DIÁRIO DE CANOAS: Dedicação canina para garantir a segurança

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Paulo Pires/GES/
Animais são acostumados com a grande movimentação de pessoas

Reforço bom pra cachorro

Cães ajudam soldados a patrulhar estações do trensurb em Canoas Diego Figueira 

Usuários do trensurb têm sido surpreendidos pelas manhãs nas estações do metrô em Canoas. A julgar pelos olhares de alívio e pelos sorrisos, as surpresas são boas. Há duas semanas, ações do Comando de Operações Especiais (Coe) do 15º Batalhão da Polícia Militar (15º BPM) têm levado às estações cães treinados para ajudar os soldados no policiamento ostensivo. De acordo com informações da Brigada Militar (BM), justamente neste período em que os animais acompanham os brigadianos não houve registro de crimes nesses locais.

Enquanto observa a altiva pose do pastor belga malinois Über dentro de um dos vagões, o ferramenteiro aposentado Pedro de Oliveira, 60 anos, que utiliza diariamente o meio de transporte entre Canoas e Porto Alegre, opina:“Se eles (policiais militares) continuarem a vir todos os dias com os cachorros, vão acabar com a bagunça dos vagabundos no trem”. Condutor de Über, o soldado Gilciomar Mânica explica que o policiamento com os cães tem por objetivo coibir eventuais ações criminosas nas estações: “Temos vindo sempre que possível, isto é, sempre que os cães não estiverem envolvidos em outras atividades. Temos vindo pela manhã, nos horários de maior movimento e também porque é melhor para os animais, pela temperatura mais amena”.

De acordo com Mânica, a simples presença dos cachorros inibe potenciais ameaças à segurança dos passageiros. Na manhã desta quarta-feira, dois dos nove membros do canil do Coe, o pastor alemão Stark e o pastor belga malinois Über foram utilizados no policiamento. “Só no visual o cão já ajuda a prevenir, inclusive o uso de drogas. Se alguém tiver intenção de acender um cigarro ou estiver mesmo portando drogas já nem vai chegar perto, porque sabe que o cão vai detectar o cheiro”.

Elogios à iniciativa criada pelo 15º BPM

Quem já foi assaltado ou conhece alguém que tenha sofrido esse tipo de violência só tem elogios à iniciativa do 15º BPM de levar seus soldados caninos para garantir a segurança da população no transporte.

“Os assaltos estavam terríveis! Ao ponto de a gente não saber quando vai ser ‘escolhida’. Não ando diariamente no trem, mas uma amiga foi roubada perto numa estação. Com a presença da Brigada e dos cachorros policiais aumenta bastante a sensação de segurança da gente”, opina a diarista Maria Maier, 28, que junto dos filhos Ágata, 10, e Murilo, seis, gostou de ver os agentes de quatro patas policiando a Estação Canoas.

A opinião de Maria é compartilhada pela comissária de voo Eliane Zanetti, 32 anos. Segundo ela, a ação da Brigada “é muito válida, de grande importância, Principalmente por causa da violência que a gente é obrigada a enfrentar”.

Para a diarista Sônia de Araújo, 55, que utiliza o trensurb todos os dias, “é uma boa ver os policiais com os cachorros. A gente, que não tem segurança nem dentro do trem, se sente muito mais confiante quando vê essa dupla. Por mim eu só viajaria quando tivesse um brigadiano e um cachorro, assim. Daí a gente sabe que os vagabundos nem vão chegar”, declara.

Devidamente treinados

Normalmente, os PMs trabalham com duplas de cães nessas ações – que duram aproximadamente duas horas. Até poderem desempenhar seu papel de policiais, Über e Stark (ambos com um ano e três meses) passaram por treinamento antes de poderem encarar sua função num ambiente aberto e com grande circulação de pessoas. “Eles trabalham muito em ambiente fechado antes de trazermos para um ambiente externo, porque o cão precisa ser curioso – significa que deve estar atento ao que se passa em seu redor – e, ao mesmo tempo, seguro. Não adiantaria eu trazer um animal nervoso, que responderia mal aos estímulos que recebesse”, ensina Mânica. O soldado conta que antes de os cachorros serem levados nos horários de pico às estações, é feita uma ambientação, com os cuscos conhecendo os locais nos horários em que a circulação de usuários dos trens é menor. “Depois, gradativamente, aumentamos a presença deles nos horários mais movimentados”, diz.

Para poder estabelecer a parceria com os animais, os agentes do Coe também participam de treinamentos. “Fazemos cursos de adestramento e de especialização no trato com os cães. Temos uma parceria com o 3º Batalhão da Polícia do Exército, em Porto Alegre, que tem tradição no trabalho com cachorros”, acrescenta Mânica. Hoje, o Coe conta com cinco cinotécnicos em seu elenco.