Policiais reagem contra parcelamento salarial: ‘salário atrasado, serviço parcelado’

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Presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm), Isaac Ortiz, repudiou com veemência a proposta de parcelamento dos salários e disse que o Departamento Jurídico do sindicato já estuda as medidas cabíveis. Foto: Filipe Castilhos/Sul21
Presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm), Isaac Ortiz, repudiou com veemência a proposta de parcelamento dos salários e disse que o Departamento Jurídico do sindicato já estuda as medidas cabíveis. Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Marco Weissheimer

A intenção do governo do Estado de parcelar o pagamento do salário do funcionalismo está gerando apreensão e indignação entre várias categorias. Na área da segurança pública, duas entidades já se manifestaram contrárias à medida e anunciaram que reagirão contra a mesma. “Salário atrasado, serviço parcelado” é o que promete a Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (ABAMF), que reúne servidores de nível médio da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros.

Segundo Leonel Lucas, presidente da entidade, “se forem confirmados os boatos, originados no próprio governo estadual, de parcelamento dos salários, a ABAMF convocará imediatamente uma assembleia geral da categoria, juntamente com outras associações de nível médio da Brigada Militar e de servidores estaduais civis e iniciará uma mobilização pública para combater esse retrocesso”. O movimento seguinte, anunciou Lucas, será jurídico. “Um advogado tomará as providências para ressarcimento dos prejuízos dos policiais que tiverem salários atrasados e/ou parcelados”.

As notícias de atraso de salários estão provocando pânico e medo entre os servidores gaúchos, relata ainda o presidente da ABAMF, em nota publicada no site da entidade. “As pessoas em geral têm contas à pagar sempre no final do mês e início do mês subsequente. O atraso ou parcelamento dos salários fará com que as despesas dos trabalhadores aumentem devido a cobrança de juros por dia de atraso. O governo estadual deve encontrar outra solução para os problemas financeiros que não seja sacrificar mais uma vez os brigadianos e os baixos salários”.

Os policiais civis também se manifestaram contra a medida. O presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm), Isaac Ortiz, repudiou com veemência a proposta e disse que o Departamento Jurídico do sindicato já estuda as medidas cabíveis. Com certeza, haverá luta, garante o vice-presidente da entidade, Fábio Castro. “Mobilizaremos a categoria e paralisações não estão descartadas”, afirmou. Segundo a Ugeirm, o corte de horas extras e diárias já estão prejudicando as operações da Polícia Civil em todo o estado, colocando em risco a segurança da população.

O sindicato está orientando os policiais para que não façam jornada extraordinária em caso de não pagamento de horas extras. E cobra do governador José Ivo Sartori (PMDB) o cumprimento da promessa de que serviços essenciais do Estado, como Saúde, Educação e Segurança, teriam um tratamento excepcional na política de cortes. Até agora, a excepcionalidade não se cumpriu.

O Sindicato dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul (Sindsep-RS) também divulgou nota afirmando que a categoria não aceitará retirada de direitos, atrasos nos salários, privatizações e sucateamento do serviço público. “Precisamos ficar atentos e organizados para rechaçar políticas que venham precarizar o serviço público. Nossa organização é o nosso instrumento de luta. A rua será nosso espaço de manifestar nossa força e descontentamento”.

Sul21