JORNAL O SUL: Os protestos e o espectro

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Moradores do bairro Menino Deus, em Porto Alegre, pedem mais segurança. Foto: Reprodução/Facebook
Moradores do bairro Menino Deus, em Porto Alegre, pedem mais segurança. Foto: Reprodução/Facebook

Wanderley Soares

Moradores, comerciantes e trabalhadores do bairro Menino Deus decidiram clamar pelo fim da insegurança na região. Com organização do movimento S.O.S. Menino Deus, o ato, realizado na manhã desse sábado, envolveu aproximadamente 300 pessoas que, escoltadas pela Brigada Militar, partiram em caminhada pacífica para chamar a atenção dos governos do Estado e do município à realidade que estão vivendo. Atualmente, este bairro é um dos mais visados e frequentados por assaltantes em Porto Alegre. Dia e noite os moradores testemunham vítimas das drogas a caminhar, cambaleantes, gritando ameaças. Armados de facas, eles assaltam pedestres a qualquer momento. Outros, com armas de fogo, sabendo da facilidade pela inexistência de policiamento, atacam motoristas que saem para trabalhar de manhã cedo ou que chegam à noite. Nas madrugadas, os estabelecimentos comerciais são arrombados e depredados quase que diariamente. A coordenação do movimento estima que um novo ato deva ser realizado no prazo de 45 dias. Ainda que possam assumir algum risco, sigam-me.

Espectro

Ainda que diferentes segmentos da sociedade tenham passado a realizar manifestações no RS, na capital, Região Metropolitana e interior e, a cada dia, com maior intensidade, para reivindicar do governo estratégias razoáveis na segurança pública que, pelo menos, venham a reduzir a tensão que sofre cada cidadão ao sair de casa e, até mesmo dentro de casa, o detalhe insólito é o de que os principais movimentos tenham partido dos próprios profissionais dos cinco braços da pasta da Segurança, Brigada Militar, Polícia Civil, Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários), IGP (Instituto-Geral de Perícias) e Corpo de Bombeiros, que foram às ruas e até a frente do Palácio Piratini, aos milhares. O protesto de todos se resume contra o necrosamento da estrutura da segurança pública com o consequente avanço da criminalidade.

A resposta do governo para o clamor público e dos trabalhadores da segurança tem sido a crise que assola todas as áreas da administração, mas ao mesmo tempo apresenta estatísticas que induzem à ideia de que a situação está sob controle e ilustra os números com operações policiais na Zona Sul que esvaziam a Zona Norte e vice-versa. A falta e mesmo a redução de efetivo são aspectos minimizados com o espectro da “inteligência artificial” recentemente buscada no Mato Grosso do Sul. Aqui da minha torre, está sendo difícil alcançar onde estão os equívocos, se na operacionalidade dos executivos da pasta da Segurança ou no discurso do Piratini.

O SUL