Especialistas questionam eficácia de operações policiais

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Foto: 1º RPMon / Divulgação
Foto: 1º RPMon / Divulgação

Nos últimos dias, Brigada Militar realizou em Santa Maria ações de enfrentamento à criminalidade

O flagelo da insegurança pública é um problema permanente no cotidiano dos santa-marienses. Na tentativa de minimizar a atuação dos criminosos, a Brigada Militar realizou na sexta-feira e no sábado, as operações Grifo e Abas Largas, respectivamente. O objetivo era retirar armas e drogas das ruas da cidade e pessoas com pendências judiciais.

Foram empregados 117 policiais, na sexta-feira, e mais 50, no sábado. Um helicóptero da BM veio de Porto Alegre para reforçar a ação. Foram montadas barreiras em vários pontos da cidade junto aos locais com maior incidência de criminalidade.

Porém, o saldo dessas mobilizações é questionável, defendem especialistas que falaram com o “Diário”. Marcos Rolim, jornalista, sociólogo e especialista em segurança pública, é categórico ao dizer que o Rio Grande do Sul está na vanguarda do atraso. E vai além: o Estado carece de um projeto de segurança pública, assegura:

_ A única coisa que elas (barreiras policiais) conseguem conter é o trânsito, gerando congestionamento. A regra no Rio Grande do Sul é a ausência de diagnósticos, desperdício de recursos e poucos resultados.

Rolim também comenta uma situação relacionada ao policiamento comunitário e como, de fato, esse modelo deve funcionar:

_ Para o policiamento comunitário funcionar é preciso levar o policial para cumprir expediente naquela determinada região e, claro, fazendo patrulhamento. E mais: não se faz patrulha dentro de viatura. Pelo contrário. Se faz (patrulhamento) a pé. Ou seja, é dessa forma que o policial conhece os moradores, o que dá a sensação de segurança e, por consequência, aproxima a população da polícia.

Na mesma linha, Eduardo Pazinato, coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da Faculdade de Direito de Santa Maria (Fadisma), sustenta que essas ações policiais feitas pela BM trazem avanços quase imperceptíveis à sociedade:

_ É como enxugar gelo. As respostas são mais simbólicas do que efetivas.

Pazinato ainda acrescenta que do ponto de vista estratégico é importante que se pense em meios de se ter um diagnóstico dos problemas mais recorrentes à área da segurança pública:

_ Há a necessidade de se construir um plano integrado de segurança junto ao GGI-M (Gabinete de Gestão Integrada Municipal) para se firmar um grande pacto em torno da segurança, o que não acontece. O problema não é a operação em si, mas a ausência de políticas articuladas. Há um problema estrutural do Rio Grande do Sul à medida em que a polícia não tem condições e recursos financeiros.

BM sustenta ação

Do lado da BM, o major Paulo Antônio Flores de Oliveira, que responde pelo 1ºRegimento de Polícia Montada (1º RPMon), assegura que o modelo empregado é o mais apropriado:

_ Estamos aumentando a visibilidade e a presença policial por meio dessas operações. Ou seja, quanto mais policiais há uma tendência de o criminoso não agir. O saldo é positivo e seguiremos nessa linha. Atuamos para dar enfrentamento à criminalidade de forma permanente.

DIÁRIO DE SANTA MARIA