Diário de Santa Maria: Entidades, autoridades e comando da BM avaliam impacto da ida de policiais do BOE para a Capital

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PMs saíram em comboio da sede do BOE com destino a Porto Alegre
Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

Pelo menos 70 PMs partiram na manhã de hoje sem data para voltar

O deslocamento de pelo menos 70 policiais do 2º Batalhão de Operações Especiais (2º BOE) da Brigada Militar (BM), com sede em Santa Maria, na manhã desta segunda-feira, para a Região Metropolitana de Porto Alegre deve causar impacto negativo no policiamento na Região Central, avaliam prefeitura, associações empresariais e especialistas em segurança.

Já o Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) Central afirma que a ausência dos policias será suplementada com horas extras para o efetivo do 1º Regimento de Policiamento Ostensivo (1º RPMon), o que equilibraria a equação. Consenso entre as duas frentes é que a situação não é a ideal.

O comandante do CRPO, coronel Ricardo Alex Hofmann, diz que a estada deve se estender por pelo menos um mês. Ele informa que a decisão foi tomada tendo por base que Santa Maria tem a segunda maior guarnição do Estado, atrás apenas de Porto Alegre. Ainda, há policiais no curso de Formação de Sargentos que logo farão estágios nas ruas, o que deve reforçar o policiamento. Por último, o coronel destaca que os índices de criminalidade vêm diminuindo ano a ano.

O secretário de Segurança Pública, Cezar Schirmer, afirma que os policiais vão atuar em operações pontuais. Conforme a assessoria da secretaria, a decisão partiu do Comando-Geral da BM e teve o aval de Schirmer.

Por não ter o efetivo ideal, neste mês, o Comando-Geral determinou a suspensão do Patrulhamento Intermunicipal (Patrin) nas 19 cidades da região do 1º RPMon. Foi a alternativa para manter o policiamento 24 horas em 11 municípios que enfrentam déficit de efetivo, já que policiais disponíveis em cidades vizinhas se uniam para viabilizar o patrulhamento de dia.

O QUE DIZ O COMANDO DA BM
Conforme o comandante do CRPO, coronel Ricardo Alex Hofmann, os BOEs são tropas reservas, e atendem demandas da BM em todo o Estado sempre que convocados. Ele explica que o 2º BOE está em Santa Maria por uma questão estratégica, e que os policiais que fazem parte dele não compõem o efetivo designado para atuar no policiamento ostensivo em Santa Maria.

– Vivemos em um período de crise, em especial Porto Alegre, que passa por uma dificuldade muito grande na segurança. Por isso, parte do 2º BOE vai para Porto Alegre amanhã (segunda-feira), chega à tarde e deve permanecer pelo tempo necessário – relata Hofmann.

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS
Coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da Faculdade de Direito de Santa Maria (Fadisma), Eduardo Pazinato, diz que o impacto não é tão grande quanto se imagina:

– Acredito que a equação continua desequilibrada. O impacto é menor do que se imagina, no entanto. Encaminhar 100 policiais do BOE, se for o caso, de Santa Maria para Porto Alegre não quer dizer menos 100 policiais nas ruas, pois ele é uma tropa especializada e não compõe o patrulhamento ordinário.

Outro especialistas, um PM ligado ao comando da BM e que preferiu não ser identificado, avalia como negativa a ida dos PMs:

– Lógico que há impacto. E, sim, esgota o efetivo que permanece, pois precisa se desdobrar por conta das horas extras. Infelizmente, a preocupação é só com a Capital e a Região Metropolitana – relata o policial.

CONTA QUE NÃO FECHA
No final de 2016, o Comando Central da BM divulgou que foram liberadas 20 mil horas extras a mais que em 2015, porém, o afastamento do 2º BOE em ações fora de Santa Maria correspondeu a 100 mil horas a menos de trabalho, ou seja, o cálculo resulta em saldo negativo de 80 mil horas.

Em 2016, 60 policiais do BOE, em média, ficaram em Porto Alegre por cerca de 10 meses. O custo total do deslocamento de PMs chegou a R$ 2,7 milhões.

– Pensa no investimento que poderia ser feito em armamento ou coletes balísticos? – diz o PM.

Ainda há encaminhamento de viaturas à Capital. Desde fevereiro de 2016, há veículos em Porto Alegre que devem voltar com avarias que precisarão ser consertadas. Hoje, das 61 viaturas na cidade, 48 estão aptas.

O QUE DIZEM PREFEITURA E ENTIDADES
Para a assessoria do prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), os números significam, na prática, redução da capacidade operacional, o que diminui a quantidade de ações (abordagens diárias e operações). Além disso, a assessoria (o prefeito não foi encontrado para falar sobre o assunto) questiona se o efetivo que permanece não ficará sobrecarregado.

Entidades como Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (Cacism) e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) veem ¿com muita preocupação¿ a medida.

– É dado um recado no sentido de que estamos enfraquecidos em termos de policiamento – relata o presidente da Cacism, Rodrigo Décimo.