ZERO HORA: Parcelamento e pacote unem servidores do RS

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Foto: DIEGO VARA / Agencia RBS
Foto: DIEGO VARA / Agencia RBS

Sindicatos esperam reunir 30 mil em inédita assembleia unificada

Marcada para terça-feira, a “greve de advertência” é uma resposta dos servidores às medidas adotadas pelo governo para enfrentar a crise

A terça-feira promete entrar para a história do movimento sindical gaúcho. Pela primeira vez, diversas categorias do funcionalismo público do Estado, reunidas em uma assembleia geral unificada, devem decidir paralisar suas atividades por um período determinado – a proposta é parar por três dias, a partir de amanhã. A “greve de advertência”, como tem sido chamada, é uma resposta dos servidores às medidas adotadas pelo governo José Ivo Sartori para enfrentar a crise financeira do Rio Grande do Sul, especialmente o pagamento parcelado de salários.

A expectativa da Federação Sindical dos Servidores Públicos (Fessergs), que representa 12 sindicatos, é a de que mais de 30 mil pessoas participem da assembleia, marcada para às 14h, no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre. Depois do ato, os manifestantes sairão em caminhada em direção ao Palácio Piratini, onde farão um protesto. Além do pagamento em dia dos vencimentos, as categorias pedem a retirada de alguns projetos encaminhados pelo Executivo para a Assembleia, como as propostas que criam a previdência complementar e a lei de responsabilidade fiscal estadual.

– Não será uma greve longa porque a luta será longa. Mas, se o governo voltar a parcelar os salários ou se não retirar os projetos com os quais não concordamos, vamos paralisar de novo – avisa a presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Aguiar Schürer.

Cpers e Fessergs são as entidades que coordenam o chamado Movimento Unificado dos Servidores Públicos, criado em maio e que organiza a assembleia geral. Mas a articulação, segundo o presidente da Fessergs, Sérgio Arnoud, começou meses antes, como uma reação ao decreto de Sartori que cortou despesas e congelou concursos e nomeações.

Com o discurso de que o momento pedia união e não divisão, Arnoud procurou a diretoria do Cpers, e as entidades, então, decidiram trabalhar juntas para “defender os direitos do funcionalismo e mostrar ao povo gaúcho que existe saída para crise”. O movimento, conforme Arnoud, ganhou “mais força e musculatura” a partir do anúncio do parcelamento dos salários de julho, que atingiu 47,2% do funcionalismo.

– Tenho mais de 30 anos de militância no serviço público, e é a primeira vez que conseguimos construir um movimento unificado e vigoroso – diz Arnoud, ressaltando que 43 sindicatos, federações e associações estarão presentes no ato de hoje.

Governo diz estar aberto ao diálogo

O aquecimento para a assembleia começou no dia 3, quando servidores cruzaram os braços em protesto contra o parcelamento de salários. Desde então, o movimento unificado vem realizando plenárias regionais conjuntas, que passaram por seis municípios. Para hoje, são esperados mais de cem ônibus do Interior.

Acostumado a promover greves – a maior, de 96 dias, ocorreu no governo Pedro Simon, em 1987 –, o Cpers também reconhece o caráter inédito desse movimento. De acordo com a presidente, a assembleia do magistério, que será realizada antes, às 10h, no Gigantinho, deve ser uma das “maiores dos últimos tempos”.

Cerca de 10 mil professores devem participar do ato, de onde sairá a posição do sindicato – o indicativo é de apoio a uma greve de três dias. Ontem à tarde, os policiais civis já decidiram aderir à paralisação desta semana.

– Nosso recado para o governo será o de que é preciso buscar uma nova saída, dialogar com os servidores. Não aceitaremos parcelamento de salários e muito menos essa política de investimento zero – afirma Helenir.

Entre os sindicatos, há quem discorde do prazo de duração da greve. O presidente do Sindicaixa, Érico Corrêa, afirma que o ideal seria uma paralisação por tempo indeterminado, pois considera uma greve curta “meio desmolarizante” diante das medidas de Sartori. No entanto, reconhece a dificuldade de construir consenso, e diz que o sindicato – que representa

1,2 mil servidores ativos – irá acompanhar a decisão da assembleia unificada.
– Se o salário atrasar de novo, vamos ter condições de fazer uma nova assembleia e uma nova paralisação, com a possibilidade de ser maior – afirma Corrêa.

Segundo a Casa Civil, o governo “reconhece e respeita a legitimidade das manifestações sindicais que possam ocorrer de maneira democrática e responsável, com os menores prejuízos possíveis à população” e “está aberto a dialogar sobre os projetos que estão em avaliação”.

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