Secretário vem a Novo Hamburgo avaliar medidas de segurança

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Foto: Diego da Rosa/GES  Nesta sexta-feira, filho e marido de funcionária do Banrisul foram sequestrados em Novo Hamburgo
Foto: Diego da Rosa/GES
Nesta sexta-feira, filho e marido de funcionária do Banrisul foram sequestrados em Novo Hamburgo

Wantuir Jacini tem reunião na segunda-feira com o prefeito Luis Lauermann e demais lideranças, às 11h30, na sede do CRPO do Vale do Sinos

Com o crescente número de ocorrências criminais registradas nos últimos dias, a insegurança tem acompanhado a população de Novo Hamburgo nos hábitos mais rotineiros. Sair ou chegar em casa, ir ao supermercado, à escola, ao trabalho são ações não mais tão tranquilas. Na manhã desta sexta-feira (2), o receio chegou a suscitar diversos boatos de assaltos pela cidade, que foram desmentidos pelas autoridades e esclarecidos pela imprensa ao longo do dia, enquanto outros crimes aconteciam de fato. Em busca de uma solução, o secretário de Segurança Pública do Estado, Wantuir Jacini, vem a Novo Hamburgo na segunda-feira para se reunir com o prefeito Luis Lauermann e demais lideranças, às 11h30, na sede do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) do Vale do Sinos.

No encontro, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, Lauermann deve cobrar a transferência de mais policiais militares para o município e reforçar o pedido para a presença da Força Nacional de Segurança (FNS) nas ruas da cidade como meio de devolver a paz aos hamburguenses. “Vou me reunir com o prefeito e levar junto a cúpula da segurança. Quero saber dele qual o sentimento da cidade, receber aquilo que as estatísticas não transmitem”, observou Jacini, garantindo que acompanha e está bem informado da situação em Novo Hamburgo. E fez uma revelação: “Determinei à Brigada Militar que fizesse planejamentos para operações onde a inteligência policial indicasse a necessidade e que a Policia Civil, na sua característica de investigação, agilizasse e informasse se precisa de apoio, que também será dado”, disse, não descartando que dentre as possíveis estratégias possa estar a ação pontual do Batalhão
de Operações Especiais (BOE), unidade de elite da Brigada.

Diante da urgente necessidade de ações de combate à violência em Novo Hamburgo, e antes de qualquer decisão que venha a ser tomada no encontro de segunda-feira, população e autoridades já se mobilizam em busca de soluções. Nesta sexta, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV) teve reunião de emergência para cobrar medidas do poder público, e o movimento #PAZ tem encontro marcado com forças de segurança e lideranças do município para a manhã deste sábado.

Em Porto Alegre, parlamentares e representantes do governo também se movimentaram nesta sexta, por meio de reuniões e de um pedido de audiência pública. Enquanto isso, hamburguenses prepararam manifestação nas ruas para o próximo dia 18. Uma força-tarefa pela segurança.

Foto: Palácio Piratini/Divulgação  Secretário de Segurança, Wantuir Jacini, vem a Novo Hamburgo na segunda
Foto: Palácio Piratini/Divulgação
Secretário de Segurança, Wantuir Jacini, vem a Novo Hamburgo na segunda

ACI faz reunião de emergência

O número expressivo de ocorrências registradas nas últimas semanas em Novo Hamburgo, incluindo homicídios, ataques a bancos e dezenas de assaltos, furtos e roubos de veículos pela cidade, motivaram uma reunião de emergência do Comitê de Segurança da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV) na tarde desta sexta-feira (2). Depois de elaborar o Plano de Segurança Comunitária para Novo Hamburgo, que foi entregue a autoridades municipais e estaduais, incluindo o prefeito Luis Lauermann e o secretário de Segurança do Estado, Wantuir Jacini, o grupo avaliou que várias demandas que já poderiam ter sido colocadas em prática ainda não tiveram implementação.

Um exemplo citado é a integração mais efetiva entre Brigada Militar, Guarda Municipal e Polícia Civil, que, conforme defende a ACI, agilizaria procedimentos, registros, trabalhos conjuntos e ações preventivas. “A comunidade não vê mais policiamento nas ruas e isto se reflete diretamente neste clima de insegurança. Da mesma forma, as ocorrências também acabam crescendo, pois os criminosos não identificam praticamente nenhum tipo de combate ou prevenção”, explica o diretor de Relações Institucionais da ACI, Marco Kirsch.

Outro ponto observado pelo comitê é com relação à questão salarial. “O governo estadual precisa rever com urgência a decisão do não pagamento de horas extras. Os salários dos policiais já estão defasados, obviamente que isto impacta de forma negativa nas instituições. O governo empregou uma enorme energia para a aprovação do aumento da alíquota de ICMS. Em contrapartida, não estamos vendo empenho semelhante para solucionar a questão da segurança pública”, acrescenta Kirsch.

A ACI busca agendamento de reuniões com o governador José Ivo Sartori e o secretário Wantuir Jacini, além do comando da Brigada Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal de Novo Hamburgo. O objetivo é reforçar a solicitação para que haja uma ação emergencial junto à área de segurança pública na região.
Mobilização pelas redes sociais
Por meio do Facebook, hamburguenses estão organizando uma manifestação para o próximo dia 18, às 14 horas, com saída da Praça Punta del Este. A intenção é seguir até a BR-116 e bloquear a rodovia. “A gente não aguenta mais a falta de segurança, vê gente inocente morrer todo dia. A gente só quer que a segurança pública funcione”, comenta o músico e vendedor Marcos Neto, que criou o evento na rede social. Os organizadores pedem que os participantes compareçam vestidos de preto, em sinal “de luto pela morte da segurança”.

