Redes sociais são aliadas da Segurança Pública

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15ºPM utiliza a ferramenta Foto: Omar Freitas / Agencia RBS
15ºPM utiliza a ferramenta
Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Comunidade e policiais compartilham dados por WhatsApp, Facebook e Twitter. Dentro das corporações, as informações também circulam com mais agilidade em grupos internos.

Ferramentas cada vez mais utilizadas pela população, as redes sociais estão servindo como aliadas da segurança pública. Grupos no WhatsApp, páginas no Facebook e perfis no Twitter aproximam policiais e comunidade, além de agilizar a circulação de dados. Como o uso é gratuito, a medida se torna um contraponto aos recentes cortes de recursos promovidos pelo governo do Estado e ao histórico déficit de efetivo.

Um dos exemplos vem do 15º BPM, de Canoas. A unidade atribui o aumento na captura de foragidos e de procurados pela Justiça à troca de informações pelo WhatsApp. Nos três primeiros meses do ano, foram 27 foragidos presos – só em abril, chegou a 15. Entre janeiro e março, o batalhão deteve 26 procurados pela Justiça – no mês passado, foram 27.

– Ao mesmo tempo em que a sociedade passa informações, nós também informamos sobre nossas ações. Os oficiais têm um grupo, os soldados e sargentos têm outro, e há uma interlocução entre eles que agiliza e contribui para o planejamento. Sabemos de mais detalhes das ocorrências por isso – avalia o tenente-coronel Oto Amorim, comandante do 15º BPM.

O uso também é visto com bons olhos pelo diretor da 2ª Delegacia Regional de Polícia Metropolitana, delegado Fernando Soares:

– Tem vários policiais, chefes de investigação e delegados que acabam trocando informações momentâneas. Às vezes, a Brigada Militar chega no local de uma ocorrência, já tem um suspeito e aciona a Polícia Civil.

Um bancário de 49 anos é um dos moradores que participa de um grupo com outras pessoas da comunidade e a BM.
– Esse grupo no WhatsApp nos beneficiou muito, pois nunca havíamos recebido tanta satisfação do trabalho da polícia. Sabemos quando há apreensão de drogas e recuperação de veículos, por exemplo. Quando temos algum suspeito, avisamos e é feita a abordagem – afirma o bancário, que pediu para não ter o nome divulgado.

Quem tiver interesse de participar de grupos de WhatsApp nos bairros Guajuviras, Niterói, Rio Branco e Mathias Velho pode procurar os policiais do 15º BPM.

O uso das redes sociais não substitui as denúncias feitas pelo 190 – a corporação reforça que os chamados de urgência devem ser feitos por esse número. Também não há uma forma padrão para utilização das ferramentas, cada batalhão trabalha conforme suas possibilidades e objetivos (alguns com mais interação com a comunidade, outros de forma interna).

Twitter como prestador de serviço

Adepto das redes sociais desde antes de assumir a chefia de Comunicação Social da Brigada Militar, o major Ronie Coimbra conta que recebia muitas denúncias pelo Facebook quando era comandante do 33º BPM, de Sapucaia do Sul:

– Chegavam “inbox”, e a grande maioria era verdadeira. Claro que há uma responsabilidade de atender a denúncia e dar resposta, senão, as pessoas não confiam.

O oficial destaca que isso não substitui o registro de ocorrência, mas auxilia no planejamento.
– Quando não se tratar de questões urgentes, a comunicação pode ser pelas redes sociais. Mas, para casos que necessitam de ação imediata, o recomendável é ligar para o 190 – afirma.

Coimbra lembra a importância do Twitter como prestador de serviço aos cidadãos. Um exemplo é o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), que avisa de acidentes e bloqueios no trânsito. O Comando Rodoviário está no Twitter como @PRE198RS.

Agilidade pelo WhatsApp

O bairro mais boêmio da Capital é um dos locais que interage com a BM pelo WhatsApp. A ideia surgiu na corporação, que procurou a Associação dos Amigos da Cidade Baixa, responsável por administrar o grupo. A presidente, Roberta Rosito Corrêa, elogia o trabalho dos PMs, depois de ter enfrentado problemas com o 190.

– A gente avisa o que está acontecendo, e eles mandam patrulha. Tem sido fundamental, ainda mais agora, com policiamento reduzido – diz Roberta.

Comandante da 2ª Companhia do 9º BPM, o capitão Fernando Maciel define o grupo como a criação de um “cadeado”, por reunir pessoas de várias ruas, bares e prefeitura:

– Recebemos uma média de dez informações por dia. E isso triplica de sexta para sábado e de sábado para domingo.
Além de ocorrências policiais, o oficial conta que a população informa de problemas de som alto em carros (a BM adverte os responsáveis) e locais de consumo de drogas, que são catalogados.

Moradores que quiserem participar do grupo, podem entrar em contato com a associação pelo e-mail aacbpoars@outlook.com.

Grupos específicos no batalhão

Um dos pioneiros no uso do WhatsApp dentro dos batalhões de Porto Alegre, o 9º BPM conta com cerca de 20 grupos, que incluem lotéricas, farmácias, transporte público e rede escolar _ este último, com as direções das mais de 30 instituições públicas da região.

– No Bom Fim, são mais de 200 pessoas. E isso dá uma sensação de proximidade da população com a Brigada Militar. Um exemplo é se alguém entra numa farmácia para furtar, logo a informação é repassada no grupo, e os outros comerciantes ficam atentos – detalha o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Francisco Vieira.

O Mercado Público é um dos locais que têm um grupo específico, composto por permissionários, funcionários, integrantes da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), o vice-prefeito Sebastião Melo e a Brigada Militar.

– Quando há algum suspeito, é publicado no grupo. A situação já esteve crítica ali, e agora está melhor. É uma ferramenta muito boa, que tem ajudado – salienta Ivan König, presidente da Associação de Comércio do Mercado Público Central.

Facebook para reconhecer suspeitos

No 34º BPM, de Esteio, o uso do WhatsApp está direcionado às duas patrulhas comunitárias, que atendem aos bairros Novo Esteio, Tamandaré, São José e Parque Primavera. Ali, são trocadas informações entre os PMs e a população. Os oficiais e praças também usam para fazer a comunicação interna.

Mas, pelo Facebook, a abrangência é maior. O comandante do batalhão, tenente-coronel Roberto Damasceno Rodrigues, explica que as ocorrências são informadas por meio do perfil, e fotos de presos são divulgadas, fazendo com que a população veja e faça a identificação na DP da cidade.

– Tivemos a prisão de um foragido em uma noite que foi reconhecido pelo roubo a cinco estabelecimentos no Centro. Colocamos a foto no Facebook, e muitas pessoas postaram que era ele (responsável por outros crimes) – conta o oficial.

Quem quiser interagir com a corporação, pode procurar por Brigada Militar Esteio no Facebook.

*Diário Gaúcho