Guarda Municipal quer consolidar poder de polícia nas ruas de São Leopoldo

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Guarda Municipal quer consolidar poder de polícia nas ruas de São Leopoldo
Guarda Municipal quer consolidar poder de polícia nas ruas de São Leopoldo

Na cidade, onde parte do efetivo conta com porte de arma a figura do agente já deixou de ser atrelada somente a fiscalização de trânsito

São Leopoldo – Se no estatuto aprovado pelo Senado e sancionado pela presidência da República em 2014 as guardas municipais já têm garantido o poder de polícia, fora dele o assunto ainda encontra resistência e falta de investimento para ser plenamente contemplado dentro dos municípios. Em São Leopoldo, onde parte do efetivo conta com porte de arma desde a metade do ano passado, a figura do agente já deixou de ser atrelada somente a fiscalização de trânsito.
Cada vez mais intensa, a participação de guardas municipais em operações em parceria com a Brigada Militar e a Polícia Civil, contribui para esta mudança de paradigmas dentro da cidade. Para o secretário de Segurança e Defesa Comunitária, Jefferson Soares, com qualificação e formação os guardas têm condições de dar uma resposta à comunidade também como polícia preventiva.
“A medida em que a criminalidade aumenta e em que temos condições de combater, nossos agentes não podem ficar restritos a cuidar do patrimônio e do trânsito. A autoridade tem que agir. Não interessa a cor da farda. Temos que dar uma resposta à comunidade” opina Soares. Conforme o secretário, o poder ostensivo de guardas armados nas ruas inibe ações criminosas e contribui para uma maior sensação de segurança entre os leopoldenses. “Defendo que a Guarda deva ter poder de polícia preventiva, com ações para inibir a criminalidade. Na medida que temos uma guarda armada na rua passamos a ter também um poder ostensivo. A maior característica é a prevenção, mas com tons de ostensividade e repressividade”, diz.
De acordo com o secretário, para apresentar um melhor resultado na área da segurança pública, é necessário aporte, que custeie, entre outras necessidades a qualificação e formação do servidor, compra de armamentos e viaturas. “Nas ações conjuntas temos tido resultados positivos. Podemos contribuir ainda mais, mas para isso, precisamos de investimento da União e do Estado”, diz.
Ações em parceria e projetos futuros 
Para o secretário de Segurança e Defesa Comunitária, Jefferson Soares, a união entre as forças policiais em operações e blitze tem garantido resultados positivos em São Leopoldo em áreas e problemas históricos do Município. “Guarda Municipal, Brigada Militar e Polícia Civil agindo juntas e sem vaidades poderão dar uma resposta para a sociedade”, opina.
Segundo ele, além de continuar contribuindo com ações de combate a perturbação da ordem pública e com o consumo de drogas em praças e espaços públicos com investimento e com mais pessoal a Guarda poderá colaborar também em outros campos, como por exemplo no enfrentamento da violência contra a mulher. “Com isso poderíamos avançar em outras ações que visam a segurança, como na realização de rondas em residências onde existam mulheres com medidas protetivas”, opina.
BM e Polícia Civil aprovam 
Parceiros da Guarda Municipal em diferentes ações e em deliberações do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) Brigada Militar e Polícia Civil são favoráveis ao que consta no estatuto. Diretor da 3a Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), o delegado Rosalino Seara, diz que vê com bons olhos o trabalho em conjunto com os agentes da GCM.
“Eles fazem um trabalho excelente de apoio a Polícia Civil e à Brigada Militar . Em várias ações estão nos ajudando. Eles vem para somar. Com o Estado em uma situação financeira caótica em que não se pode contratar policiais esta parceria ameniza esta carência e faz com que a sociedade tenha mais segurança e veja os resultados”, opina.
O comandante do 25º Batalhão de polícia Militar (25oBPM), tenente-coronel Nélio Tedesco também apoia o auxílio dos guardas municipais. “Já é uma tendência em países do primeiro mundo, uma vez que cada cidade tem suas características e às vezes o Estado não atende as necessidades de cada município. Com instruções e equipamentos, o trabalho dos guardas tem sido primordial. Nossas operações conjuntas têm sido muito importantes, uma vez que unimos nossas forças em um trabalho em comum”, conta.
“Que tenham poder de polícia, mas para atuar em questões municipais” 
Ex-secretário de Segurança e Defesa Comunitária de São Leopoldo e coronel da reserva da BM, Carlos Alberto Azeredo, se diz favorável ao poder de polícia das guardas, desde que “para atuar em questões municipais”. “Sobretudo nas questões do trânsito, que matam muito mais e que registram maior número de delitos”, comenta. “Hoje a guarda não tem efetivo nem para atender a todas as escolas do Município. Falta no Estado é o aumento no efetivo da polícia e uma revisão no nosso sistema prisional, que é uma falácia”.
Raio X da Guarda Municipal * 
177 Agentes**
20 armas de fogo (16 em uso, 2 em perícia e 2 em manutenção)
10 viaturas
8 motocicletas
1 lancha
1 micro-ônibus
120 equipamentos não letais (espargidor de pimenta)
50 armas de choque (45 em uso e 5 em manutenção)
* Fonte: Secretaria Municipal de Segurança Pública
**Dos 177 agentes, 50 são habilitados com curso de tiro e porte válidos
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