O 2º BATALHÃO DA BRIGADA MILITAR DO RIO GRANDE DO SUL

253

Trajetória e Glória do Batalhão Guerreiro

Romeu M. Karnikowski – Professor e Advogado

A Brigada Militar foi criada no contexto da Revolução Federalista, no dia 15 de outubro de 1892. Ela é o resultado de um longo processo de criação, que teve início quando Júlio de Castilhos (1860-1903), na sua estada no Rio de Janeiro, então Capital Federal, como deputado federal constituinte, em janeiro e fevereiro de 1891. Nessa ocasião ele conheceu plenamente a Brigada Policial, então comandada pelo então general-de-brigada Bernardo Vasques (1837-1902), passando a nutrir grande afeição à milícia da Capital Federal. Quando Júlio de Castilhos assumiu como primeiro presidente do Estado, em 15 de julho de 1891, imediatamente ele dá início a criação de uma nova força pública, em substituição a Guarda Cívica, e para tanto, convidou para essa tarefa, o então tenente-coronel Sebastião Bandeira, que comandava o regimento de cavalaria da Brigada Policial da Capital Federal. Esse projeto foi interrompido abruptamente com a queda de Castilhos, em 12 de novembro de 1891, e vem a ser retomado com a sua volta ao poder, em 17 de junho de 1892, que também marcou o início da guerra contra os federalistas, que nos primeiros meses ficou circunscrita às escaramuças, mas a partir de fevereiro de 1893, em franco conflito bélico.

            Diante da guerra insurrecional que avançava, o governo do Estado criou a Brigada Militar, sendo criado o 1º batalhão de infantaria e o 1º regimento de cavalaria, ainda em 1892, além dos corpos de reserva e dos corpos provisórios. Quando a guerra estourou aberta, em fevereiro de 1893, foram criados os 2º e 3º batalhões de infantaria. O 2º batalhão experimentou uma trajetória gloriosa e impar, se caracterizando como o batalhão guerreiro da milícia gaúcha, característica demarcada no combate das Traíras, em novembro de 1894. Ele foi durante muito tempo, a unidade que angariou o prestígio e a predileção dos oficiais da força gaúcha. O coronel Afonso Emilio Massot (1865-1925), por duas décadas comandou a unidade, na época, estacionada em Porto Alegre, tendo outros grandes comandante como o coronel Orestes Carneiro da Fontoura.            No seu dealbar, o 2º batalhão teve, ao longo de sua história, quatro denominações, entre 1893 e até os dias atuais.

O 2º BATALHÃO DA BRIGADA MILITAR Denominações
2º Batalhão de Infantaria Ordem do Dia nº 39, de 15 de Fevereiro de 18932º Batalhão de Caçadores Decreto nº 6.197, de 6 abril de 1936
2º Batalhão de Guardas Decreto nº 12.280, de 21 de abril de 19612º Batalhão de Polícia Militar Decreto nº 19.466, de 18 de dezembro de 1968

            O 2º batalhão que tradicionalmente, desde sua criação em 1893, estava estacionado em Porto Alegre, aquartelado à rua Praia de Belas, depois no Cristal e novamente, em 1938, na Praia de Belas, havia sido transferido para Santa Maria afirmando base naquele município juntamente com o Regimento de Polícia Rural Montada. Mas em 1970, por determinação do Governo do Estado, ele foi transferido definitivamente para o município de Rio Pardo, onde permanece até os dias atuais. Senão vejamos os termos do Decreto que transferiu o 2º batalhão de Santa Maria para Rio Pardo em 1970:

Por meio do Decreto nº 20.195, de 9 de março de 1970, baixado pelo governador do Estado, Walter Peracchi Barcellos, transferiu a sede do 2º Batalhão de Polícia Militar de Santa Maria para Rio Pardo. Art. 1º – É transferida de Santa Maria para Rio Pardo a sede do 2º Batalhão de Polícia Militar – “BTL GEN PINHEIRO MACHADO” – da Brigada Militar. Essa questão de denominar o 2º batalhão da Brigada Militar, de General Pinheiro Machado, realmente, é incompreensível, pois o mesmo não tem nenhuma ligação com essa unidade, enquanto o general-de-divisão Cipriano da Costa Ferreira (1861-1933), que foi o primeiro comandante do batalhão, na sua criação em 15 de fevereiro em 1893, e o comandou no seu feito militar mais importante e grandioso, o Combate das Traíras, no dia 6 de novembro de 1894, feito imortal, que tornou o batalhão, a menina dos olhos da Brigada Militar, além ter sido comandante-geral da milícia entre 1909 e 1915, além de ter sido o segundo comandante da Guarda Cívica em 1890, quando era capitão e na mesma patente, assumiu o comando do 2º batalhão em fevereiro de 1893, comissionado no posto de tenente-coronel, e como tenente-coronel da arma de infantaria do Exército Nacional, comandou o 18º batalhão de infantaria, estacionado na cidade de Itaqui, e por fim, deputado estadual, na condição da qual assumiu a presidência da Assembléia dos Representantes, não é referenciado. O batalhão em nome da sua honra e justiça histórica deveria ser denominado de “Batalhão General Cipriano da Costa Ferreira”.

