Tendência é governo pagar salário integral dos servidores estaduais

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Foto: Paloma Vargas/GES-Especial  Secretário da Fazenda do Estado, Giovani Feltes diz que a tendência é o pagamento integral do salário dos servidores estaduais
Foto: Paloma Vargas/GES-Especial
Secretário da Fazenda do Estado, Giovani Feltes diz que a tendência é o pagamento integral do salário dos servidores estaduais

Decisão do governo gaúcho deve ser conhecida nesta terça-feira

O secretário da Fazenda do Estado, Giovani Feltes, disse nesta segunda-feira (26) que a tendência é o governo pagar o salário integral dos servidores públicos neste mês. A decisão deve sair nesta terça, após reunião com o governador José Ivo Sartori. Se optar pelo parcelamento, sindicatos que representam o funcionalismo podem fazer nova paralisação. Neste mês, os salários do funcionalismo, que totalizam R$ 950 milhões, serão pagos no dia 29 e não em 30, data em que haverá ponto facultativo pelo Dia do Funcionário Público.
Na sexta-feira, o governo gaúcho anunciou que quitaria R$ 135 milhões em dívidas. Mas a dúvida agora é saber se ampliará esse valor para honrar compromissos assumidos por Sartori com hospitais e prefeituras, algumas delas atingidas pelos recentes temporais. Atualmente, R$ 600 milhões em dívidas represadas tensionam o governo, sendo R$ 200 milhões apenas na área da saúde, atraso ainda dos meses de agosto e setembro.
Para isso, nesta segunda era aguardada a entrada de até R$ 270 milhões do ICMS de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações, e para a próxima sexta cerca de R$ 100 milhões do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O Executivo também trata de rapar o tacho dos depósitos judiciais, que até esta segunda acumulava R$ 300 milhões.
Entre as alternativas estudadas, mas que precisa ver vista sob o âmbito legal, é a quitação na íntegra dos salários apenas do magistério e de categorias da segurança pública, como soldados e sargentos da Brigada Militar e investigadores e inspetores da Polícia Civil.
Resposta imediata
À frente do Cpers-Sindicato, que congrega mais de 80 mil professores e é a maior categoria do funcionalismo, Helenir Aguiar Schürer solta o verbo contra o Executivo em caso de novo parcelamento. “É um governo que busca o conflito, joga verde para colher maduro e tem uma incapacidade de diálogo, de buscar alternativas. Se anunciar parcelamento nesta terça, que é o Dia do Funcionário Público e de votação das RPVs, dá novo tiro no pé”, frisa. Ela observa que os servidores do Estado recém se restabelecem dos parcelamentos anteriores e alerta. “Se confirmado o fatiamento a resposta será imediata e à altura. O governo vai nos levar para a greve de novo?”, questiona Helenir.

Bola de neve

A preocupação com os salários de outubro, dizem fontes ligadas ao governo do Estado, seria um problema de equação bem mais simples do que o horizonte financeiro ainda mais acanhado para novembro e dezembro. O que preocupa é a média de R$ 400 milhões em déficit mensal e que saltará, no próximo mês, para R$ 500 milhões. Fruto de nova parcela do reajuste salarial às categorias da segurança, que vai vigorar até 2018, e que somente no atual governo significará mais R$ 4 bilhões em desembolso. A dor de cabeça faz com que o Palácio Piratini avalie possível proposta aos demais Poderes, envolvendo o pagamento do 13º salário – cerca de R$ 300 milhões – também via empréstimo ao Banrisul, o que deverá ser a prática para o restante do funcionalismo.
JORNAL NH