Jornal do Comércio: 11º BPM testa tecnologia para atender ocorrências

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É preciso aproximar população da Brigada, diz tenente-coronel CLAITON DORNELLES /JC – Jornal do Comércio

Igor Natusch

O 11º Batalhão da Polícia Militar de Porto Alegre (11º BPM) costuma ser a primeira instância de testes para várias estratégias e ações da Brigada Militar (BM), funcionando como uma espécie de plano-piloto da corporação no Estado. Nos próximos meses, o batalhão deve ser a primeira etapa para mais uma dessas iniciativas. Desenvolvido em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs), uma plataforma deve permitir o registro e a comunicação de ocorrências por meio de equipamentos móveis, com a esperança de agilizar o acionamento dos soldados e melhorar o tempo de resposta aos chamamentos da população.

“Nosso policial militar não vai ficar mais dependente do rádio para saber que deve se deslocar a determinado ponto para atender uma ocorrência. Ele vai receber, automaticamente, em um tablet, toda a ocorrência, com todas as informações necessárias e até a rota a seguir, em GPS”, anima-se o tenente-coronel Douglas da Rosa Soares, comandante do 11º BPM.

Aliando essa medida ao aumento no uso de motociclistas, com maior mobilidade em situações de congestionamento, a unidade espera melhorar ainda mais o tempo de resposta aos chamados no telefone 190. Segundo o comandante, o intervalo para atendimento caiu pela metade no espaço de pouco mais de um ano, estando, agora, em torno dos 21 minutos. “Nossa meta é chegar, em algum momento, aos cinco minutos”, garante.

A área de alcance do Onze, como é chamado dentro da corporação, abrange 24 bairros da Zona Norte da Capital, alcançando áreas como a Estrada do Forte, a avenida Ipiranga, o aeroporto Salgado Filho e parte da avenida Farrapos. Dentro desse perímetro, regiões como a Bom Jesus, a Vila Farrapos e a Vila Jardim carecem de “uma atenção constante”, segundo o tenente-coronel. Ele comemora a queda de homicídios nesses bolsões de violência, a partir do incremento no policiamento e de ações de inteligência, mas diz que é preciso manter a presença forte nessas áreas, como modo de evitar que os índices retornem a patamares anteriores.

Nesse sentido, um aporte financeiro significativo deve vir do Instituto Cultural Floresta. Formado por empresários, o grupo resolveu doar R$ 14 milhões ao Estado, destinados, especialmente, à compra de veículos, armas e coletes à prova de balas. A entrega de 46 viaturas está prevista para amanhã. Boa parte desse aporte deve ir diretamente para o 11º BPM, que vem costurando a doação desde a metade do ano passado. Outras unidades, como o 9º BPM e o Batalhão de Operações Especiais (BOE), também devem ser beneficiadas em um primeiro momento. A partir dessa doação, o objetivo passa a ser mais ambicioso: a renovação completa do armamento do batalhão até o final do primeiro semestre.

Outro elemento importante para que mais crimes sejam elucidados é a colaboração entre diferentes órgãos, tanto da segurança pública quanto de outras áreas governamentais e entidades da sociedade civil. A redução significativa nos índices de roubo a ônibus em Porto Alegre – uma ocorrência frequente na área de abrangência do batalhão – é uma das consequências positivas dessa atuação conjunta, argumenta Douglas.

A proposta, agora, é transferir a mesma lógica aos bairros onde atua o 11º BPM. No final do mês, está prevista uma reunião do comando com empresários e lojistas da avenida Assis Brasil, onde foram registrados altos índices de criminalidade durante a Operação Papai Noel – em especial, no ano de 2016. “No ano passado, esses números já caíram, mas quero melhorar isso, e quem pode me dizer o que pode melhorar é quem mora e quem trabalha ali”, argumenta o tenente-coronel. A estratégia envolve, além da presença constante de policiamento, iniciativas para revitalização, que serão discutidas com responsáveis pela infraestrutura do município. “A aparência de lugar cuidado, que recebe atenção, já ajuda a desencorajar o criminoso. E esse lugar, agora, vai ter também a presença da Brigada, ou da Guarda Municipal. Isso tudo vai repercutir financeiramente para quem usa o eixo da Assis Brasil, vai criar a ideia de que esse lugar não está abandonado”, explica.

Tudo isso, no fundo, busca ampliar a confiança da população na BM, com o objetivo de ampliar a troca de informações e incentivar outras demonstrações de apoio – um “caldeirão de pessoas conspirando para o bem”, como define o comandante do 11º BPM. “Cidade mais segura não é a que mais prende: é a que mais previne as situações de risco”, acentua Douglas. “Depois que o crime aconteceu, já temos uma pessoa machucada, traumatizada. Então, a comunidade tem que se envolver com os órgãos de segurança para conseguirmos evitar mais crimes.”