COMBATE DAS TRAÍRAS

O MAIS GLORIOSO FEITO DE ARMAS DO 2º BATALHÃO DE INFANTARIA DA BRIGADA MILITAR NOS JORNAIS DE PORTO ALEGRE

            Sem dúvida, o combate travado no passo das Traíras, na ensolarada manhã do dia 6 de novembro de 1894, é o mais glorioso, significativo e enaltecedor feito de armas do 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar – atual 2º BPM sediado em Rio Pardo – onde o jovem alferes Emerenciano Luiz Braga – mais tarde alcançaria o posto de tenente-coronel – e um dos mais legendários oficiais da força gaúcha, imortalizou o seu nome. Fazia quase dois anos da revolução, onde republicanos – também denominados de castilhistas, florianistas, pica-paus e mais raramente de legalistas – e os federalistas, também chamados de maragatos ou libertadores, se digladiavam em uma guerra civil de grande proporção. A Brigada Militar, criada em 15 de outubro de 1892, como o exército estadual de Júlio de Castilhos, constituindo na poderosa e temida milícia dos republicanos. A Brigada Militar foi criada, desse modo, para assegurar, principalmente, o regime republicano de Júlio de Castilhos, no âmbito do Rio Grande do Sul, por conseqüência, do Marechal Floriano Peixoto, que presidia o Brasil. No dia 21 de outubro, foi criado o 1º batalhão de infantaria, dividido em quatro companhias e a 10 de novembro de 1892, foi criado o 1º regimento de cavalaria fragmentado em quatro esquadrões, sob o comando do capitão do Exército Fabrício Batista de Oliveira Pillar, comissionado no posto de tenente-coronel. Cipriano da Costa Ferreira (1861-1933), era capitão do Exército, comissionado no posto de tenente-coronel para comandar o 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, criado em 15 de fevereiro de 1893, quando já havia eclodido belicamente a Revolução Federalista. O major Miguel José Pereira escreveu o seguinte sobre a criação do 2º batalhão de infantaria, em 15 de fevereiro de 1893:

A 15, foi organizado o 2º batalhão de infantaria e nomeado comandante, na mesma data, com a graduação de tenente-coronel, o capitão do Exército, dr. Cipriano da Costa Ferreira.

“Quartel do Comando da Brigada Militar do Estado, em Porto Alegre, 15 de fevereiro de 1893.

ORDEM DO DIA Nº 39

Tendo se apresentado a este comando o capitão do Exército Cipriano da Costa Ferreira, que por ato de hoje do ilustre dr. Presidente do Estado, foi nomeado tenente-coronel comandante do 2º batalhão, determino que o organize hoje com os oficiais seguintes, também hoje pelo mesmo ato nomeados: ESTADO-MAIOR Tenente-coronel comandante – o capitão do Exército Cipriano da Costa Ferreira. Capitão ajudante, com a graduação de major – capitão Elias José Soares. Alferes secretario – Alcebíades Pedroso de Albuquerque. Alferes quartel-mestre – Adolfo Guedes de Figueiredo Menezes.   

            Dessa forma, a Ordem do Dia 39, de 15 de fevereiro de 1893, criou deu origem ao 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, dividido em quatro companhias, sendo a 1ª comandada pelo capitão Joaquim Vicente Machado; a 2ª pelo tenente, comissionado no posto de capitão Juvêncio Xavier de Abreu; a 3ª pelo tenente, comissionado no posto de capitão João Machado de Morais Sarmento e a 4ª pelo capitão Eduardo de Morais Palma. Este batalhão, assim que criado, partiu para Caçapava, com efetivo inicial de 12 oficiais e 125 praças, para enfrentar os federalistas que ocupavam aquela cidade. E a partir daí, o 2º batalhão, participou intensamente da guerra civil, sempre ao comando do tenente-coronel Cipriano da Costa Ferreira. É interessante observar que o 1º batalhão de infantaria foi com efetivo de oficiais e praças basicamente oriundos da extinta Guarda Cívica enquanto que o 1º regimento e o 2º batalhão com oficiais do Exército. Assim, a Brigada Militar, criada em 15 de outubro de 1892, pelo então Presidente em exercício do Estado, Fernando Abbott, por determinação de Júlio de Castilhos – que é o verdadeiro pai da milícia gaúcha – foi concebida em três partes: os corpos ativos, os corpos de reserva e os corpos provisórios.

