PIONEIRO: Policiamento frágil facilitou assalto triplo a bancos da Serra Gaúcha

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Em Flores da Cunha, a ação foi no Banrisul de Otávio Rocha, interior da cidade Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS
Em Flores da Cunha, a ação foi no Banrisul de Otávio Rocha, interior da cidade
Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Esmeralda só tinha um policial de plantão. Em Otávio Rocha, não havia policiamento

A ausência de PMs nas ruas, forçada pelo efetivo cada vez menor da Brigada Militar, facilitou o ataque simultâneo a três agências bancárias na Serra. No final da manhã de sexta-feira, pelo menos cinco homens fortemente armados invadiram o Banrisul e o Banco do Brasil, em Esmeralda. No mesmo horário, três bandidos assaltaram o Banrisul do distrito de Otávio Rocha, em Flores da Cunha. Não se descarta a participação de integrantes de um único bando nos casos.

Testemunhas relataram que os grupos precisaram de menos de cinco minutos para fazer uma verdadeira farra com direito a vidros quebrados a machadadas, ruas bloqueadas e reféns usados como escudo humano nos dois locais.

O comando da BM não divulgou quantas equipes atendiam as duas comunidades no momento dos roubos, mas a reportagem apurou que Esmeralda só tinha um PM de plantão. Em Otávio Rocha, sequer havia policiais.

A falta de brigadianos é um problema de maioria das cidades da Serra, resultado da crise nas finanças do Estado, que ajudou a empurrar o contingente da BM para o menor patamar dos últimos 15 anos. Somente em 2015, dois mil servidores entraram para a reserva e não há prazo para um novo concurso.

Na Serra, essa baixa ganhou mais força com a transferência temporária de soldados e oficiais para a Operação Golfinho no Litoral. O Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO/Serra) não divulgou quantos policiais foram cedidos e tampouco qual é o efetivo em cada cidade serrana.

Flores da Cunha e distritos, por exemplo, são atendidos por cerca de 20 PMs distribuídos em turnos. Durante o dia, de uma a duas viaturas circulam pela cidade, em média. Otávio Rocha, a 10 quilômetros da sede municipal, é atendida pelas mesmas equipes responsáveis pela área urbana de Flores e o interior. Na manhã de sexta-feira, o distrito não era policiado.

— Aqui não temos policiais fixos faz tempo. Aqui tem a ronda na tarde ou na manhã, e algumas barreiras. O distrito tem duas casas que poderiam receber PMs, mas nos informaram que não há efetivo para isso — revela o subprefeito Remi Damin.

Esmeralda, por sua vez, depende do serviço de apenas seis servidores, também divididos por turnos. O PM de plantão não saiu do posto quando soube do roubo porque seria quase inútil enfrentar uma força armada superior. Foi orientado a aguardar pelo reforço que viria de cidades vizinhas. O apoio não chegou a tempo pois a quadrilha fugiu com o dinheiro do banco em direção a Vacaria.

CONTRAPONTO

O que diz o major Luiz Fernando Becker, comandante do 36º Batalhão de Polícia Militar, responsável por Flores da Cunha:

— Não posso divulgar qual é o efetivo em Flores da Cunha por uma questão de segurança. No caso de Otávio Rocha, a Brigada não tem como deixar PMs fixos lá porque não há efetivo disponível. Mas essa localidade e outras de Flores da Cunha são policiadas diariamente. Temos também o Pelotão de Operações Especiais para o interior que organiza barreiras e ações com frequência. No roubo de hoje (sexta-feira), uma equipe da BM se deslocou para lá, chegando um pouco depois do assalto. O POE estava circulando em Farroupilha e se deslocou imediatamente. Nesse caso, os criminosos fugiram para estradas do interior, o que dificulta barreiras pois são muitos acessos.
Até o final da tarde desta sexta-feira, a reportagem não havia conseguido contato com o comandante do 10º Batalhão de Polícia Militar de Vacaria, major Fabiano Paim, e o comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO/ Serra), coronel Antônio Osmar da Silva.

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