Folha de Caxias: “Estamos enfrentando um colapso moral e ético”

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ohmwmiph65o312z0spafPAULO PASA
Após a apresentação de dados referentes ao segundo semestre deste ano e, diante da fragilidade que a segurança pública tem enfrentado desde 2015, a reportagem conversou com o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), Tenente Coronel Ronaldo Buss, buscando uma análise do atual cenário que enfrenta a sociedade e os órgãos de proteção, tão fragilizados pelo Estado.
Folha de Caxias: O senhor considera que estamos em um colapso de segurança pública?
Comandante Tenente Coronel Ronaldo Buss: Eu acho que mais do que colapso da segurança pública, estamos enfrentando um colapso moral e ético, um colapso de organização social, de falta de liderança, de gestores públicos incapazes de fazer o enfrentamento. A segurança pública e seu colapso é só o resultado de tudo isso. Se tu não tens educação, condições básicas, ensino, saúde e emprego, é óbvio, vai desabar em algum lugar e um destes lugares é a segurança pública. Eu não vejo a segurança pública por si só em colapso, eu a vejo em dificuldade e, é preciso que essa dificuldade não se amplie para o total colapso e que as pessoas vejam os órgãos policiais com mais confiança e, que o Estado possa ampliar e capacitar estes órgãos policiais para eles fazerem seu trabalho melhor. As polícias têm feito seu trabalho, sou suspeito em dizer isso, mas como vivo este meio, eu digo. A polícia tem feito muito mais do que seria capaz de fazer. Em outros lugares e países, não seria capaz de fazer. O Estado tem que investir mais em polícia.
Como empresas de segurança devem lidar com a situação atual. Elas apoiam ou devem se manter na neutralidade?
As empresas de segurança tem seu papel constitucional. Tem seu serviço tal como a Brigada Militar tem o seu, a Guarda Municipal e a Polícia Federal. O que a gente precisa é dentro de nossas áreas, somar esforços aliados a sociedade como um todo. As pessoas do bem são imensamente maiores que a do mal, se tomarmos por números. É preciso somar os esforços não mais em teoria e discurso, é o momento de somar na prática. Com isso a gente consegue fazer um controle social melhor.
Com relação à discussão sobre a liberação de entorpecentes, qual a sua opinião?
A sociedade quer uma polícia forte. Aí eu pergunto, vocês querem mesmo a polícia forte? Porque se for assim, ela vai ser forte para todo mundo. Nós temos que nos policiar um pouco nesse sentido, por que não da mais para tolerar este posicionamento de liberação de drogas e de venda desta ideia, achando que vai melhorar alguma coisa na atual conjuntura do nosso sistema, a tendência é só virar uma desgraça maior do que já está. Nós temos 72% indivíduos residentes e mais de 40% envolvidos no tráfico de drogas. A, vamos legalizar então. Legalizar o que? Qual o próximo passo? Legalizar o homicídio? Deixar todos se matarem? Embora vinculados ao tráfico estejam se matando, isso não é bom para nós como polícia. Isso não é bom que aconteça. Nós queremos que eles fiquem presos.
E a prisão, o senhor acha que resolve o problema?
Nós queremos isso. Presos eles não estão traficando nem cometendo crimes. Encarceramento resolve? Para nós, neste momento, resolve sim. Se vai piorar ou não é outra discussão. Se vai ressocializar, até agora somente 18% foi ressocializado, é muito pouco, os outros 82% estão cometendo crime.