A BRIGADA MILITAR 1892/1893
Corpos Ativos Corpos da Reserva Corpos Provisórios
1º Batalhão de Infantaria (1892) 1º Regimento de Cavalaria (1892) 2º Batalhão de Infantaria (1893) 3º Batalhão de Infantaria (1893)1º Batalhão de Infantaria da Reserva (Pelotas) 2º Batalhão de Infantaria da Reserva (Cacimbinhas, Pedras Altas e Piratini) 1º Regimento de Cavalaria da Reserva (criado em 1893 para a Revolução Federalista).  1º Corpo Provisório da BM 2º Corpo Provisório da BM 3º Corpo Provisório da BM e assim por diante, sendo os corpos provisórios de São Borja da BM e Guarda Nacional formaram a 5ª brigada que originou a Divisão do Norte (1893).

            Essa força formidável, criada em 1892 e comandada por oficiais do Exército, tornou-se uma verdadeira máquina de guerra, durante a Revolução Federalista. Além das unidades do corpo ativo, ainda permanecem célebres, nos memoriais militares, o 1º batalhão de infantaria da Reserva da BM, que foi destruído no Combate do Rio Negro, em 26 de novembro de 1893, junto com seu comandante, o jovem tenente-coronel Utalis Lupi, que tombou com um tiro no peito, e o 2º batalhão de infantaria da reserva da BM, comandado pelo jovem tenente-coronel Afonso Emílio Massot (1865-1925), que ganhou reconhecimento militar no Cerco de Bagé, entre novembro de 1893 e janeiro de 1894, pelas tropas federalistas do general Joca Tavares. E os federalistas, também chamados de maragatos ou libertadores tornaram-se inimigos com surpreendentes capacidades militares. O Exército Libertador (federalista) tinha como principais chefes militares, o extraordinário general Joca Tavares, o legendário coronel Gumercindo Saraiva, os generais Isidoro Dias Lopes e Luiz Salgado e os coronéis (vários com patentes de general do Exército Libertador) Aparício Saraiva, Guerreiro Vitória, Antero Cunha, Prestes Guimarães, Juca Tigre, David José Martins, Rafael Cabeda, Ulisses Reverbel, Torquato Severo, Dinarte Dornelles, Ubaldino Demétrio Machado, Marcelino Pina, Laurentino Pinto Filho, Estácio Azambuja, Inácio Cortez, Mateus Collares, Franklin Cunha, José Serafim de Castilhos, Manoel Machado Soares, Francisco Cabeda, Domingos Ferreira, Epaminondas de Arruda, Vasco Martins, almirantes Saldanha da Gama e Custódio de Mello entre outros lideres maragatos, além de Gaspar Martins, Demétrio Ribeiro e Barros Cassal. No início de novembro de 1894, ele marchou à testa do seu castigado 2º batalhão, com efetivo em torno de 230 homens, para fazer junção com a coluna do coronel Pantaleão Telles de Queiroz, comandante-geral da Brigada Militar, em algum ponto  do vasto município de Bagé.

            O 2º batalhão de infantaria, durante muito tempo, constituía a vanguarda da 1ª brigada da Divisão do Centro. A presença do coronel maragato Mateus Collares, fez a coluna de Cipriano se desviar e ao transpor o passo das Traíras (Bagé), na manhã do dia 6 de novembro, o 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar encontra a vanguarda da coluna do valoroso coronel (que tinha a patente de general do exército libertador) Zeca Tavares (irmão do general Joca Tavares), efetuando-se os primeiros combates entre os piquetes federalistas e a infantaria da Brigada. Sem demora, o tenente-coronel Cipriano mandou constituir quadrado, formação clássica que dominou os campos de batalha da Europa desde o século XVI, com a invenção dos terços ou quadrados espanhóis e findou com o advento das metralhadoras. Assim, os soldados da Brigada Militar formaram um maciço azul-ferrete quadrado, com as baionetas dos seus fuzis reluzindo ao sol da manhã, travando uma luta intensa, suportando as cargas de cavalaria dos federalistas, onde brilhou a coragem sem igual de vários oficiais maragatos: tenentes-coronéis Fidélis Fagundes e Adão Latorre, majores José Francisco Machado e Damásio Sarmento, capitães Ribeiro Sales, Eleutério de Mello e principalmente, do lendário capitão Sagaz, sem falar dos soldados federalistas que demonstraram coragem assombrosa no combate que se seguiu.

