Centenas de policiais civis se mobilizam pela greve geral

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18/08/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Assembléia dos Policiais Civil aprovam paralisação. | Foto: Guilherme Santos/Sul21
18/08/2015 – PORTO ALEGRE, RS, BRASIL – Assembléia dos Policiais Civil aprovam paralisação. | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Jaqueline Silveira

O espaço das calçadas ao redor do Palácio da Polícia, localizado na esquina das Avenidas João Pessoa e Ipiranga, ficou pequeno para as centenas de agentes da Polícia Civil que se concentraram para a assembleia da categoria antes de se juntarem aos demais servidores públicos estaduais no ato do Largo Glênio Peres, na Capital. Muitos tiveram de se aglomerar nos canteiros no outro lado do prédio. Provenientes de diversas regiões do Estado como Metropolitana, Bagé, Vacaria, Santa Maria, Santana do Livramento, Santa Cruz do Sul, Santo Ângelo, comissários, investigadores, escrivães e inspetores aprovaram greve por três dias a partir desta quarta-feira (19) e, ao mesmo tempo, paralisação por mais quatro dias a contar de 31 de agosto, caso o governo José Ivo Sartori (PMDB) não pague os salários dos servidores.

Muitos policiais carregavam faixas identificando suas cidades e com frases como “Polícia Civil desrespeitada – Igrejinha desamparada”, “A Polícia Civil lutando pela sua segurança – Vacaria”, e “Sem polícia, e rua é do ladrão – Lajeado”. “É importantíssimo pela forma que o governo está nos tratando”, comentou um policial de Alegrete, que preferiu não se identificar, sobre a mobilização, enquanto aguardava a Assembleia. “É muito importante agregar força para o governo sentir. Essas medidas do governo desestabilizam o policial”, emendou o agente Luiz Roberto Pinheiro Vicentini, policial há 22 anos e que atualmente trabalha em Vacaria, Região da Serra.

Antes de a assembleia começar, a categoria recebeu o apoio de movimentos estudantis e dos técnicos-científicos de universidades federais em greve. Depois, agentes de diferentes cidades se revezaram em manifestações em cima do caminhão de som. Em coro, os policiais fizeram duras críticas ao governo Sartori e ao projeto de lei que cria a Lei Estadual de Responsabilidade Fiscal, proposta que proíbe reajustes sem previsão de receita. “Esse é um projeto nefasto e temos de combatê-lo”, defendeu um dos policiais, ao microfone.

O ex-chefe de Polícia Civil do governo Tarso Genro (PT) Ranolfo Vieira, hoje coordenador da Bancado do PTB na Assembleia Legislativa, também se manifestou e defendeu o pagamento do salário em dia, o cumprimento do calendário de reajustes, que vai até 2018, e a contratação de mais 600 agentes. “Esse calendário tem de ser cumprido, foi aprovado por unanimidade (na Assembleia) e não podemos abrir mão”, afirmou o ex-chefe de polícia.

Deputados também foram levar apoio à categoria. Os petistas Stela Farias e Jeferson Fernandes e Luis Augusto Lara, do PTB, que é presidente da Comissão de Orçamento da Assembleia, estiveram ao microfone. Lara disse que, pela primeira vez, votou contra o relatório do relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Alexandre Postal (PMDB), que é líder do governo Sartori, uma vez que a LDO não prevê nem a reposição salarial aos servidores estaduais. “Com segurança, não se brinca. Parabéns pela luta, ele não será fácil! Sem luta, sem pressão, nada funciona na política”, observou petebista. “A Assembleia tem a obrigação moral de não aprovar retrocesso na carreira de vocês”, completou Fernandes.

Mas a manifestação mais contundente foi do presidente do Sindicato dos Escrivães, Investigadores e Inspetores da Polícia (Ugeirm), Isaac Ortiz. “O que se vê é um ataque brutal do governo aos servidores públicos, principalmente da segurança pública”, disparou o dirigente sindical, garantindo que a categoria não permitirá retrocessos nas conquistas obtidas no governo anterior. Ortiz afirmou que “a culpa” pela dívida do Estado com a União não é dos servidores e, sim, do ex-governador Antonio Britto (PMDB), que a renegociou com o governo federal. “Quem endividou o Estado foi o Britto” reforçou o presidente da Ugeirm, acrescentando que Sartori tem contribuição com “essa dívida quase impagável”, uma vez que foi líder na Assembleia do ex-governador, oportunidade em que foi aprovada a renegociação no Legislativo. “São quatro anos de briga com esse governo, então tem de se dar um passo de cada vez”, justificou Ortiz à categoria, sobre começar com três dias de greve. Para concluir, o sindicalista deu um aviso ao Palácio Piratini: “não vamos apanhar calado.”

Terminado o ato, as centenas de policiais saíram em caminhada do Palácio da Polícia até o Glênio Peres. Os agentes ainda não tinham partido e já tomavam toda a extensão entre o Palácio e o Colégio Júlio de Castilhos.

Enquanto os agentes da Polícia Civil se reuniam na João Pessoa, em outro ponto da cidade, na Praça Brigadeiro Sampaio, policiais militares e bombeiros faziam sua assembleia. A decisão foi a mesma das demais categorias: greve por três dias. Também, conforme o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar, Leonel Lucas, ficou definido que os brigadianos não irão trabalhar e nem ser coniventes com situações irregulares como viaturas com licença vencida. “Serão todas recolhidas”, avisou ele.

Sul21