Restrição a transferências de policiais provoca polêmica no RS

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IMAGEM ILUSTRATIVA
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Portaria do governo atinge 19 cidades que concentram 85% dos crimes.
Medida tem como objetivo reduzir criminalidade, mas sofre críticas.

Uma medida do governo do Rio Grande do Sul está causando polêmica entre policiais civis e militares do estado. Desde o final de maio, uma portaria proíbe a remoção, transferência e relotação dos servidores em algumas cidades do estado. A medida faz parte da estratégia para tentar reduzir os índices de criminalidade, mas sofre resistência de parte dos policiais, como mostra a reportagem do RBS Notícias (veja o vídeo).

A escrivã de polícia Rita Oddone Gass passou no concurso da Polícia Civil há poucos meses. Recém-formada, foi enviada paraUruguaiana, na Fronteira Oeste. “A gente já sabe quando faz o concurso público que a cidade que a gente vai ser lotada é uma loteria”, diz ela, que gostaria de voltar para sua cidade natal o mais rápido possível.

O desejo da escrivã, no entanto, vai ter que esperar pelo menos um ano. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) anunciou que até maio de 2016 a remoção, relotação e as transferências de policiais civis e militares vão ser suspensas em 19 cidades de diferentes regiões do estado.

Os municípios que fazem parte da restrição são Alvorada, Bento Gonçalves, Cachoeirinha,Campo Bom, Canoas, Caxias do Sul, Esteio,Gravataí, Guaíba, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande,Santa Maria, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Uruguaiana e Viamão.

De acordo com o governo do estado, essas cidades concentram 85% dos crimes contra a vida e contra o patrimônio registrados no estado, como roubos e homicídios. Na tentativa de reduzir as estatísticas, a saída encontrada foi manter o efetivo nestes locais.

A medida causou repercussão entre as forças de segurança. Para o presidente da associação dos servidores de nível da Brigada Militar (Abamf) na Fronteira Oeste, ela não vai resolver o problema da criminalidade.

“Seria solução a nomeação dos mais de 2,5 mil policiais militares que foram aprovados em concurso e que efetivamente viessem a dar segurança pra população. Simplesmente a medida de não movimentar, de não transferir, não será solução”, diz José Clemente da Silva Corrêa.

Já para o delegado Del Enio Tassi, da Polícia Civil de Uruguaiana, a permanência dos policiais por mais tempo nas cidades tem suas vantagens. A restrição só não se aplica a policiais com cargos de chefia e direção.

“Nós temos uma preocupação de dar sequência a estes procedimentos que estão sendo investigados e a presença do policial, e do delegado, é muito importante pra que tenhamos essa continuidade”, garante. “O policial que entrar, que pegar um caso em andamento, não vai ter o mesmo rendimento que aquele que acompanhou desde o início as investigações”, acrescente.

G1 RS