Orientação da BM é criticada nas redes sociais e nas ruas

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Conselho para que a população carregue nas ruas somente com o necessário não foi bem recebida. 

Por: Renato Dornelles
Orientação da BM é criticada nas redes sociais e nas ruas Reprodução / Twitter/Twitter
Foto: Reprodução / Twitter / Twitter

Um tuíte da Brigada Militar, na quarta-feira, aconselhando a população a carregar somente o necessário quando estiver na rua causou muita repercussão, com manifestações indignadas com a postagem. Na tarde desta quinta, a publicação foi excluída pela BM.

Em seu twitter, a corporação havia postado: “BM orienta: Procure carregar somente o necessário pela rua #UtilidadePública”. A repercussão foi instantânea: “Depois vão recomendar o quê? Ficar em casa e trancar portas e janelas?”, disse um usuário da rede, em resposta.

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A frase da BM chegou a ser comparada a outras duas, ditas por autoridades policiais, que provocaram polêmica em junho do ano passado.

A primeira foi do então comandante do 9º BPM, tenente-coronel Francisco Vieira. Em um grupo de WhatsApp, em resposta ao relato feito por jornalistas de que havia somente uma viatura fazendo o policiamento em um evento noturnoque ocorria no Parque da Redenção, em Porto Alegre, com milhares de pessoas, ele escreveu: “Quem frequenta esse tipo de evento não quer BM perto. Agora aguentem! Que chamem o Batman! Ou o super-homem”.

No mesmo mês, o então chefe da Polícia Civil, delegado Guilherme Wondracek, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, admitiu: “Do jeito que vai, nós vamos em breve… efetivamente não sair mais de casa. Eu evito sair de casa à noite e parar na rua”, disse, referindo-se à sensação de insegurança da população ao estacionar os veículos à noite na rua.

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O tuíte da BM nesta quarta-feira também provocou reações indignadas:

— Elês (Brigada Militar) têm que carregar é vergonha na cara. Tem que pagar melhor os PMs e colocar mais policiamento nas ruas. As pessoas estão ficando doentes de tão nervosas com a insegurança. Quando saímos de casa, não sabemos se vamos voltar — disse a diarista Jucleia Cavalheiro, 59 anos.

Por um lado, ela afirma que não deixará de lado o hábito de andar com bolsas grandes. Por outro, admite que, no fundo, já seguia a orientação da BM.

— Eu ando com bolsa e vou andar sempre. A obrigação deles (BM) é proteger a população. Mas não tem nada de importante dentro da minha bolsa.

“Sem transferir responsabilidades”

Para a Brigada Militar, a repercussão ao tuíte foi provocada pelo fato de a corporação ter utilizado pela primeira vez o microblog para transmitir esse tipo de orientação.

— Costumávamos fazer folder com o propósito de aproximação com a população. Como foi uma frase curta, acabaram surgindo várias interpretações. Mas o nosso propósito é pregar uma consciência preventiva, sem transferir responsabilidades. Entendemos que nós, enquanto sociedade, se trabalharmos essa consciência preventiva, só teremos a crescer — explicou o chefe da Comunicação Social da Brigada Militar, capitão Euclides Neto.

Em relação à exclusão do tuíte, o oficial, que ontem estava em Brasília, disse que desconhecia o motivo, mas garantia que “não eram relacionados à repercussão negativa”.

Fala, povo!

“Do jeito que está, temos que andar com dinheiro de plástico e não carregar mais nada. Levar apenas uns cinco pilinhas para dar ao assaltante para ele tomar umas cachaças, e era isso.”  Vilson Pilar Santiago, manobrista, 46 anos

“Estão impossibilitando a gente de andar com o que a gente quer. Temos que nos privar de andar com o que se gosta, por causa da insegurança. E olha que eles (PMs) estão fazendo o que podem.” Carlos Emílio Flores de Freitas, açougueiro, 49 anos

José Inácio já foi roubadoFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

“Já me roubaram uma bolsa com carteira, dinheiro e documentos. Agora, tenho que andar agarrado na alça da bolsa para não acontecer outra vez.” José Inácio Kuntath, aposentado, 78 anos

“Antigamente eu via bastante policiais nas ruas e a gente tinha muito mais proteção. Não tem como não andar com nada na rua, pois tenhpo que fazer compras ir ao supermercado.” Cleni Soares Gonçalves, doméstica, 54 anos

“Acho que o recado da Brigada Militar está certo. O pessoal tem mais é que andar esperto. Eu ando com o celular na mão, porque não me preocupo muito. Eles (ladrões) vão mais é nos idosos.” Rafael Brenes Martins, promotor de vendas, 34 anos.

* Diário Gaúcho