Gazeta Online: ‘Punições podem exaltar os ânimos’, diz deputado que defende a anistia de PMs no ES

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Em entrevista ao colunista da Praça Oito, Vitor Vogas, o deputado Manato contou por que defende a anistia aos policiais militares do Espírito Santo.

Apesar de o governo Michel Temer ter avisado que vai barrar qualquer tentativa de anistiar policiais militares do Espírito Santo pela greve que levou ao caos no Estado, duas frentes foram abertas na Câmara dos Deputados em prol dos PMs.

Nesta segunda-feira (13), Alberto Fraga (DEM-DF) apresentou projeto de lei para anistiar os militares do Estado. E nesta terça-feira (14), Carlos Manato (SD-ES) fez o mesmo, mas com outra redação: apresentou proposta que muda a Lei nº 12.505, de 11 de outubro de 2011, que anistiou policiais e bombeiros de 22 estados e o DF para acrescentar o “Espírito Santo”.

Em entrevista ao colunista da Praça Oito, Vitor Vogas, o deputado Manato contou por que defende a anistia aos policiais militares do Espírito Santo.

1. Explique esse projeto que o senhor protocolou. O senhor quer que o governo federal estenda para os PMs do ES a anistia geral concedida a PMs de outros Estados em 2011?

Sim. Em 2011 aprovamos esse projeto. Dilma o vetou, mas nós derrubamos o veto na Câmara. Foi apresentado pelo Alberto Fraga, pelo pessoal da bancada da Segurança. E, em 2011, os policiais de outros Estados fizeram coisa muito pior: teve quebra-quebra e não tinha participação de famílias como no ES.

2. Antes de protocolar esse projeto, como o senhor tem acompanhado o movimento grevista e as negociações com o governo estadual?

O tempo todo. O Subtenente Gonzaga (deputado da bancada da Segurança, pelo PDT-MG, que foi uma das testemunhas a assinar a ata do acordo entre governo e entidades de classe na última sexta à noite) me reportava tudo que estava acontecendo. São meus amigos. Faço parte da bancada da Segurança Pública e da Frente da Segurança Pública na Câmara Federal. Se eu não protocolasse o projeto, outro teria feito. Encomendei esse projeto nesta segunda-feira (13) à assessoria da suplência da Mesa Diretora da Câmara, para eles verem a forma legal e aí entrar por essa brecha. Redigiram o projeto para mim e hoje o protocolei.

3. Como é a tramitação?

Passa pela Comissão de Segurança, da qual faço parte, e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na de Segurança a aprovação será tranquila. Na CCJ não acho que haverá dificuldades, pois já há um precedente legal (o projeto de anistia de 2011).

4. Por que o senhor defende a anistia?

Não estou entrando no mérito. Não estou dizendo nem que as mulheres nem que o governo tem razão. Só acho que isso (o anúncio de punições aos PMs) vai piorar as coisas, rapaz! Minha maior preocupação é que isso agora aflore ainda mais os ânimos. No calor da discussão, atropelando tudo, as consequências são imprevisíveis. Quero que o diálogo continue e que os ânimos não se exaltem ainda mais.

5. De que modo o senhor participou do movimento desde o início?

Tive várias participações. Já no sábado (4), procurei o Rodrigo Maia (presidente da Câmara Federal). Na segunda (6), a bancada federal capixaba, liderada pelo coordenador, deputado Marcus Vicente (PP), reuniu-se com os ministros da Defesa e da Justiça, para pedirmos o envio das Forças Federais ao Espírito Santo. Tentamos também uma reunião da bancada com o então governador em exercício (César Colnago). Mas o governo foi adiando, e não tivemos essa reunião.

6. O senhor apoia o movimento paredista?

Desde o início, apoio o diálogo. O Estado tem problemas financeiros? Tem. Mas os policiais estão trabalhando em condições muito ruins e passam dificuldades. Esse movimento começou às 6h da manhã de sexta (3) com algumas mulheres de PMs, em Feu Rosa. Faltou habilidade para conter esse movimento.

7. Por parte de quem?

Do governo estadual. Esticaram demais essa corda.

Fonte: Gazeta Online