Enquanto governo atrasa baixos salários primeiro escalão ganha verba bônus

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Com o bônus, integrantes do primeiro escalão passam a ganhar mais do que o governador do Estado

Por: Kelly Matos e Matheus Schuch
30/07/2015 – 08h50min
Conselhos de estatais engordam em até R$ 8 mil salários de secretários Ivan de Andrade/Divulgação

Foto: Ivan de Andrade / Divulgação

Em meio à crise nas finanças do Estado, secretários e assessores graduados do Executivo engordam seus salários por meio da participação em conselhos de administração de empresas estatais, controladas pelo poder público. Há casos em que o salário chega a ser acrescido em R$ 8 mil mensais. Com o bônus, integrantes do primeiro escalão passam a ganhar mais do que o governador do Estado. As informações são do blog Cenário Político.

Entre as empresas com controle estatal, a que melhor paga a seus conselheiros é o Banrisul. A remuneração mensal é de R$ 8.243,92, por apenas uma reunião de trabalho a cada 30 dias. Fazem parte deste conselho, por exemplo, o secretário da estadual da Saúde, João Gabbardo. Neste caso, ao salário de R$ 20.074,59 (R$ 11.395,01 como secretário e R$ 8.679,58 como médico) é acrescido um valor mensal de R$ 8 mil — o total chega a R$ 28.318,51.

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Também integra o Conselho Administrativo do Banrisul o secretário-geral de governo, Carlos Búrigo, braço direito do governador José Ivo Sartori. Além da remuneração como secretário (R$ 18.991,69), ele recebe R$ 8 mil mensais pela participação no conselho. Um dos coordenadores da campanha de Sartori ao Piratini, o professor João Carlos Brum Torres também integra o grupo, recebendo o mesmo valor.

Conforme levantamento da Rádio Gaúcha, através de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, seis secretários de Estado participam de conselhos de empresas estatais, além do chefe de gabinete do governador e do chefe da Casa Militar. São eles: Carlos Antônio Búrigo (Secretaria-Geral), João Gabbardo (Saúde), Gerson Burmann (Obras), Cristiano Tatsch (Planejamento), Ernani Polo (Agricultura), Tarcísio Minetto (Desenvolvimento Rural), João Carlos Mocellin (Chefe de Gabinete do Governador) e Everton Santos Oltramari (Chefe da Casa Militar).

Os conselhos existem, assim como na iniciativa privada, para que os acionistas possam acompanhar mais de perto a gestão de suas empresas. Na maioria dos casos, os conselhos se reúnem uma vez por mês. A remuneração pode ser mensal ou por cada reunião.

Apesar de os cargos exigirem conhecimento técnico, é costumeira a prática de governos de indicar aliados políticos para vagas nos conselhos. Um exemplo é o Badesul que ainda possui entre seus conselheiros integrantes da gestão Tarso Genro, como o ex-secretário de Administração Alessandro Barcellos, com remuneração mensal de cerca de R$ 2 mil.

Procurado pela reportagem da Rádio Gaúcha, o Palácio Piratini afirmou, em nota, que a existência dos conselhos é “legal” e que a composição segue “a mesma regra de anos anteriores”.

Em 2012, um juiz federal do Rio Grande do Sul determinou em liminar a suspensão das verbas extras que 11 ministros recebiam por participarem de conselhos de estatais e de órgãos públicos. À época, a Justiça Federal considerou irregular o recebimento da remuneração que superasse o teto constitucional.

Confira, abaixo, quanto ganham os secretários que integram os conselhos:

— Secretário-geral de Governo, Carlos Antônio Burigo (Conselho Administrativo do Banrisul: R$ 8.243,92 por mês)

— Secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis (Conselho Administrativo do Banrisul: R$ 8.243,92 por mês)

— Secretário estadual de Obras, Saneamento e Habitação, Gerson Burmann (Conselho Administrativo da Corsan: R$ 3.989,08 por mês)

— Secretário estadual do Planejamento e Desenvolvimento Regional, Cristiano Tatsch (Conselho Administrativo da CEEE: R$ 3.265,08 por mês)

— Chefe da Casa Militar, Everton Santos Oltramari (Conselho Administrativo da EGR: R$ 1.785,59 por mês)

— Chefe de Gabinete do Governador, João Carlos Mocellin (Conselho Administrativo da Cesa: R$ 1.609,26 por mês)

— Secretário estadual da Agricultura e Pecuária, Ernani Polo (Conselho Administrativo da Cesa: R$ 1.609,26 por mês)

— Secretário estadual de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Tarcisio Minetto (Conselho Administrativo da Ceasa: R$ 955,50 por reunião)

* Rádio Gaúcha