Audiência pública na Câmara

Diante da insegurança que ronda Novo Hamburgo, o deputado estadual Tarcísio Zimmermann protocolou nesta sexta-feira junto à Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa um pedido de audiência pública na Câmara de Vereadores para debater o problema e buscar soluções. Ainda nesta sexta, a violência na cidade foi tema de uma reunião do secretário de Minas e Energia, Lucas Redecker, e outra do deputado estadual João Fischer com representantes do governo no Palácio Piratini.

Movimento #PAZ debate soluções imediatas

O movimento #PAZ fará uma reunião de emergência na manhã deste sábado (3) na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo. “A intenção é buscar uma alternativa de ação mais imediata para frear a violência e acalmar a comunidade”, destaca a coordenadora do grupo, Andrea Schneider Beckenkamp. Participarão do encontro representantes da Prefeitura, Brigada Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), ACI-NH/CB/EV, Conselho Pró Segurança Pública de Novo Hamburgo (Consepro) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – subseção Novo Hamburgo.

Nesta semana, o #PAZ protocolou junto à Câmara dos Deputados a proposta, consolidada no Projeto de Lei 3.174/2015, que prevê a extinção do regime semiaberto como alternativa para garantir o maior controle do Estado nos presídios. “É preciso que municípios, Estados e o governo federal trabalhem nas causas para evitar a própria falência. Está mais do que na hora de enfrentar a criminalidade com coragem, ousadia e inteligência. Vaidades, jogo político e omissão só interessam aos bandidos”, opina Andrea.

Brigada diz que dará resposta nas ruas

Há pouco mais de 90 dias à frente do 3º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Novo Hamburgo, o major Marcel Nery reconhece o momento tenso da segurança pública local, mas frisa: “Não tenho como garantir que as ações serão milagrosas, mas assumo compromisso de que protagonizaremos ações que darão alguma resposta e vão inquietar a criminalidade. A cidade e a região precisam de uma chacoalhada”, garante. Ele enfatiza também que será preciso sinergia de todos os envolvidos com o segmento da segurança para uma repressão mais qualificada ao que denomina “grupos grandes”, e que pedem um enfrentamento e aparato mais firme. “A melhor resposta é trabalhar, é a polícia na rua. E daremos essa resposta. Estamos prendendo, mas os números sobem. Então precisaremos de ações diferentes para obter resultados diferentes”, pontua. Sobre a crise financeira do Estado, comenta: “Não esperamos grandes aportes, mas na manutenção do mínimo necessário para trabalhar.”

Efetivo defasado prejudica ações

Há um ano e seis meses na mais importante função da Polícia Civil, a de chefe, o delegado Guilherme Wondraceck é direto em responder qual o “calcanhar de Aquiles” da corporação em Novo Hamburgo. “O efetivo. Há muito defasado e sem reposição adequada nas últimas décadas. Então nos cabe trabalhar com inteligência policial, otimizando recursos humanos, materiais e trabalhando com foco, em investigações e inquéritos robustos como forma de combater o crime”, diz. Ele observa, contudo, que as características econômicas e sociais do Município explicam, em parte, os altos índices de delitos. “É uma cidade rica, de cidadãos com bons carros e qualidade de vida. Isso atrai o malfeitor, aliado às dezenas de rotas de fuga e a questões sociais, advindas do fechamento e derrocada de empresas de sapatos nos últimos anos”, comenta. Wondracek diz ainda que, junto com o reforço de operações da Brigada Militar, a Polícia Civil também atuará de forma mais intensa. “Investigando, realizando operações e prendendo.”

Vereadores querem falar com Sartori

O presidente da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, Enfermeiro Vilmar, confirmou nesta sexta-feira o envio de um ofício ao governador do Estado. Pede um encontro de todos os vereadores com José Ivo Sartori. “Reconhecemos as tentativas do governo em conter os malefícios da violência, mas consideramos que não estão sendo suficientes”, destaca o texto. Além do encontro com Sartori, o presidente da Câmara disse que pretende liberar recursos do Legislativo para a compra de equipamentos para a Brigada Militar e Polícia Civil.

Secretário descarta Força Nacional de Segurança

O secretário Wantuir Jacini deixa claro o seu olhar sobre os apelos do prefeito Lauermann para uso da Força Nacional de Segurança em Novo Hamburgo. “Recebo como uma preocupação do prefeito com segurança, de que alguém deve ter sugerido. Mas a Força atua em intervenções episódicas e específicas”, observa. Como fatores impeditivos, Jacini diz que a Força dispõe de um contingente pequeno, de 150 homens. “Além disso, não conhece o terreno e nem a característica da criminalidade aqui”, pondera o secretário.

Presença do BOE depende da análise

Respondendo pela chefia de Gabinete do comando-geral da Brigada Militar, o tenente-coronel Álvaro Medeiros diz que uma possível utilização em Novo Hamburgo do Batalhão de Operações Especiais (BOE), de Porto Alegre, depende de análise e pedido por parte dos comandos regional e local da BM. “O BOE não tem responsabilidade territorial, é uma reserva do Comando. Por demanda, atua mais na capital, mas a necessidade do seu uso deriva de diagnóstico e planejamento dos comandos regionais, que então acionam o Comando Geral”, comenta. Medeiros ressalta que a violência e a criminalidade no Município precisam ser vistas além do factual. “Não podemos minimizar determinadas coisas, o sentimento da comunidade. Mas precisamos ter cuidado para não superestimar casos pontuais, pois isso pode levar a um medo descabido”, argumenta.

* Colaboraram: Gabriela da Silva e Paulo Langaro
JORNAL NH