            A cavalaria maragata ou federalista avançava disciplinada e orgulhosa, entoando gritos selvagens, volteando suas lanças e atirando com seus fuzis e revólveres. Os federalistas giravam suas lanças fazendo um silvo medonho e assustador. João Máximo Lopes, notável pesquisador, tal como Homero na Iliada, que narra os duelos entre os guerreiros aqueus e troianos, entre os quais de Aquiles e Heitor ou como o polonês Henryk Sienkiewicz (1846-1916), principalmente, no seu livro A Ferro e Fogo, onde ele descreve os duelos entre hussardos poloneses e cossacos ucranianos revoltosos, descreve o mais famoso duelo de toda a guerra civil, entre o capitão federalista Sagaz com sua lança e o alferes da Brigada Militar Manuel Lourenço brandindo seu sabre. Esse combate singular, verdadeiro retrato da coragem infinita de um homem que não teme a morte. O que está narrada a seguir advém do campo da imaginação e da lenda. As tropas dos dois lados se perfilaram em silencio aterrador para assistir com ansiedade o combate entre os dois bravos. De um lado, os soldados da Brigada Militar com seus uniformes onde predominavam as cores brancas e azul ferrete, torcendo pelo alferes Manuel Lourenço e de outro os soldados federalistas, altivos em seus cavalos com suas vestimentas variadas e suas lanças para o alto, acompanhando os movimentos do seu bravo capitão. Entre os soldados do 2º batalhão, destacava-se a figura do tenente-coronel Cipriano com sua túnica militar azul-ferrete e suas bombachas escuras, perfilado em silêncio com seu sabre em punho. Do lado federalista, parecendo um centauro, estava o general Zeca Tavares, empunhando as rédeas do seu cavalo, chapéu de feltro, casaco escuro tendo bordado um desenho em verde e amarela nos seus ombros, indicando seu posto militar e também bombachas, marcadas pelas suas botas sanfonadas e o lenço vermelho no pescoço.

            O filósoso alemão Friederich Hegel (1770-1831) escreveu, em célebre capitulo da sua Fenomenologia do Espírito, onde ele narra a dialética entre o senhor e o escravo. O primeiro tornou-se senhor porque não teve medo da morte e o segundo foi escravizado porque teve medo de morrer. Ali, naquela manhã de 6 de novembro de 1894, junto ao passo das Traíras, então entre os municípios de Lavras e Bagé, deu-se o combate entre os dois campeões: o primeiro, o capitão federalista com sua lança e o segundo oficial republicano da Brigada Militar com seu sabre. O duelo entre os dois homens livres, que sintetizavam ali toda bravura e coragem do universo, findou com os dois retalhando-se até a morte com o olhar atônito dos soldados dos dois lados. Ao cabo do combate, restaram no terreno, os corpos ensangüentados e inertes do bravo alferes Manuel Lourenço da Brigada Militar e do legendário capitão Sagaz, um dos mais temidos e corajosos soldados guerreiros federalistas, cuja bravura e perícia em combate era exaltada pelos próprios adversários, um dos poucos maragatos tratados com respeito e sem pejorativos nos jornais republicanos da Capital. Depois do duelo, onde cada parte recolheu os corpos dos seus campeões, o combate tornou-se mais intenso e virulento até o início da tarde. O batalhão em ordem e calma impressionante alcançou a casa de uma estância e ali se entrincheirou para repelir um a após outro os ataques dos federalistas, tendo grande número de baixas de ambos os lados. As tropas do coronel Zeca Tavares, depois de uma luta encarniçada se retiraram no início da tarde, estando entre os mortos, o lendário capitão Sagaz, perda irreparável para os federalistas. Cabe ressaltar que o major Miguel José Pereira não faz referencia ao duelo entre Sagaz e Manuel Lourenço, cujo combate singular se tornou grandioso nas narrativas das lendas gaúchas, mais do que nos livros da história.

            O certo é que o capitão federalista Sagaz – que era um oficial afro-brasileiro e grande parte da cavalaria maragata federalista era constituída por soldados negros –  tombou em combate quando alfinetava os soldados do 2º batalhão através das janelas da enorme casa da propriedade Vieira Rodrigues, onde o que restava do batalhão se entrincheirou. Sagaz em sua coragem infinita arrostou os soldados do 2º batalhão, destacando-se, montado em seu cavalo tubiano, até tombar com tiro de fuzil[1]. O jovem alferes Emerenciano Braga, vendo esse cavalo e o reconhecendo pertencer ao capitão Sagaz, avançou em meio ao combate e com as ordens do tenente-coronel Cipriano Ferreira, montado nele, conseguiu evadir-se na direção da grande coluna do coronel Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz, comandante-geral da Brigada Militar, que no início da tarde chega ao lugar do combate, provocando a retirada dos federalistas.  

            O Combate das Traíras foi o feito de armas mais exultante e glorioso do 2º batalhão da Brigada Militar, onde brilhou a estrela do então tenente-coronel Cipriano Ferreira (1861-1933), que mais tarde comandaria a milícia gaúcha, por mais de seis anos, entre 15 de março de 1909 e 15 de março de 1915, e alcançará a patente de general-de-divisão do Exército Nacional, exaltado como um dos mais brilhantes oficiais do Exército Nacional[2]; e a bravura inigualável do jovem alferes Emerenciano Braga, de São Luiz Gonzaga, que virá a ser um dos mais cantados heróis da força gaúcha, se aposentando da mesma, como tenente-coronel. Todos os jornais de Porto Alegre, durante muito tempo, publicaram artigos e referencias ao Combate das Traíras, página épica da Revolução Federalista. Os jornais da Capital, em sua grande maioria republicanos ou castilhistas, narravam esses combates com cores de dramaticidade e epopéia, decantando os feitos militares dos militares legalistas. Entre os artigos, nos jornais da Capital gaúcha destacamos o seguinte, publicado no jornal Gazeta da Tarde, na sua edição, de 6 de novembro de 1895, escreveu sobre esse glorioso feito dos federalistas e do 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, cujos acontecimentos haviam ocorridos exatamente um ano antes. Eis como o jornal Gazeta da Tarde, na sua edição, do dia 6 de novembro de 1895, descreveu esse combate portentoso:

