Oscar Bessi: E se o Estado Islâmico vier?

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AAPor Oscar Bessi

Os assassinos mais famosos do mundo já avisaram, o Brasil será seu próximo alvo. A ameaça postada em rede social pelo Estado Islâmico foi finalmente admitida como verdadeira. Mas isso, só longos cinco meses depois do recado. Não gostei. Se alguém me ameaça de morte, quero saber o quanto antes. Quero me proteger. E saber o que está sendo feito pelos atores públicos, pagos por meus impostos, para que eu, minha família, meus amigos e meus compatriotas estejam a salvo. Não entendi a demora em avisar o povo. Insisto, a tal transparência pública não se resume apenas em saber quanto ganha este ou aquele, ou onde foram parar tais verbas. Até porque essas informações financeiras nem são tão confiáveis assim. Transparência também é ter o direito saber tudo o que acontece. Pois tudo nos afeta. Ainda mais o que nos ameaça.

Maquiagem, e me desculpem os “estrategistas”, não é política pública. Esconder, por exemplo, o real número de vítimas da Gripe A, não é evitar pânico na população. É mentir. É esconder incompetências e condenar inocentes. No caso dessa ameaça do EI, por que já não estamos treinando, como povo, comportamentos de defesa e proteção? Pra não criar pânico? Ora, o Brasil mata uma cidade inteira por ano no trânsito e não consegue mudar isto. Por falta de investimento de verdade em educação e desinteresse público. E se mata outra cidade inteira com disparos de armas de fogo. Mais uma só com mulheres vítimas de violência. E por aí vai. Só neste ano, já morreu mais brasileiro pelo vírus H1N1 do que as vítimas do atentado em Bruxelas. Temos medo de ser assaltados a qualquer hora, em qualquer lugar, e perder a vida por meia dúzia de trocados. Que pânico ainda não sentimos?

Agora, me intriga o momento em que vivemos. Cidadãos de bem, “educados”, “cultos” e outros adjetivos que bastariam para se julgar uns e outros como incapazes de gestos de descontrole, saem aos socos, movidos por fanatismo político. Igual selvageria de torcida organizada, que nada tem a ver com futebol e esporte. E se na última hora – mania nacional – adotarem-se medidas rígidas de controle para detectar terroristas e bombas, o reclame será grande. Preparem-se. Vídeos falarão em truculência, absurdo, preconceito e o escambau. Como se faz quando a polícia aborda um suspeito. E quem faz são os mesmos que clamam por segurança ao serem assaltados. Como a fiscalização de trânsito que para alguns tipos em blitz, os mesmos que abusam da velocidade, da imprudência e do risco de matar, e eles gritam ser uma prepotência fiscalizar. Saberemos nos proteger do Estado Islâmico? Melhor: queremos nos proteger? Duvido. Ameaças em rede social de traficantes e assaltantes armados de fuzil mostram: o terrorismo já está aqui. E não se parece ter muita vontade de afugentá-lo.

CORREIO DO POVO