Novos rumos da segurança pública

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17548161O desmantelamento dos organismos de segurança pública, em nível nacional ou regional, deve-se à miopia e irresponsabilidade de sucessivos governos, inclusive os da mais recente ditadura, que tudo projetavam a partir de um guarda com um trezoitão na cintura e um porrete nas mãos, profissionais, no mais das vezes, usados para proteger os poderosos em detrimento do patrimônio maior da sociedade que são os trabalhadores, do gari aos professores e vice-versa. Sem ter espaço em minha torre de humilde marquês para mais me aprofundar sobre isso, me ponho a alfinetar os remendos que são feitos na esperança de que, de ponto em ponto, tudo isto se torne um dia em um modelo de alta costura.

Estão certos os caminhos que, em ziguezague, estão sendo traçados visando ao equilíbrio deste quadro onde aparecem os olhares dos que têm medo diante de mortos e feridos? Creio que nem mesmo o mais relampejante dos meteorologistas poderá prever, com precisão aproximada, o tempo que nos espera. No entanto, sem deixar de perseverar, sigam-me.

Movimentos recentes

Rascunho aqui as mais recentes ideias em andamento sobre a segurança pública no RS, a partir de Porto Alegre. O ponto primeiro está na troca de comandantes dos cinco batalhões da Brigada Militar que integram o CPC (Comando de Policiamento da Capital). Esta dança de cadeiras significará uma alteração nas estratégias do policiamento ostensivo? Em princípio, sim, pois embora o Comando Geral e o CPC permaneçam intocáveis, o efetivo que a Brigada tinha ontem está menor hoje. Somente este último detalhe denota a necessidade de uma nova estratégia. Vamos perseverar.

Uma outra novidade está no fato de que, ontem, foi protocolada na Assembleia Legislativa, junto à Comissão de Finanças, presidida pelo deputado Luís Augusto Lara (PTB), um projeto elaborado pela Ugeirm/Sindicato, que representa os profissionais de nível médio da Polícia Civil e pela ABAMF, entidade que congrega os policiais militares também de nível médio, que visa a possibilitar a chamada de candidatos concursados para que venham a integrar, com a maior urgência, os quadros das polícias Ostensiva e Judiciária e mais o Corpo de Bombeiros. Esta proposta prevê um investimento inicial de R$ 30 milhões para a formação do seguinte efetivo: em torno de R$ 8 milhões para a formação dos 661 policiais civis; R$ 16 milhões para 1.960 policiais militares; e os restantes R$ 6 milhões para formação de 571 bombeiros militares, o que representará um custo considerado baixíssimo no objetivo fundamental de garantir a segurança pública no RS. As entidades apontam que o montante de R$ 30 milhões é para o ano inteiro que, além disso, o governo poderá complementar o custo que superar a soma apresentada na proposta.

Poderá prosperar o diploma encaminhado pela família brigadiana e pelos policiais civis? Caberá à sociedade a perseverança.

Finalmente, para os interessados no tema, recomendo o evento que terá por tema “Crise na Segurança Pública no RS”, a ser realizado no próximo dia 4 de novembro, a partir das 18h30min, na sede do Sindicato dos Bancários, ali na rua General Câmara (Ladeira), 424, em Porto Alegre. Estarão nas cadeiras principais três renomados especialistas nesta área: Denise Dora, Marcos Rolim e Rodrigo Ghiringhelli. A iniciativa tem o apoio da Ugeirm/Sindicato. Entrada franca.

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