COMBATE DAS TRAIRAS

            É hoje o aniversário do encarniçado combate ferido no passo das Traíras. Este feito de armas é um padrão imorredouro erguido à sua glória pela invicta brigada militar do Estado. Se esses destemidos legionários não tivessem assinalado seu valor nos outros recontros, não menos disputados, em Santa Catarina, Paraná e neste Estado, bastam-lhe a resistência no combate das Traíras para sagrá-los heróis. Como este feito de armas não é bastante conhecido, vamos seguir a singela, mas integra narração, feita por distinto oficial do exército que se achou no campo do conflito no exercício de elevada comissão. Eis a sua narrativa:

            “A 30 de outubro (1894), o 2º batalhão que marchou fazendo parte da coluna sob as ordens do coronel Joaquim P. Telles, depois de, com a mesma coluna, ter passado junto a Lavras, retrocedeu do passo do Hilário, vindo sob o comando do tenente-coronel Cypriano da Costa Ferreira amanhecer naquela villa. A 31 reuniu-se à coluna, para a tardinha, novamente marchar só, acompanhado de um piquete do 2º regimento (cavalaria) da reserva (brigada militar); e marchou isolado até 2 de novembro, data em que se reuniu à brigada. A 3 destacou novamente acompanhado do mesmo piquete, e acampou no passo da Areia, sob o rio Camaquã e a 5 acampou no Rincão das Palmas. Ai o tenente-coronel Cypriano, entendeu-se, por intermédio de um próprio, com Matheus Collares, em cujo campo nos achávamos, e convidou a esse revolucionário a apresentar-se sob garantias seguras. Esse chefete respondeu que não o poderia fazer e aconselhou o tenente-coronel Cypriano a retroceder, visto como o general Zeca Tavares achava-se perto com uma coluna de 800 homens, e que ele próprio Matheus, tratava de nos flanquear, para o que possuía 100 a 200 homens e para cujo serviço empenhara a sua palavra, caso contrário aceitaria.

            Informado o tenente-coronel Cypriano, do que havia, não lhe era fácil retroceder, muito principalmente tendo ordens para encontrar-se com o coronel Pantaleão Telles (comandante-geral da brigada militar), naquela direção, onde justamente se preparava o pretenso general Zeca Tavares para combater-nos. Ainda mesmo que não houvesse semelhante ordem, não era caso de um chefe recuar devido a informações por demais suspeitas, como eram as de Matheus Collares. A 6 de novembro, pois, o batalhão tendo à frente um ‘vaqueano’ do lugar, marchou as 4 horas da madrugada mais ou menos, com direção ao passo das Traíras, afim de tomar a estrada mais próxima do ponto em que devia reunir-se ao coronel Pantaleão.

            Fazia uma manhã lindíssima, com um belo sol. Haviamos transposto o passo acima, e tendo já caminhado algumas horas seguidas, fez-se parada para reunir o pessoal, e descansar-se um pouco. Reunido que foi, o pessoal, não havíamos caminhado 2 kilometros, e eram 7 ½ horas, quando o piquete de cavalaria que fazia a vanguarda do batalhão, avistou o inimigo em dois pequenos piquetes. Avançou, pois nosso piquete em linha de atiradores fazendo fogo, recuando os piquetes inimigos. Logo após avistou-se a pouco menos de 2 kilometros, ao redor do batalhão que ocupava o centro, mais de 8 piquetes, repontando todo o gado para fora do círculo em que nos pretendiam sitiar. Escolheram o melhor do campo, um local completamente aberto, existindo neste círculo, para a esquerda um, pequeno rancho de palha e a estância de Estácio Vieira, genro de um dos Tavares. Às 8 horas, mais ou menos, o batalhão avistava a coluna de Zeca Tavares que por todos foi logo calculada em 800 homens.

            O batalhão, seu chefe à frente e seus oficiais a postos, avançava serenamente, tendo sido logo medidas quais as conseqüências de um combate tão desigual em número de combatentes. O valoroso alferes secretário do batalhão Rufino Thomaz Pereira que se achava bem montado galopou na vanguarda e foi até em cima da coxilha, uns 30 metros, e voltou imediatamente, prevenindo ao comandante e fiscal que uma carga de uns 200 lanceiros estava preparada, na baixada da coxilha, e onde se fazia infernal algazarra. O batalhão imediatamente formou quadrado e esperou. Uma legião de 215 homens, esperava calmamente, resolutamente, o encontro de uma força que se calculava ter quatro vezes o nosso pessoal e além de tudo à cavalo.

