Oscar Bessi: Inteligência policial

156

TGFPor Oscar Bessi

Há alguns marcos que revolucionaram a história das polícias do mundo. O primeiro deles, talvez, foi o uso das digitais do indivíduo, por ser característica única e individual. Antes disso não era sopa saber quem era quem. Depois, as técnicas de identificação fundamentadas no uso do DNA como instrumento de prova, que mudaram todo o panorama da investigação criminal. Um fio de cabelo e lá está o sujeito, colocado na cena do crime. Agora há uma nova revolução em curso: a tecnologia. A humanidade acelera a sua evolução, a era é de tecnologia e conhecimento, o mundo inova a cada instante seus padrões de comportamento para o bem e para o mal. Padrões e produtos. Formas e conceitos. Ao mesmo tempo, os conflitos e problemas se agravam e se multiplicam por milhares de motivos diferentes. O crime e a violência se vulgarizam. Seus reclames também. Tudo fica cada vez mais complexo, banal e urgente. Torna-se cada vez mais necessário que a polícia (do grego polis, núcleo mínimo de convivência humana), nascida para harmonizar os atritos naturais que vêm da racionalidade, acompanhe a evolução da sociedade a qual serve. Senão, não serve mais. Quem quer isto? Não há convivência sem regra e sem ter quem as garanta. Mas a polícia precisa estar bem situada no seu tempo e espaço para ser eficiente e eficaz. O problema, infelizmente, é convencer gestores públicos de países cuja cultura se perpetua na pouca visão. Ou na visão arregalada e gananciosa do umbigo de quem serve a estas máfias estabelecidas no poder, sempre distantes de seu povo e de suas necessidades, grudadas no poder público apenas para sugar, é óbvio, a serviço de corruptos e criminosos. Esses não querem polícia evoluída. Muito menos ao lado do povo, pronta para ajudá-lo. Não querem arriscar que eles mesmos acabem presos. É bom ver a nossa polícia se equipar. Mesmo que seja a passos tímidos, ainda. E é preciso muito mais, pois não é de hoje que criminosos usam e abusam da tecnologia e para atingirem seus objetivos. Enfim, antes tarde do que nunca. E que prossiga. A sociedade gaúcha merece uma polícia não só com garra e boa vontade, mas instrumentalizada, que aí os bons resultados vêm assim, ao natural. Pena que, ao mesmo tempo, seja tão triste ver a forma como os servidores da segurança estão sendo desprezados em seus direitos elementares de cidadão. As partes mais importantes neste processo todo ainda são as pessoas. A tecnologia pode ser ótima, mas não vai a lugar algum sem o ser humano.

CORREIO DO POVO