de ‘etapa de rancho’. Então, esse é um valor que é nosso. A gente contribui para poder ter uma alimentação adequada. E quando chega ao quartel e a gente não tem, de modo que possamos prestar um serviço de qualidade para a população, é muito frustrante para o bombeiro”, contou Eflain.

Serviços de saúde reduzidos
Bombeiros também reclamam que alguns comandantes estão pedindo que os militares economizem combustível.

“Estivemos reunidos com o governo e ele falou que o decreto de calamidade pública não afetaria os serviços essenciais. Mas, infelizmente, desde dezembro já estamos sofrendo com essa insegurança financeira, com parcelamento de salário, com parcelamento de 13º salário”, contou Eflain.

Um bombeiro, que não quis se identificar, revela que os serviços de saúde também foram reduzidos.

“Nós estamos com as nossas inspeções de saúde suspensas, os exames laboratoriais também estão suspensos por falta de pagamento ao laboratório que presta serviço terceirizado, e também nossos dependentes não estão conseguindo marcar consultas, porque o expediente está reduzido no hospital de 8h às 12h. Então eu acho que o trabalhador, ainda mais se tratando de um bombeiro militar, merecia um pouco mais de respeito”, contou o bombeiro.

Corporação responde alegações
O Corpo de Bombeiros afirma que a alegação sobre a falta de refeições não procede. A corporação explica que a redução no expediente foi adotada justamente para que seja possível garantir a qualidade na alimentação de todos os militares das equipes de socorro e para que, consequentemente, o atendimento à população não seja afetado.

Sobre a mudança na agenda de instrução, o Corpo de Bombeiros afirma que as alterações se devem à redução do expediente, para que todo trabalho administrativo possa ser realizado durante a manhã. Os bombeiros ressaltam que as instruções são de reforço e não de aprendizado, pois se referem aos profissionais que já são formados.

Os bombeiros afirmam ainda que não houve nenhuma alteração no horário de atendimento do hospital da corporação, assim como nas policlínicas e odontoclínicas que prestam atendimento aos militares e seus dependentes. Todos seguem funcionando de 8h às 17h.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a informação de racionamento de combustível também não procede e o fornecimento está dentro da normalidade.

Reflexos da crise
Na quinta-feira (25), a crise também pode ser vista em outros sinais, como o rebaixamento da nota do RJ pela Standard and Poor’s. A nota do estado passou de B- para CCC- na escala global. E de BRB- para BRCCC- na escala nacional. A agência afirma que o RJ tem uma dívida de R$ 2,5 bilhões com credores nos próximos seis meses, e afirma que a profunda crise financeira que o Rio vive o prejudica a honrar esta dívida.

A Justiça também atendeu a um pedido da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e determinou, nesta quarta-feira (24), o arresto de R$ 4,8 milhões das contas do governo estadual para pagar o Aluguel Social de julho para cerca de 10 mil famílias cadastradas no programa. Pela decisão, o estado também terá que apresentar um cronograma de pagamento para os próximos meses.