A PLATEIA: De volta à Escola: o exercício foi tiro ao alvo

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Servidores da Susepe participaram de treinamento, nas dependências do 7º RC Mec, de manhã e de tarde

Dia puxado, ontem, no 7º Regimento de Cavalaria Mecanizada (7º RC Mec), do Exército Brasileiro, em Sant’Ana do Livramento. Na rotina de quinta-feira do regimento, foi realizado, em paralelo às atividades militares, treinamento para servidores da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) que trabalham em Sant’Ana do Livramento. O curso de aperfeiçoamento, no uso de espingarda calibre 12., foi ministrado pela Escola do Serviço Penitenciário, sediada em Porto Alegre.
A primeira etapa foi presencial, com um total de dez horas de atividades. A arma foi apresentada para os agentes, com a informação de instruções para o manejo preciso do equipamento. Depois, os “alunos” passaram para as atividades práticas. Conforme o diretor da Escola, João Reymundi, há, ainda, uma segunda etapa do curso, que é feita à distância, com mais dez horas de aperfeiçoamento.
O treinamento de ontem iniciou por volta das 8h30, indo até o meio-dia. Na parte da tarde, os trabalhos foram das 13h30 até as 17h.
Cláudio da Costa Silva, administrador substituto da Penitenciária Estadual de Sant’Ana do Livramento, que participou da atividade, fez uma breve análise ao fim do dia: “Muito bom o curso. Para nós serviu bastante mesmo, porque fazia um tempão que não manuseávamos armas dessa forma. Aprendemos bastante e, no futuro, vai ser bom”.

Dia de treinamento para servidores da Susepe

Curso será realizado nas dependências do 7º RC Mec, sendo ministrado pela Escola do Serviço Penitenciário

Atualização: palavra-chave para os profissionais da segurança pública. Hoje, durante a manhã e à tarde, agentes da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) recebem treinamento para aperfeiçoar o uso de espingardas calibre 12.
Segundo informações de Carlos Ronaldo Pinto, delegado substituto da 6ª Delegacia Penitenciária Regional, com sede em Sant’Ana do Livramento, é a primeira edição do curso, neste ano, na cidade. Na manhã, começa às 8h30 e se estende até o meio-dia. À tarde, vai das 13h30 até as 17h.
O treinamento é ministrado pela Escola do Serviço Penitenciário, criada em 24 de dezembro de 1968, no Rio Grande do Sul, pela Lei n° 5.740. Conforme informações institucionais da Susepe, a missão da Escola “é Qualificar o servidor penitenciário na cientificidade das ações de execução penal voltada para a modernização, à eficiência da gestão e à prestação dos serviços públicos penitenciários, promovendo o desenvolvimento de recursos humanos, em todos os níveis da ação penitenciária, compatível com as necessidades da Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE), bem como realizar outras atividades culturais, pesquisas e difusão de assuntos relativos à Criminologia e Ciência Penitenciária, em seus vários aspectos, com vistas ao estabelecimento de políticas públicas penitenciária, tendo como marco referencial o resgate e a promoção da dignidade humana, garantindo as condições para um processo contínuo e permanente de ensino-aprendizagem”, informa a página da Escola, na internet – site da Susepe.
Está previsto, segundo Ronaldo Pinto, ainda outro treinamento para os servidores da Susepe, relativo à algemação, condução e revista.

“Vamos padronizar, esse é o primeiro passo que a Susepe precisa ter, procedimentos iguais”

 Ontem, o diretor da Escola dos Serviços Penitenciários, João Eduardo Quevedo Reymundi, nascido em Sant’Ana do Livramento, participou do programa Canal Livre, da rádio RCC FM, ao meio-dia. Após ser entrevistado por Henrique Bacchio, falou, com exclusividade, para a editoria de Polícia do jornal A Plateia.

A Plateia: Até que ponto o contexto social em que vivemos, hoje, afeta na elaboração de estratégias da Escola?

