VALE DO TAQUARI: Falta de efetivo e de horas-extras prejudica ação da BM no Vale

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Comando reavalia trabalho e cria ações estratégicas para prevenir a criminalidade na região

Vale do Taquari – A crise econômica tem agravado os problemas estruturais dos órgãos de segurança pública e a falta de recursos obriga os comandantes a fecharem as portas dos quarteis em várias cidades. O Corpo de Bombeiros já havia suspendido atendimentos na região e, agora, a Brigada Militar também reduziu o efetivo nas ruas das cidades.

Municípios como Taquari, Encantado e Estrela têm turnos com apenas dois policiais em serviço. Já na cidade de Muçum, o quartel estaria fechado e o policiamento feito por meio das Patrulhas Intermunicipais (Patrim), que abrange uma guarnição para atender aos municípios limítrofes. A redução de horas-extras para o Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Taquari (CRPO-VT) aliada à redução progressiva e histórica de efetivo acentua o problema.

No segundo semestre do ano passado o governo do Rio Grande do Sul anunciou um aporte de R$ 52,2 milhões de horas-extras e diárias no Plano Estadual de Segurança Pública. O acréscimo, no entanto, amenizou as carências apenas até dezembro. No último mês, o CRPO-VT teria recebido uma cota de 2 mil horas extraordinárias para serem divididas nos 38 municípios de atuação. O número está abaixo do que era destinado para os servidores no ano passado e ainda se soma à redução de efetivo. Em dezembro, o comando recebeu cerca de 1,5 mil horas-extras a mais.
O comandante do CRPO-VT, coronel Gleider Cavalli Oliveira, reconhece que a defasagem no quadro de pessoal da instituição já é de quase 51% do previsto. Na região, ainda há ausência de mais 32% do efetivo disponível considerando o deslocamento de militares para a Operação Golfinho, licenças de saúde, férias e afastamentos para realização de cursos. Mesmo com suplementação de horas, é preciso respeitar a carga máxima para cada trabalhador. O servidor tem um limite de 40 horas-extras mensais e se essa carga for ultrapassada, o comando deve justificar a situação. “Temos uma série de municípios com sistema de Patrim. Uma viatura com dois policiais atendendo a dois ou três municípios. Isso já era regra em alguns municípios e o que tem acontecido é que está aumentando. Estamos chegando no limite.”

Avante
A Operação Avante faz parte do programa Avante e foi implementada no Rio Grande do Sul no ano passado. O objetivo das ações é otimizar o serviço da polícia a partir do mapeamento de ocorrências e direcionamento das atividades para reduzir indicadores de violência. O projeto prevê a realização de duas edições regionais por mês, além de duas outras operações estratégicas envolvendo as Companhias dos Batalhões de Polícia Militar. Porém, com a redução de efetivo, o trabalho teve de ser reduzido no Vale do Taquari entre dezembro e março. Nestas operações são feitas barreiras e fiscalizações de trânsito, bares e outros estabelecimentos que resultam na apreensão de armas, drogas, capturas de foragidos e flagrantes de outras ilegalidades.

Solução
Para o coronel, o problema não será resolvido a curto prazo. Não há previsão de incorporação de servidores na instituição em quantidade que possa suprir as aposentadorias mais recentes e o déficit histórico. Ele ainda cita que as carências da segurança pública vão além do serviço prestado pela Brigada Militar. É uma situação que envolve todos os órgãos públicos e a sociedade, que precisa rever o pacto social e o conceito de que cada um precisa fazer sua parte. A população deve denunciar todas as situações suspeitas e fatos anormais, ainda que de forma anônima.
O comandante pondera que, apesar da redução de policiamento ostensivo, houve redução de alguns indicadores de criminalidade inclusive nas cidades em que foi adotado o sistema Patrim. Ele diz que não há relação lógica de diminuição do efetivo com aumento da violência. “O que temos detectado é um número maior de pessoas da região Metropolitana de Porto Alegre e do Vale dos Sinos vindo cometer crimes, principalmente em Lajeado. Acreditamos que justamente por haver uma ação mais forte da polícia nessas regiões.”

Planos para otimizar o trabalho
Neste ano, o comando pretende agir mais em conjunto com a Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para driblar as dificuldades impostas pela falta de recursos. A BM já tem apostado nas estratégias de inteligência e troca de informações com outros órgãos para atacar a criminalidade de forma diferente. Uma medida que deverá ser adotada em breve é a união dos Pelotões de Operações Especiais (POEs) de Estrela e Lajeado, com mais três servidores da área administrativa, em ações semanais e sistemáticas para atuar em todos os municípios da região.
Com apoio da comunidade, também deverá ser feita uma rede via WhatsApp para que a população comunique informações de fatos suspeitos. Nos municípios em que o sistema Patrim é adotado, os policiais estão usando o sistema “siga-me”, que redireciona as ligações do telefone de emergência 190 para o telefone móvel da guarnição de serviço.

Saiba Mais

CRPO-VT tem 65 policiais atuando na Operação Golfinho, 18 na força-tarefa de segurança em presídios do Estado e seis em curso para habilitação de promoção a sargento e tenente.

Crédito da notícia: Natalia Nissen

O Informativo do Vale