Posto da BM no Laranjal está há quase um ano sem viaturas

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Fotos: Jô Folha
Fotos: Jô Folha

Policiais têm contado com o apoio de equipes do Policiamento Comunitário de Pelotas para patrulhar a região

Por: Giulliane Viêgas

O posto da Brigada Militar (BM) do Laranjal, em Pelotas, está há quase um ano sem viaturas para atuar na área que abrange os bairros Valverde e Balneário Santo Antônio. Lá, moram cerca de 15 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da falta de veículos, a BM da praia também sofre com a escassez de efetivo. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam que o número de roubos naquela área aumentou. Segundo a SSP, no primeiro semestre de 2014 foram registrados, por dia, uma média de três roubos a domicílio e furtos. Enquanto que nos seis primeiros meses deste ano esse número gira em torno de cinco ocorrências diariamente.

Devido ao déficit de servidores e transporte, não há patrulhamento do posto na região. A incumbência, então, fica com os militares do núcleo cinco do Policiamento Comunitário de Pelotas (PCP) responsável pelos bairros Colônia de Pescadores Z-3 e Balneário dos Prazeres. Em ocorrências, os militares do PCP da região são acionados. Caso estejam em atuação, o morador tem que aguardar uma viatura do Centro – cerca de 20km – se deslocar até a demanda policial no Laranjal. As informações sobre a atual situação dos militares que trabalham na BM da praia são dos próprios policiais que atuam no posto.

Conforme um policial militar que prefere não se identificar, o momento é de preocupação. Segundo ele, apenas um policial fica de prontidão na guarita da BM durante 12h. Ao total, quatro policiais revezam a tarefa durante a semana. “Chega a ser perigoso para nós (policiais) também. Quando fico aqui, deixo a grade trancada”, disse. Para o PM, o efetivo ideal seria de seis policiais atuando no posto, duas viaturas e oito policiais para o patrulhamento móvel – quatro servidores para cada veículo.

Um levantamento feito pelo Diário Popular, levando em consideração o número de policiais que trabalham no alojamento da BM do Laranjal dividido pelo número de habitantes dos bairros Valverde e Santo Antônio, resulta em: 3.750 moradores para um PM.

O comandante do 4ºBPM, tenente-coronel André Luis Pithan, no entanto, diz que há viaturas o que não tem são policiais para pilotar os veículos. “Temos duas viaturas paradas no pátio do batalhão mas não temos como colocá-las na rua, não tem gente para isso”, comentou. Segundo Pithan, a ideia é criar um núcleo de Policiamento Comunitário para os bairros de abrangência do posto da BM do Laranjal.

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Morador do Valverde há 23 anos, o aposentado Roberto Muniz, 68, diz que são raras as vezes que vê uma viatura circular pela área. “Eu vejo eles passarem por aqui uma vez por semana e é de vez em quando”. Para ele, a violência tomou conta da região. “Depois das oito horas não saio mais de casa. Tenho medo de ser assaltado ou ser vítima de algum tipo de agressão”, contou.

Pelotas está incluída na portaria da Secretaria de Segurança Pública (SSP) que restringe a transferência de servidores das instituições policiais de 19 cidades gaúchas, que concentram 85% dos crimes contra a vida e o patrimônio no Rio Grande do Sul. A medida, assinada pelo secretário da Segurança, Wantuir Jacini, está em vigor e estenderá por 12 meses. Além disso, o governo do Estado não tem previsão de nomeação para os 2.500 aprovados no último concurso da BM.

 

 

 

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