ZERO HORA: Como a operação-padrão da BM afetará o policiamento nas ruas

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Servidores prometem manter operação-padrão e calendário de mobilizações até os salários sejam pagos na íntegra Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Servidores prometem manter operação-padrão e calendário de mobilizações até os salários sejam pagos na íntegra
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Protesto de policiais

Redução no número de viaturas disponíveis e aumento no tempo de atendimento de ocorrências estão entre os possíveis impactos da medida 

O já escasso policiamento ostensivo será ainda menor nos próximos dias no Estado. Em protesto pelo pagamento de apenas R$ 650 na primeira parcela salarial dos servidores, praças e oficiais da Brigada Militar aderiram a uma operação-padrão. No primeiro dia de mobilização, pelo menos 150 brigadianos deixaram de ir às ruas nesta sexta-feira. Por decisão conjunta dos integrantes das forças de segurança pública, o policiamento só será feito se todos os protocolos dos manuais da corporação estiverem sendo atendidos.

Isso significa que viaturas com problemas mecânicos ou de documentação não serão utilizadas — em Porto Alegre, 10% dos carros da BM ficaram retidos nesta sexta. O mesmo vale para o emprego de armas, munições e equipamentos de proteção, como coletes à prova de balas, que estejam vencidos ou com defeitos. Também estão descartadas a realização de operações de inteligência.

Os policiais militares afirmam ainda que só irão cumprir deslocamentos e transferências de uma cidade para outra caso haja o pagamento antecipado das diárias e das ajudas de custo. As ocorrências atendidas pelo 190 seguirão sendo atendidas, mas é provável que a demora seja bem maior que o tempo usual, em função da escassez de carros nas ruas.

— Tivemos dois casos de brigadianos que foram trabalhar barbudos porque não tinham dinheiro para comprar um aparelho de barbear. Assim, não puderam deixar o quartel — conta Leonel Lucas, presidente da Abamf, associação que representa os servidores de nível médio da BM.

A reação ao sexto parcelamento consecutivo dos salários uniu praças e oficiais da BM. Presidente da Associação dos Oficiais, o coronel Marcelo Frota diz não mais reconhecer a legitimidade do comandante da corporação, coronel Alfeu Freitas Moreira.

— Ele (Alfeu) não tem trânsito no governo e não fala em nome da categoria. Todos os oficiais que fazem a segurança do Palácio Piratini estão constrangidos em servir a esse governo. Pagar R$ 650 é um deboche que tira a dignidade das pessoas — reclamou Frota.

Na segunda-feira, as entidades de servidores da segurança pública voltam a se reunir para discutir o calendário de mobilizações. Na quinta-feira (4 de agosto), todos pretendem paralisar as atividades das 6h às 21h.

— O Piratini não prioriza quem está na rua — protesta Leonel Lucas.

Procurado por Zero Hora, o comando da BM divulgou uma nota oficial na qual orienta todos os policiais militares em posição de comando a agir “com responsabilidade, sensibilidade e bom senso frente às diversas circunstâncias que estão se apresentando, para que as atividades de policiamento ostensivo e o atendimento ao 190 não sejam prejudicados”.