Rosane de Oliveira: risco de atrasar salários dos servidores do Estado é real

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Na quinta-feira, quando anunciou os três primeiros secretários, Sartori disse que a situação é pior do que imaginava Foto: Mauro Vieira / Agência RBS
Na quinta-feira, quando anunciou os três primeiros secretários, Sartori disse que a situação é pior do que imaginava
Foto: Mauro Vieira / Agência RBS

Dúvida é em que mês começará a faltar dinheiro para a folha de pagamento

Por mais que o governador eleito José Ivo Sartori insista em dizer que ainda está se inteirando da situação financeira do Estado e evite falar nas medidas que pretende adotar, integrantes da equipe de transição admitem que estão assustados. E que o risco de atraso no pagamento de salários é real. A dúvida é em que mês começará a faltar dinheiro para a folha de pagamento.

Os mais pessimistas acreditam que em fevereiro ou março já haverá dificuldade para fechar as contas. Preocupados em não semear pânico entre os servidores, os integrantes da equipe de transição dizem que é prematuro falar em medidas, porque os dados ainda estão chegando. O material já dissecado assustou o governador.

Na quinta-feira, quando anunciou os três primeiros secretários, Sartori disse que a situação é pior do que imaginava. Ele tem sido aconselhado a escancarar os dados da situação financeira do Estado, antes de adotar qualquer medida, para que a população se convença de que a crise exige medidas drásticas.

A maior preocupação no Centro de Treinamento da Procergs, sede da transição, é com o fato de, mês a mês, o Estado gastar mais do que arrecada. A previsão é de que em 2015 faltem R$ 5,3 bilhões para fechar as contas. Tarso Genro vai pagar em dia a folha de dezembro e o 13º salário dos servidores, mas deixará contas com fornecedores em atraso.

A Famurs reclama de que o Estado deve mais de R$ 500 milhões aos municípios, só de recursos da saúde. O presidente Seger Menegaz diz que, em alguns casos, os repasses estão com atraso de sete meses, o que ameaça a realização de consultas pelo SUS e a distribuição de remédios. A equipe de Sartori trabalha com dois planos de ação.

Um é emergencial, para garantir o fornecimento dos serviços nos três primeiros meses do ano. O outro, de médio e longo prazos, tem como foco o equilíbrio das contas pelo congelamento ou corte de despesas e pela busca de novas fontes de receita. Na equipe, há quem considere impossível equilibrar o orçamento sem aumentar impostos, mas Sartori já disse que não há clima no Estado para a elevação do ICMS. Para vigorar em 2015, qualquer aumento de tributo teria de ser aprovado até 31 de dezembro.

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