Setembro Amarelo: suicídio entre jovens e agentes da segurança preocupa

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DEPRESSÃO E PRECONCEITO estão em meio aos fatores que levam pessoas a tirarem a própria vida

Laço amarelo é símbolo da prevenção ao suicídio . Foto: reprodução internet

Por Clarice Almeida Jornal IBIA

Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio. O ato de colocar fim à própria vida, cada vez mais, se faz presente na realidade das sociedades. Embora possa ser cometido por qualquer ser humano, chama à atenção os registros entre crianças, jovens e agentes da segurança pública. Fatores emocionais são citados entre os motivos que levam à ação.

Pouco se fala sobre o assunto. A mídia, em geral, não divulga casos de pessoas que atentam contra a própria vida, tendo como premissa a suposta possibilidade de que, ao informar esse tipo de situação, pode-se estar estimulando outros cidadãos a fazerem o mesmo. Mas no “Setembro Amarelo” os tabus são colocados de lado e o assunto passa a ser tratado com maior nível de atenção.

Fatores emocionais e até mesmo preconceito estão por trás de grande parte das mortes. Dados da cartilha Óbitos por Suicídio entre Adolescentes e Jovens Negros, lançada pelo Ministério da Saúde, destaca outro ponto de relevância sobre o assunto. Seis a cada 10 pessoas, com idade de 10 até 29 anos, que cometeram suicídio no País, entre os anos de 1012 e 2016, são negras. O número de casos com pessoas brancas permaneceu estável, enquanto o das negras aumentou 12%.

Outra situação preocupante é a morte entre servidores da segurança pública. No Rio Grande do Sul, 50 PMs cometeram suicídio entre 2008 e 2018. Só de agosto do ano passado até agora, a Brigada Militar de Montenegro, por exemplo, teve duas baixas causadas por suicídio, quadros de depressão foram apontados em ambos os casos. Nas duas situações, os PMs usaram suas próprias armas para acabar com suas vidas.

Estudos apontam que grande parte dos policiais brasileiros estão deprimidos e cometendo suicídio. Diante disso, gestores de instituições de formação, como a Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) de Montenegro, trabalham para reforçar as orientações passadas aos policiais em processo de formação.

Implementação de núcleo de atendimento psicológico
Uma das metas do tenente-coronel João Luís Machado, diretor da EsFES é a implementação de um núcleo de atendimento psicológico para os alunos-soldados, a fim de orientar e prevenir o suicídio. “Há atenção especial à qualificação e também ao lado emocional e psicológico dos futuros profissionais”.

Os alunos passam por exame psicotécnico, que analisa o perfil adequado para ser policial. Mas não é só isso, afirma o gestor. “Nós temos um acompanhamento, aqui dentro. A gente constata a situação sanitária do aluno e, em caso de qualquer problema, usamos recursos que temos disponíveis na Brigada”. Nesses casos, é feito um encaminhamento para atendimento em Porto Alegre. “Não é a situação ideal, nós deveríamos ter um núcleo de atividade de saúde mental para que pudéssemos fazer um acompanhamento diário, dos alunos”, avalia.

Seundo o tenente-coronel, a busca pelo núcleo é constante. “Eu tenho tentado angariar esse recurso humano para nos ajudar, mas as demandas são muito grandes em toda a Brigada. Hoje está difícil conseguir esse núcleo de atendimento psicossocial para que nos acompanhem. Mas, na medida do possível, eles nos alcançam os recursos necessários para que a gente possa orientar bem o aluno”, complementa. “Gostaria de ter um núcleo dentro da Escola para que se tivesse acompanhamento diário. Focado na saúde mental do aluno”.

Programação especial
No mês de setembro, a Secretaria Municipal de Saúde, através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I) e Ambulatório Interdisciplinar de Saúde Mental (AISME), promove rodas de Terapia Comunitária Integrativa nas unidades de saúde do município (em datas a serem consultadas).
A terapia comunitária é uma ferramenta de fortalecimento do vínculo entre comunidade e Atenção Básica, que tem como objetivo melhorar a autoestima das pessoas envolvidas, assim como proporcionar, através do acolhimento, bem-estar, empoderamento e convívio pessoal.
Ainda, como parte da programação do Setembro Amarelo, no dia 17 de setembro ocorre o CINE CAPS. O filme exibido é “À Procura da Felicidade” e a sessão, que inicia às 13h30min, é gratuita e aberta à comunidade.
O Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Caí (CRPO/VC) não informou se há atividade prevista para ser realizada, voltada aos policiais militares.