OSCAR BESSI: Feltes, nós queremos anjos!

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20160726-jornal-sul21-mr-260716-9314-01POR OSCAR BESSI

O secretário da Fazenda do RS, Giovani Feltes, ou é muito ingênuo, ou quis mesmo dar audiência ao seu próprio nome. Já chega o pavor que ele causa a todo funcionalismo público gaúcho a cada manifestação na imprensa – algumas de extrema infelicidade, como a brincadeira sobre ” não garantir nem o 12º, quanto mais o 13º”, esquecendo que é a vida e a família de trabalhadores mal remunerados que está em jogo, como professores e policiais. Porque pedir para a imprensa não anotar o que ele dirá é o mesmo que deixar o doce sobre a mesa com um bilhete para as formigas. É da natureza delas se alimentarem do açúcar. É da natureza do jornalista contar a verdade. Ainda mais quando se trata de polêmicas pessoas públicas.

Esta fala, publicada pelo Jornal Contexto, de Carlos Barbosa, é triste: “Em off, pessoal: anjo não se elege nem vereador em Carlos Barbosa. A gente tem que tirar e afastar essa hipocrisia. Eu tenho dez eleições nas costas, 12 anos de vereador, 12 anos prefeito, 12 anos deputado estadual. Desde os 18 anos e não perdi uma eleição. Em off: [o beneficiário dizia] ‘me dá uma mão para a campanha? Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas não coloca meu nome na tua prestação de conta’. Quem dizia que não? Precisa. Tinha que acabar um pouco com essa hipocrisia. Essa [última] campanha foi melhor, sim, mas ela beneficia quem é mais conhecido, já tem um certo desequilíbrio”.

É triste porque nos chama de burros, ou de mercenários, ou de idiotas. Por que diz “Bem feito, seus otários, por jogarem seu voto no lixo! E obrigado pelas mordomias que vocês, pobretões, bancam para a minha cambada!”.

É triste porque o homem que lida com as finanças do nosso Rio Grande, o número um das contas públicas, essas contas que nós queremos (e a lei parecia querer também) que fossem plenas de lisura, este homem nos diz que não é possível ser anjo. Ou ser correto. Ou ser honesto. E ele até admite claramente que nunca foi.

Esta fala é triste porque joga todos, ao seu redor, no mesmo saco.

Esta fala é de um homem público. Um homem sustentado por nós, que representa a imensa máquina estatal que suga nosso suor todos os dias. Que se sustenta com nosso trabalho. Ele diz: essa máquina não é honesta e vocês sabem muito bem disso, não tem outro jeito, então parem de reclamar.

E a gente já sabia. Aham. Mas ouvir isso da boca do sujeito que vive dizendo que nosso estado, de trabalho e produção pujante, está falido por pura desonestidade, dói. E a também gente sabia, sempre soube, que é menos por incompetência de gente gestora, como ele, e mais por imensa competência de em ser demônio.

É, Seu Feltes, a gente já sabia de tudo isso. Mas o senhor nos dá uma bela bofetada na cara quando debocha, sabia? Isto não é sinceridade. Isto é o cúmulo da bizarrice e da nossa melancólica frustração.

Mas nós que temos um pingo de esperança, e respeito por nossos filhos, procuramos, urgente, por qualquer “anjo” que nos aponte algo melhor que esse nosso triste rumo!

CORREIO DO POVO