            Avistou-se logo após, descerem à direita do quadrado a 300 metros calculadamente, um grande esquadrão de atiradores e à esquerda e retaguarda, como de 300 a 400 lanceiros. Estes vinham na certeza de envolver o batalhão, talvez em uma só carga, tal o modo precipitado por que chegaram, tão confiados que vieram a 2 metros do quadrado fazendo molinete com as lanças. O batalhão esperou. Nem um murmúrio, joelho em terra a primeira fileira. O fogo foi tremendo em três faces do quadrado! E como solto por um só homem repercutiu um ardoroso viva! – Era à República que saudavam os nossos bravos soldados.

            O inimigo que viera altaneiramente, recuou horrorizado, deixando o campo juncado de feridos e mortos. É que não haviam suposto tão enérgica resistência em tão insignificante número de homens. Tornou-se, então, medonho o combate, só se pedia vidas e sangue. As cargas dos audaciosos negros Fidélis, Adão e Sagaz e outros sucederam-se quatro, seis ou doze vezes e tantas foram rechaçadas, sem em nenhuma delas nos ferir mais que três ou quatro indivíduos, isto mesmo já ao entrar o quadrado na porteira de uma mangueira da casa. O batalhão serenamente retirou, a passo, ajoelhando para receber as cargas, e mais fogo não pode fazer, porque cada praça não tinha mais que 160 cartuchos, que era preciso economizar. Chegados à casa, organizou-se linhas de atiradores, fazendo-se ligeiro entrincheiramento, de pedras e barricas. O inimigo atacou a pé a casa por 4 a 6 vezes e sempre repelido com perdas, abandonou o intenso e retirou-se, após o que nos enviaram parlamento. Eram 4 sujeitos conduzindo uma bandeira branca, e que não lograram chegar a 50 metros da casa, pois foram recebidos a bala, entre vivas a Floriano e Júlio de Castilhos.

            É que estávamos bem lembrados da hecatombe do Rio Negro ainda onde foi algoz o mesmo Zeca Tavares. Não se podia esperar senão traição e antes disso está o cumprimento do dever militar. Repelidos, pois, nessa pretensão, fizeram o último ataque à casa a cavalo e a pé. Eram de 20 a 30 homens que furiosamente se lançavam a morte. E com efeito, ai tombaram quase todos, escapando uns 6 a 8 homens. Último foi esse esforço! Convencidos da ineficácia do plano negro que haviam sugerido – fizeram retirada, e à 1 hora da tarde terminava o sangrento combate – das Traíras – ficando o campo coberto de cadáveres, os nossos na maioria – degolados.

            Teve o batalhão 74 baixas, sendo mortos 3 oficiais e 32 praças, feridos 7 oficiais e 32 praças. O valente piquete do 2º regimento (cavalaria) da reserva (da brigada militar) teve 1 oficial e 12 praças mortos e mais 13 praças feridas; ao todo 100 homens. Às 5 horas da tarde tendo chegado ao lugar do combate o coronel Pantaleão Telles com o 13º batalhão e o 2º (batalhão) da reserva (da brigada militar) foi recebido pelos 100 homens que restavam em formatura geral do batalhão. Gazeta da Tarde: Porto Alegre – 6 de novembro de 1895.

            Esse combate que teve início por volta das 7 horas da manhã e com termino por volta do início da tarde, do dia 6 de novembro de 1894, onde a arma de infantaria prevaleceu sobre a cavalaria. A despeito da coragem e disciplina da formidável cavalaria federalista maragata, sob a liderança do general Zeca Tavares, carregou várias vezes sobre o quadrado inglês do 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, que formava um paredão azul, branco e cinza. Sob as ordens rigorosas do tenente-coronel Cipriano Ferreira, a fuzilaria repelia ataque os ataques da cavalaria inimiga. Mas as linhas do 2º batalhão enfraqueciam a cada ataque, de modo que Cipriano ordenou a retirada para a casa, com dimensão muito grande, de propriedade da família Vieira Rodrigues, e que servia de sede da fazenda, onde o restante do batalhão se entrincheirou. O combate seguiu renhido e feroz por pouco mais de seis horas, onde a destemida cavalaria federalista avançou em ondas sobre as fileiras do quadrado ordenado pelo tenente-coronel Cipriano e depois atacando sem cessar a casa sede da fazenda Vieira Rodrigues onde se abrigou o batalhão da Brigada Militar. Os mortos juncavam o relvado em torno da casa e no interior da mesma, e o sangue cobria o solo inerte reverberando estranhamente ao sol daquela manhã. O cheiro de pólvora e a bruma cinza azulada produzida pela fuzilaria quase sufocava os combatentes. Mas nenhum dos lados esmorecia e nem dava sinal de rendição, lances de extrema coragem e heroísmo, onde predominava o destemor e a indiferença diante da morte iminente. O combate das Traíras encerrou-se com a chegada do coronel Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz à frente de numerosas e descansadas tropas da Brigada Militar e outras forças legalistas.

