Contra o crime, 15º BPM aposta em tecnologia e motivação

204
Batalhão atende Canoas e Nova Santa Rita | Foto: Divulgação / CP
Batalhão atende Canoas e Nova Santa Rita | Foto: Divulgação / CP

Em seis meses, batalhão da Brigada efetuou 867 prisões e apreendeu mais de 600 quilos de drogas

“O combate da Brigada Militar à criminalidade em Canoas passa pela otimização dos recursos existentes através de planejamento, uso da tecnologia, motivação da tropa e integração com outros órgãos da segurança pública na cidade.” A declaração é do comandante do 15 BPM, tenente-coronel Oto Eduardo Rosa Amorim, que assumiu o cargo em fevereiro deste ano. Entre janeiro e junho, o batalhão, que atende Canoas e Nova Santa Rita, efetuou 867 prisões e 161 capturas de foragidos e procurados. No mesmo período, o efetivo da unidade apreendeu 577,6 quilos de maconha, 36,8 quilos de cocaína e 3,3 quilos de crack, além de 108 armas de fogo, 31 simulacros de armas e 1.047 cartuchos. Os policiais militares também recuperaram 647 veículos roubados ou furtados.

O comandante do 15 BPM explica que, no caso do planejamento, as quatro companhias do batalhão definem suas próprias estratégias de ações a partir dos bairros Mathias Velho, Niterói, Rio Branco e Guajuviras. Já a Companhia de Operações Especiais (COE) é mobilizada em ações de pelotão de choque, intervenções pontuais, saturação de áreas e barreiras nos locais de maior incidência de criminalidade, como roubos de veículos, assaltos e homicídios. O aumento ou diminuição dos crimes são verificados em análises diárias. “A atuação e o foco da COE são as abordagens baseadas no mapeamento das ocorrências, provocando inquietação na criminalidade”, frisa.

Por sua vez, a motivação da tropa é reforçada, por exemplo, por encontros bimestrais envolvendo as companhias do batalhão. Nesses encontros, os policiais fazem a análise das ocorrências, trocam informações e praticam atividades físicas. “É preciso valorizar o policial militar”, sintetiza o oficial.

Sobre o uso da tecnologia, o tenente-coronel Oto Eduardo Amorim destaca o aplicativo WhatsApp, que possibilita um canal de comunicação rápido e eficaz. De acordo com ele, os oficiais, sargentos e soldados mantêm grupos entre si e também direto com a Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a própria comunidade. “Nosso pessoal tem conhecimento das informações”, afirma o comandante. “Quanto mais tiverem informações, mais facilitada será a ação policial”, explica.

Em relação à integração da Brigada Militar com outras instituições da Segurança Pública, o comandante do 15 BPM ressalta a troca de informações com a Polícia Civil, PRF e Secretaria Municipal de Segurança Pública e Cidadania de Canoas. A secretaria também atua orientando sobre prevenção a roubos de veículos.

Projetos sociais e ações de inteligência

A política de segurança pública da Prefeitura de Canoas é baseada em três pilares: inteligência policial, integração e inclusão. O tenente-coronel Carlos Adriano Klafke dos Santos, titular desde julho do ano passado da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Cidadania, destaca que no município a política de prevenção primária se concretiza a partir de projetos sociais e da realização do um trabalho de inteligência que conta com a atuação dos grupos surgidos no Gabinete de Gestão Integrada do Município (GGI-M), reunindo entidades e órgãos públicos de diversas áreas. As ações são desenvolvidas a partir de programas e projetos como Canoas Mais Segura, Ação Territorial Integrada, Observatório de Segurança Pública, Projeto Guarda Comunitária e Praça da Juventude. O trabalho de mais de 125 guardas municipais também contribui para coibir os delitos. A Guarda Municipal deve receber reforço de mais 30 agentes nos próximos meses.

O secretário faz questão de destacar o papel da inteligência no enfrentamento da criminalidade. A Sala Integrada de Monitoramento (SIM), por exemplo, abastecida com imagens em tempo real de 129 câmeras espalhadas na cidade, tem possibilitado prisões em flagrante. Recentemente, quatro criminosos foram presos pelo 15 BPM após este ser acionado pela SIM no momento em que os quatro assaltavam pessoas em uma parada de ônibus na avenida Victor Barreto. Adriano Klafke revela que mais 56 câmeras de monitoramento devem chegar no segundo semestre.

Outro destaque é o emprego do hotspot — uma ferramenta que monitora os locais e horários de maior incidência de crimes na cidade — pelo Observatório de Segurança Pública. “A cada duas horas, atualizamos as informações”, explica o secretário, citando como exemplo a identificação dos pontos de concentração de roubos de veículos conforme o horário.

CORREIO DO POVO