No dia do pagamento de outubro, Estado reúne sindicalistas para detalhar quadro de crise

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17549516Expectativa é de que salários sejam creditados à noite. Não há garantia de depósito integral

O governo gaúcho confirmou, para as 10h desta quinta-feira, no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, uma reunião com representantes sindicais para apresentar detalhes sobre a crise financeira. Líderes das categorias estão chamando o encontro de “aula da crise pública” e o receio é de que a iniciativa sirva para justificar o parcelamento de salários, mais uma vez, em outubro.

O presidente da Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas, entende não haver motivo, em caso contrário, para esse tipo de evento. “O governador (José Ivo Sartori) não pediu para nos chamar só para dizer que vai pagar os salários, que é sua obrigação. Entendemos que a chamada para esta aulinha é para confirmar o parcelamento e sem qualquer informação sobre isso, até agora, se instaurou uma crise interna na corporação em função das contas a pagar de cada um”, ressaltou.

Para a oposição, o parcelamento pode sugerir uma espécie de coação aos servidores e aos deputados a fim de criar um cenário para viabilizar a aprovação da redução do teto das Requisições de Pequeno Valor (RPVs). O deputado estadual Jeferson Fernandes, do PT, é quem interpreta dessa forma: “É uma chantagem que se repete. Foi o que aconteceu à época do aumento do ICMS”, analisou.

Os vencimentos devem ser depositados amanhã à noite, já que sexta-feira é ponto facultativo em função do dia do servidor público. Na base aliada, a informação é de que falta pouco dinheiro para o governo fechar as contas que garantem o pagamento em dia. A Fazenda monitora a conta dos depósitos judiciais e orientou as autarquias a repassar eventuais sobras no Caixa Único.

Ainda assim, ninguém se arrisca a confirmar a integralidade da folha. O líder do governo voltou a enfatizar que sempre vai faltar verba quando se gasta mais do que arrecada. Alexandre Postal, do PMDB, afirmou que não é a vontade do governo parcelar salários, mas que não há outra alternativa em meio à dificuldade financeira.

Em um cenário de economia, a informação é de que, apesar o risco de parcelamento, não há, por enquanto, previsão de atrasos nos repasses à Assembleia, Poder Judiciário, Defensoria e Ministério Público. “O governador ainda não tomou essa decisão”, enalteceu Postal.

Para o encontro com os servidores públicos, foram escalados os secretários da Casa Civil, Márcio Biolchi, e da Fazenda, Giovani Feltes.

Fonte:Voltaire Porto/Rádio Guaíba