João Raymunde: “A gente tem um olhar de observação muito aguçado. Na verdade, toda a máquina estatal é engessada pelo processo da burocracia e que, em certo momento, se faz necessário para ter a igualdade e o respeito às normas. Porém, esta burocracia, em muitos momentos, deixa-nos um pouco engessados. Em contrapartida, enfrentamos a dinâmica acelerada do crime, ou seja, eles estão sempre correndo, na frente, e temos que ter a capacidade de olharmos, entendermos e elaborarmos técnicas para que nossos servidores tenham condições de fazer esse enfrentamento, e nada mais propício que a utilização da técnica, ou seja, a força não se faz mais necessária, a violência não se faz necessária, nunca se fez por sinal. O que se faz necessário é a boa técnica, o emprego das normas, das condições, de material adequado. Então, nós vemos que tipos de situações acabam acontecendo nas casas prisionais e, a partir daí, nós elaboramos. Junto com isso tivemos o cuidado de fazer uma pesquisa junto aos servidores, através da internet e fisicamente, na qual o servidor pode dizer em qual área ele se sentia mais fraco em sua qualificação profissional. Eles puderam nos falar e, a partir daí, nós montamos vários cursos. Basicamente, nós estamos atendendo àquelas carências que já havíamos identificado”.

AP: Como é imaginar o que o apenado vai fazer ou como é pensar com a cabeça do outro, procurando ter uma visão antecipada?

Raymunde: “É muito complicado. Na verdade, deveríamos ter um investimento muito mais forte na área de inteligência prisional. Existe um setor, na Susepe, que tem essa denominação e que, no curso de formação, passamos algumas informações técnicas, de inteligência prisional. Teríamos que ter um investimento muito mais pesado, que é pra poder, realmente, monitorar o que acontece e, a partir daí, estar sempre preparado para uma ação que possa ocorrer. Mas é muito complicado, o crime é dinâmico e a segurança se vê amarrada pela burocracia do Estado, que é necessária, mas nos deixa um pouco aquém. Estamos sempre tentando apagar incêndio. O ideal é que tenhamos prevenção, para que o incêndio nunca aconteça”.

AP: Estamos carentes de pessoas com conhecimento técnico, na área de segurança, ou o gargalo é outro?

Raymunde: “Nós temos vários problemas, mas com certeza nós temos uma carência grande, nós temos uma defasagem muito grande de servidores, nós temos uma estimativa de que deveríamos ter, no mínimo, mais 1.500 agentes penitenciários. Se tu comparar com o efetivo que temos hoje, que é em torno de 3.000 agentes na área da segurança, nós estamos falando que teríamos que ter 50% a mais, ou seja, estamos com uma defasagem grande, mas além de termos essa defasagem, nós temos problema de distribuição, de má gestão. Nós temos casas prisionais como, por exemplo, a de Passo Fundo, com mais de 700 presos fechados e 50 agentes penitenciários. Nós temos algumas casas com 200, 250 presos fechados e 90 agentes penitenciários, ou seja, não temos um padrão que diga, ‘olha tem que ser proporcional’. Nós temos casas prisionais pequenas que, obrigatoriamente, exigem ter um contingente igual ao de uma casa mediana. Tem a questão do plantão, a questão da folga, a questão das férias, toda a questão que é de direito do servidor do sistema penitenciário. Umas casas prisionais tem 20, 15 presos. Em compensação, outras tem 700, 800. Esse tipo de distorção, em algum momento, teremos que ter a clareza de fazer o corte. Dizer que temos que ter um número x de servidores para presos. Em algum momento, teremos que mexer nisso aí. Este é um problema pior do que a falta de contingente. Porque nós temos o contingente, e não conseguimos distribuí-lo de maneira adequada”.

AP: Como é trabalhar com a diferença entre as casas. Umas com apenados mais perigosos, outras com número reduzido de presos. Como é trabalhar nesse contexto?

Raymunde: “Com certeza. Teve um superintendente que ocupou, por duas vezes, esse cargo e ele sempre dizia que a Susepe tinha várias ‘susepinhas’, que era feita de várias casas prisionais e cada uma tinha seu modelo e maneira de administrar. Esse é um grande problema que temos, na Susepe. Nós temos uma falta de padronização. Num lugar, se funciona de uma maneira; noutro lugar, se funciona de outra maneira. A gente está buscando uma uniformização no trabalho, no sentido de rotinas e procedimentos que sejam iguais em todos os lugares. O próprio preso transferido de um lugar para outro, ele sabe que não vai mudar a rotina e procedimentos, a disciplina, a questão dos seus direitos e deveres também vai ser inalterada. Então temos uma dificuldade muito grande, porque temos realidades distintas. Vamos padronizar, esse é o primeiro passo que a Susepe precisa ter, procedimentos iguais, que a gente busque tirar as diferenças, que só contribuem para a desordem”.

A Plateia