Roubo com morte cresce na Grande Porto Alegre

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asdedFORAM 73 CASOS em 2015, recorde desde o começo do levantamento, em 2011. Aumento chegou a quase 24% em relação ao ano de 2014 

Era começo da noite de 1º de junho quando o policial aposentado Jair Batista de Labernarde, 56 anos, deparou com assaltantes em um mercado do bairro Cohab, em Gravataí. Chegou a tentar reagir, mas os bandidos mataram a tiros ele e uma das clientes do local.

Pouco mais de dois meses depois, quando a família ainda tentava se recompor, um novo crime os atingiu. Em 17 de agosto, o estudante Jonas Schmitt de Labernarde, 21 anos, sobrinho de Jair, foi morto a tiros dentro do ônibus, na zona leste de Porto Alegre, quando voltava para casa, em Viamão, depois de um dia de trabalho e estudo. Deficiente auditivo, ele não teria entendido o que se passava quando o coletivo era assaltado. Dois suspeitos do crime, adolescentes, foram apreendidos um mês depois.

Crimes como esses se repetiram por, pelo menos, 73 vezes na Região Metropolitana em 2015. Foi a maior quantidade de latrocínios (roubos com morte) desde que o jornal Diário Gaúcho começou a fazer o levantamento dos assassinatos na região, em 2011, e 23,7% superior a 2014.

– Na maioria das vezes, o criminoso não vai para matar, vai para roubar, mas comete o crime com tal convencimento de que vai cumprir o seu objetivo, que não teme as consequências – avalia o delegado Alencar Carraro, da 1ª DP de Gravataí.

Responsável pela investigação em uma das áreas de maior índice – alta de 42% em Gravataí –, Carraro acrescenta outro elemento.

– Tem tanta gente que já foi assaltada e não aguenta mais, que cada vez nos deparamos mais com reações impensadas, movimentos bruscos que se tornam um risco – diz o delegado.

NOVO HAMBURGO TEVE MAIOR ALTA PERCENTUAL

Pelo levantamento, a maior parte dos casos de latrocínio envolveu roubos de veículos. Foram pelo menos 24 assaltos deste tipo com morte das vítimas. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, de janeiro a setembro dos dois últimos anos, houve alta de 30,4% nos casos de roubo de veículos.

Novo Hamburgo é a cidade com a maior alta de latrocínios na região em 2015 – de 133% em relação aos seis casos do ano anterior. Os cinco latrocínios em assaltos a residências registrados na pesquisa aconteceram no município.

Foi assim que o idoso Laurentino Rodrigues da Rosa, 81 anos, foi morto, enquanto fazia uma atividade rotineira no seu dia-a-dia. Bandidos o atacaram, em junho, quando abriu o portão de casa, no bairro Liberdade, para botar o lixo para a rua. Dois meses depois, os suspeitos foram presos.

– Muitas vezes o nosso hábito de criar muros altos e nos isolarmos dos vizinhos auxilia esse tipo de criminoso. Temos conversado com a comunidade para retomar esse convívio com os vizinhos, e estamos reforçando a presença da Brigada no policiamento comunitário para prevenir esses crimes – afirma o comandante do 3º BPM, major Marcel Vieira Nery.
EDUARDO TORRES

A EVOLUÇÃO
Latrocínios na Região Metropolitana
2011 32
2012 38
2013 51
2014 59
2015 73

ZERO HORA