            O major historiador Miguel José Pereira – o primeiro e certamente, o maior e mais importante historiador da Brigada Militar – em sua pena atilada e crítica, também descreveu esse combate formidável, em abundantes páginas do seu livro Esboço Histórico da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, de forma detalhada, carregando em encômios e lautos elogios aos dois lados que estiveram no Combate das Traíras.

O ENCONTRO EM TRAÍRAS

            O combate de Traíras é feito militar que sobreleva não só a bravura leonina do 2º batalhão da Brigada Militar, sob o comando heróico de Cipriano da Costa Ferreira – que tem a correr-lhe no organismo vigoroso o sangue avoengo, vencedor da batalha de Tuiutí – mas principalmente a comprovada superioridade da infantaria sobre a cavalaria.

            Esta, embora ousadíssima e numerosa, na proporção de mais de setecentos homens para pouco mais de duzentos, não chegou a bater de encontro às arestas inexpugnáveis, formadas pelas baionetas do quadrado, a marchar resoluto e em perfeita ordem – o que é admirável em tais ocasiões desesperadas – na direção da casa onde se entrincheirou, opondo tenacíssima resistência às partes atacantes e lhes causando baixa apreciáveis. A valentia era recíproca.

            Não se pode imputar às forças de Zéca Tavares menos coragem do que à outra. Tanto é assim que através das jané1as da posição ocupada pelo referido corpo, entraram lanças aguçadas, pagando caro os seus arremessa dores o temerário arrojo. E a proeza não teria o mérito que justamente se lhe atribui, sem o denodo da arremetida federalista. Esta circunstância é que põe em mais alto relevo a vitória alcançada por Cipriano Ferreira e seus comandados, os quais estiveram sempre à altura do chefe destemido. Eram os ingleses impassíveis de Waterloo, repelindo os arrojos de Nei, na luta desesperada que salvo u a humanidade do ambicioso máximo, do homem que – estudado à luz da moderna psiquiatria – seria considerado paranóico temível, e tantos males causou às nações européias, com a sua desatinada ambição. O que transparece claro, até àqueles que não são militares – em face do armamento moderno que permite aos soldados a repetição ininterrupta dos tiros é que a carga de cavalaria, ainda que bem dirigida e impetuosa, se há de desmanchar, inutilizar, diminuir, rareadas as fileiras – derribados os ginetes e cavaleiros – antes de atingirem as linhas atacantes. Já longe está o tempo das “Pederneiras e Miniés”, quando os centauros operavam prodígios, infligiam, sós, derrotas completas e esmagadoras. Agora se hão de contentar com funções ainda certamente de valia, mas mui restritas, pois até as descobertas e explorações se conseguem perfeitas, sem a preocupação de dificuldades e acidentes do terreno, por meio de aeroplanos dirigíveis, relegando para lugar cada vez mais inferior o brilhante papel que outrora desempenhava a lança e a espada. Campo raso, aberto, na plenitude das coxilhas e várzeas, podendo a força inimiga desenvolver-se e operar à vontade, não se lhe concebe a derrota – levada em conta a heroicidade das duas partes – senão pelo declínio natural e inevitável da cavalaria, à proporção dos bélicos aperfeiçoamentos. Imagine-se que fará essa arma estrepitosa, de aparato luzente, ante as metralhadoras atuais que despejam projéteis aos milhares e cobrem os campos de cadáveres sem conta.

            Temos há muito tempo a noção, não sabemos se vinda da leitura, ouvida ou espontaneamente despertada, de que os exércitos, ou quaisquer de suas frações, operando isoladas, se deveriam fazer acompanhar de rever as montadas em ágeis animais destinadas somente à perseguição do inimigo retirante, já derrotado. Aí, nesse momento, entraria em ação rápida, estrondeante, impetuosamente, para o extermínio cruel, impiedoso do vencidos, na raiva alucinadora das feras humanas, conscientes do mal que produzem e sempre insaciáveis de sangue, de ruínas e destruições. Porque, Deus nosso não fazem que os homens calem os ódios, esqueça m as vinganças e se estendam as mãos para o abraço fraterno da paz universal? Para completa elucidação do memorável acontecimento de Traíras. (PEREIRA: 1950, pp. 295/96).

BIBLIOGRAFIA

AXT, Gunter. (Org.). As Guerras dos Gaúchos: História dos Conflitos no Rio Grande do Sul.Porto Alegre: Nova Prova, 2008.

 _____________. (Org.). Júlio de Castilhos e o Paradoxo Republicano. Porto Alegre: Nova Prova, 2005.  

BARROSO, Gustavo. História Militar do Brasil. Brasília: Senado, Conselho Editorial, 2015.

