SUL21:Servidores ameaçam paralisar

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Moradores do Menino Deus reuniram-se com integrantes da diretoria da Ugeirm e com representantes dos aprovados do concurso da Polícia Civil, no auditório da 2ª DP de Porto Alegre. (Foto: Ugeirm/Divulgação)
Moradores do Menino Deus reuniram-se com integrantes da diretoria da Ugeirm e com representantes dos aprovados do concurso da Polícia Civil, no auditório da 2ª DP de Porto Alegre. (Foto: Ugeirm/Divulgação)

Moradores do Menino Deus e rodoviários denunciam onda de violência

Marco Weissheimer

Moradores do bairro Menino Deus, de Porto Alegre, e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte de Porto Alegre (STETPOA) procuraram a direção do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm) para conversar sobre a onda de violência que vem atingindo a população no Estado. Na noite de terça, moradores do Menino Deus reuniram-se com integrantes da diretoria da Ugeirm e com representantes dos aprovados do concurso da Polícia Civil, no auditório da 2ª DP de Porto Alegre. Segundo o sindicato, os moradores mostraram-se assustados e indignados com o aumento da violência nas ruas e manifestaram solidariedade à luta dos policiais contra as políticas do governo do Estado para o setor.

Os moradores do Menino Deus apoiaram a convocação imediata, para o início do curso de formação na Academia de Polícia, dos novos policiais já aprovados em todas as fases do concurso realizado em 2013. Eles se dispuseram a participar do ato público dos servidores marcado para o dia 18 de agosto e apresentaram um balanço da manifestação que promoveram na manhã do último sábado (18), reivindicando mais segurança no bairro. Marcelo Machado, coordenador do movimento dos moradores, disse que o número de assaltos aumentou exponencialmente desde janeiro.

Ainda na terça, os representantes do STETPOA fizeram um relato da situação de descontrole da violência que vem atingindo diretamente os rodoviários. O encontro aconteceu no dia seguinte ao arrastão ocorrido na linha T7, em Porto Alegre, onde motorista, cobrador e mais de 30 passageiros foram roubados. Segundo a entidade, os rodoviários vêm trabalhando em um clima de grande insegurança e estresse. Muitos estão com a saúde emocional abalada e os pedidos de demissão tem se tornado cada vez mais frequentes, relatou ainda o sindicato.

Na reunião, policiais e sindicalistas chegaram a um consenso sobre a necessidade de aumentar a pressão sobre o governo José Ivo Sartori para que o mesmo cumpra a promessa feita no início do ano de que os serviços públicos essenciais, como segurança, saúde e educação não seria afetados pelos cortes orçamentários. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte também confirmou presença no ato do dia 18 de agosto que está sendo organizado pelo Fórum Unificado de Servidores Públicos. O STETPOA anunciou que enviará representantes que darão depoimentos sobre a falta de segurança no transporte público.

Sindicato diz que não aceitará represálias

O Ugeirm Sindicato afirmou que não tolerará represálias por parte do governo do Estado ao ato realizado na última sexta-feira, em frente ao Palácio Piratini, em protesto contra a morte do policial Valdeci Machado, de Alvorada. “Nosso movimento é pacifico. O ato em frente ao Piratini foi um grito de desabafo. Um alerta ao governo do estado sobre a situação desesperadora em que se encontram os cidadãos gaúchos. Queremos condições para combater a violência e preservar a cidadania. Essa é a nossa prerrogativa”, afirma nota publicada na página da entidade.

Aline Machado, filha do policial morto, também manifestou solidariedade aos policiais em um texto publicado na página do sindicato no Facebook:

“Todos os servidores q fizeram a manifestação improvisada, foram no enterro do meu Pai Valdecir Machado, morto em trabalho… pq o governo não vai investigar como um preso consegue arrebentar uma algema velha (material q o estado não se preocupa em repor ) e fugir… pq o senhor governador, não pronunciou uma palavra para a família… pq não diz que meu pai morreu esperando uma promoção a qual tem direito a um tempão… governo do estado do RS vá a m… com a sua investigação contra a polícia de seu estado, esses heróis q saem todo dia de casa sem saber se vão voltar…Eu achava q meu paizinho não corria risco de vida pois tinha virado plantonista… Que ilusão… Não tem efetivo suficiente, por isso todos tem q ir pra rua atrás de vagabundo…A família está a disposição de todos os colegas de meu pai… assim como vcs todos q estiveram lá nos apoiando, pois ninguém do estado deu apoio algum, somente a família da Polícia Civil nos apoiou.

Segundo a Abamf, , protestos contra a atual política de segurança começam a aparecer em diversas localidades do Estado. (Foto: Abamf/Divulgação)
Segundo a Abamf, protestos contra a atual política de segurança começam a aparecer em diversas localidades do Estado. (Foto: Abamf/Divulgação)

Protestos na Brigada 

A Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), que reúne servidores de nível médio da Brigada Militar, também voltou a manifestar preocupação com os efeitos da atual política do governo estadual sobre a segurança pública. Segundo a entidade, “inconformados com o congelamento de salários, a redução das horas extras, falta de efetivo e redução para gasolina e munição, protestos começam a aparecer em diversas localidades do Estado”. A página da Abamf publicou algumas fotos desses protestos que afirmam que a Brigada Militar vai parar se a atual política continuar.

Foto de um dos protestos realizados no Estado,  nos últimos dias, publicada no site da Abamf. (Divulgação)
Foto de um dos protestos realizados no Estado, nos últimos dias, publicada no site da Abamf. (Divulgação)