A PLATEIA: Elas podem ser a chave para a “sororidade”

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Na quinta e última reportagem da série especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, A Plateia apresenta reportagem especial com mulheres policiais da Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Federal

Sororidade: palavra que, num primeiro momento parece estranha, mas tem um significado peculiar. Sororidade seria a união e a aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. Sororidade pode vir a significar também uma conquista ainda maior para o sexo feminino na sociedade, afinal, as mulheres já conquistaram diversos espaços, como nas forças de segurança. Na Brigada Militar, na Polícia Civil e na Polícia Federal, as gurias não só fazem parte dos efetivos, como também estão em posições de comando.
A existência do Dia Internacional da Mulher é fundamental para a delegada da Polícia Civil de Sant’Ana do Livramento, Giovana Ferreira Müller. “Acho que é e vai continuar sendo, por muito tempo, importantíssimo, porque as mulheres sempre tiveram uma condição, isso há mais tempo, relegada pela sociedade. Então, a mulher foi subindo, tendo maior autonomia, conquistando o mercado de trabalho, conquistando seu lugar na sociedade e esse conquistando seu lugar muitas vezes não significa conquistando respeito. É importante, sim, o Dia Internacional da Mulher, porque embora exista o (dia) do homem, praticamente o que temos? Os homens são muito unidos, todo mundo fala, e as mulheres nem tanto”, sinaliza Giovana, que é formada em Direito pela Unisinos, de São Leopoldo (RS), e está na Polícia Civil desde 2013.
Para a delegada, a palavra-chave é a “sororidade”. “Então é importante esse dia para que as mulheres também tenham sororidade. “Existe certa rivalidade ou então a gente olha meio enviesado para certa postura da mulher e isso não pode, isso enfraquece nossa posição e nos dá maior vulnerabilidade perante essa dominação masculina, que existe. Então as mulheres têm que ter essa consciência e ter esse maior respeito e valorização entre elas mesmas”, argumenta.
Como reconhece Giovana Müller, as mulheres foram conquistando cada vez mais espaços na sociedade. Especialmente, em relação à ocupação de posições na área policial, isso pode ter contribuído para o aumento da própria segurança das mulheres, conforme agente da Polícia Federal, que prefere não se identificar (por motivo profissional): “As mulheres cada vez mais estão conseguindo espaço e, com isso, a visão sobre a segurança da mulher e voltada à mulher fica mais forte e em pauta. Por mais que os homens tenham tido disposição e tempo para ver a segurança da mulher, a mulher, no meio, ela sabe se informar melhor o que acontece, o que não acontece”, garante.

Comando

No município, há mulheres em posições de comando nas forças policiais. Karla Incerti, capitã da Brigada Militar e comandante do 1º esquadrão de policiamento, informa que isso não é novidade, na instituição que serve: “Na verdade, essa trajetória já vinha sendo traçada, de mulheres no comando de unidades operacionais, pelas primeiras oficiais femininas que ingressaram na Brigada e que tiveram essa experiência”, afirma.
Quanto à questão de preconceito com uma mulher no comando, Karla Incerti diz: “Não vejo um tratamento diferenciado ou qualquer estigma, de que uma mulher, no comando, possa sofrer algum tipo de preconceito. Claro, há sempre uma diferenciação que é típica do gênero, do masculino e do feminino. Então, a mulher tem um jeito distinto de comandar do homem. A questão de preconceito hoje está ultrapassada dentro da corporação”.
A soldado Jênifer Rodrigues Espíndola Gonçalves não ocupa posição de comando, no entanto, percebe certa restrição, neste caso pela sociedade, com o trabalho policial feminino: “A gente vê resistência por parte da sociedade, realmente as pessoas não têm tanta confiança na mulher, acreditam que não sejamos capaz, mas acho que é uma questão de capacitação. A mulher é capaz de tudo o que ela quiser, a gente consegue chegar a qualquer lugar”, acredita.
Limites parecem não existir para o sexo feminino. “Não há limites, inclusive, já teve a primeira mulher promovida a coronel dentro da Brigada Militar. Então, acredito que é uma questão de tempo, espero estar na ativa e ver uma mulher comandando a Brigada Militar ainda”, pensa Karla Incerti.
Sem limites e com a ocupação progressiva de mais postos em funções chave da e para a sociedade, como a segurança, o sexo feminino potencializa a emergência da “sororidade” projetada pela delegada Giovana Müller: “A gente tem que acreditar na força que a gente tem. Temos que ter muita fé e força no nosso dia a dia. E que a gente consegue sim nossos objetivos, principalmente, apoiando-nos umas às outras. É nas pequenas coisas, no dia-a-dia, que a gente pode ajudar a outra colega, a outra amiga, a outra vizinha”.

Por: Marcel Neves

O que é Sororidade:

Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum.

O conceito da sororidade está fortemente presente no feminismo, sendo definido como um aspecto de dimensão ética, política e prática deste movimento de igualdade entre os gêneros.