BRILHANTE, Ismael. No Ápice da Glória. Porto Alegre: AGE – Assessoria Gráfica e Editorial Ltda, 1979.

CARVALHO, Pedro. Campanha do Coronel Santos Filho – Revolução Federalista de 1893. Porto Alegre: Renascença; Edigal, 2015.

CAVALARI, Rossano Viero. O Ninho dos Pica-Paus – Cruz Alta na Revolução de 1893. Porto Alegre: Martins Livreiro Editora, 2012.

COSTA E SILVA, Riograndino. Notas à Margem da História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora Globo, 1968.

COUTINHO, Albino José Ferreira. Marcha da Divisão do Norte. 2ª Ed. Porto Alegre: Renascença: Edigal, 2011.

DOURADO, Ângelo. Voluntários do Martírio – Narrativa da Revolução de 1893. Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 1997.

ESCOBAR, Wenceslau. Apontamentos para a História da Revolução Rio-grandense de 1893. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1982.

FERREIRA FILHO, Arthur. História Geral do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora Globo, 1960.

FRANCISCO, General João. Revolução de Noventa e Três. Porto Alegre: Renascença; Edigal, 2011.

FRANCO, Sérgio da Costa. Júlio de Castilhos e sua época. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1996.

___________________. A Guerra Civil de 1893. 2ª ed. Porto Alegre: Renascença; Edigal, 2012.

GAZETA DA TARDE – Porto Alegre: edição de 6 de novembro de 1895. Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho – RS

KARNIKOWSKI, Romeu Machado. De Exército Estadual à Polícia Militar: O Papel dos Oficiais na Policialização da Brigada Militar (1892-1988). Porto Alegre: tese de doutorado; sociologia, UFRGS, 2010.

LIMA, José Carvalho. Narrativas Militares: A Revolução do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Casa dos Livros; Edigal, 2009.

LOVE, Joseph. O Regionalismo Gaúcho. São Paulo: Perspectiva, 1975.

MARIANTE, Helio Moro. Crônica da Brigada Militar Gaúcha. Porto Alegre: Imprensa Oficial Editora, 1972.

MORITZ, Gustavo. (Orgs. Gunter Axt. Ricardo Vaz Seelig. Coralio Bragança Pardo Cabeda. Maria Lucia Rodrigues de Freitas Moritz). Acontecimentos Políticos do Rio Grande do Sul – Partes I e II. Porto Alegre: Procuradoria Geral de Justiça, Projeto Memória, Nova Prova Editora, 2005.

PEREIRA, Miguel José. Esboço Histórico da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Oficinas Gráficas da Brigada Militar, 1950.

PINTO JUNIOR, José Carlos. BRIGADA MILITAR. Homenagem da Brigada Militar ao Emérito Estadista Rio-Grandense Dr. Júlio Prates de Castilhos no 30º dia de seu Falecimento (24 de Novembro de 1903). Porto Alegre e Santa Maria: Tipografia da Livraria do Globo, 1903

 PORTO, José da Costa. Pinheiro Machado e seu Tempo. 2ª ed. Porto Alegre: L&PM, 1985.

RIBEIRO, Aldo Ladeira. Esboço Histórico da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Oficinas Gráficas da Brigada Militar, 1953.

VASQUES, Luiz Cezar. Marechal Bernardo Vasques: Um consolidador da República. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 2021.


[1]Cavalo Tubiano é um tipo de animal malhado em cores distintas e que, segundo consta, foi introduzido na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, pelo brigadeiro paulista Rafael Tobias Aguiar (1794-1857).

[2]Cipriano da Costa Ferreira (1861-1933), oficial do Exército Nacional da arma de infantaria, tinha a patente de capitão, quando foi convidado para ser o primeiro comandante do recém criado 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, em 15 de fevereiro de 1893, sendo que para tanto o governo do Estado, o comissionou com o posto de tenente-coronel. Ele havia sido comandante-geral da Guarda Cívica, criada pelo Visconde de Pelotas, em dezembro de 1889, Nesse cargo ele substituiu o então capitão do Exército, comissionado major, Thomas Thompson Flores, que tombou na Guerra de Canudos  em 1897. Depois da Revolução Federalista em 1895, assumiu o comando do 18º batalhão de infantaria, estacionado no município de Itaqui, na costa do Rio Uruguai, na fronteira com a Argentina. Em fevereiro de 1909, o recém empossado presidente do Estado, Carlos Barbosa, o convidou para o comando geral da Brigada Militar, que acabou assumindo no dia 15 de março desse mesmo ano. Exerceu esse brioso cargo até março de 1915. Mais tarde foi promovido a general-brigada, aposentando da vida militar como general-de-divisão. Eleito deputado estadual, exerceu a presidência da Assembleia dos Representantes (Assembleia Legislativa). Faleceu em 1933.