Rádio Guaíba: Policiamento não deve ser afetado, mas PMs fazem ofensiva contra irregularidades em equipamentos

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PMs na Capital. Foto: Divulgação Governo RS
PMs na Capital. Foto: Divulgação Governo RS

Já na Polícia Civil, apenas ocorrências graves serão atendidas durante os três dias de paralisação

Ao contrário do que ocorreu no início do mês, não há previsão de aquartelamento ou protestos de policiais militares no Rio Grande do Sul durante os três dias de paralisação do funcionalismo estadual. Como forma de aderir ao movimento, brigadianos anunciam o início de uma operação padrão batizada de Operação Dignidade, a partir desta quarta-feira. Já que, por lei, não podem cruzar os braços — pelo risco de serem demitidos por insubordinação —, os PMs planejam fazer blitze contra irregularidades no serviço público estadual, municipal ou federal em todo o Rio Grande do Sul.

A ideia é abordar qualquer veículo público para verificar documentos e conservação. No Corpo de Bombeiros, os servidores pretendem fazer uma ofensiva para denunciar, por exemplo, PPCIs (Planos de Prevenção e Combate a Incêndios) desatualizados em prédios de órgãos governamentais. Conforme o presidente da Abamf (Associação de Cabos e Soldados), Leonel Lucas, em caso de flagrante de situações irregulares, carros podem ser recolhidos e prédios interditados. “O dever de casa nós já fizemos e, agora, vamos começar a sair para fora, denunciar problemas em outros órgãos públicos”, afirmou.

Dentro da Brigada Militar, não há intenção de tirar viaturas de serviço, já que a maior parte dos problemas de documentação já foi corrigida nos últimos dias. O Comando da BM confirma que, até o momento, não há qualquer situação fora da normalidade registrada. A Operação Dignidade tem adesão das associações que representam cabos e soldados (Abamf) e sargentos, subtenentes e tenentes (ASSTBM). A entidade dos oficiais da BM (ASOFBM) não aderiu ao protesto, mas já declarou apoio à suspensão de qualquer atividade além do policiamento ordinário, desde o início de agosto.

Na Polícia Civil, a Associação de Delegados (Asdep) também não participa da paralisação, mas confirmou apoio às manifestações de outros agentes. A Ugeirm (Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da PC) anunciou que somente serviços de emergência serão atendidos, como flagrantes, homicídios, crimes contra crianças e adolescentes e Lei Maria da Penha. A orientação para registros de ocorrências de menor gravidade é utilizar o site da Polícia Civil. A maioria das delegacias já vinha restringindo serviços nas últimas semanas. Ainda, serviços penitenciários na Susepe(Superintendência de Serviços Penitenciários) e atividades do IGP (Instituto Geral de Perícias) também devem se limitar a casos mais graves, com possível suspensão de parte das perícias, transferências de presos e audiências previstas para o período.

Como o impacto no policiamento ostensivo não deve ser significativo nesses três dias, não há previsão de paralisações no transporte público, comércio ou bancos no Estado. Nas escolas estaduais, aquelas que já haviam reduzido turnos devem passar a suspender as aulas. Até então, o Cpers registrava adesão de mais de 90% dos professores do Estado. Com a adesão de parte dos servidores da Saúde, serviços de farmácia e hospitais podem sofrer atrasos.

Ao final de agosto, se o governo do Estado confirmar novo parcelamento dos salários, os servidores já aprovaram parar por mais quatro dias. O início de uma greve geral a partir de setembro não está descartado. Além do pagamento integral, os trabalhadores contestam todas as medidas de cortes de despesas tomadas pelo governo Sartori desde o início do ano.

Fonte:Bibiana Borba/Rádio Guaíba